Etanol brasileiro pode substituir 13,7% do consumo mundial de petróleo bruto

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29/11/2017

A expansão do cultivo de cana no Brasil para a produção de etanol em áreas que não estão sob proteção ambiental ou reservada para produção de alimentos poderia potencialmente substituir até 13,7% do consumo mundial de petróleo bruto e reduzir as emissões globais de dióxido de carbono (CO 2 ) em até 5,6% até 2045. Essas estimativas provêm de um estudo internacional com participação brasileira, cujos resultados foram publicados em outubro de 2017 na revista Nature Climate Change.
Etanol brasileiro pode reduzir o consumo global de petróleo
O estudo teve como objetivo investigar como a expansão do etanolda cana-de-açúcar poderia ajudar a limitar o aumento das temperaturas globais médias a menos de 2 ° C, reduzindo as emissões de CO2 provenientes da combustão de combustíveis fósseis, conforme acordado pelos 196 países que assinaram o Acordo do Clima de Paris em dezembro de 2015.
O estudo foi conduzido como parte de um projeto apoiado pela Fundação de Pesquisa São Paulo - FAPESP e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Bioetanol - INCT Bioethanol. Os pesquisadores participantes são afiliados à Escola de Engenharia Agrícola da Universidade de Campinas (Feagri-Unicamp) e ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e ao Colégio de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Eles colaboraram com colegas da Universidade de Illinois Urbana-Champaign (UIUC), da Universidade Estadual de Iowa e do Centro Nacional de Aplicações de Supercomputação nos Estados Unidos, da Universidade de Copenhague e da Danish Energy Association na Dinamarca e da Universidade Lancaster no Reino Unido.
Os pesquisadores usaram software desenvolvido na UIUC para simular o crescimento de plantas, como cana-de-açúcar, com base na composição do solo, temperatura, precipitação e seca, entre outros parâmetros.
Eles usaram três diferentes cenários de políticas ambientais para simular a expansão da cana no contexto das mudanças climáticas projetadas para 2040 e 2050 pelos cinco principais modelos gerais de circulação.
No cenário 1, a expansão da cana-de-açúcar foi limitada às pastagens existentes que poderiam ser substituídas pela safra de acordo com o Plano de Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana), estabelecido em 2009 pela Embrapa, a Corporação Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
No cenário 2, a produção de cana-de-açúcar foi expandida não só para as áreas disponíveis para a safra identificada pela ZAE Cana, mas também para áreas que não serão necessárias para cultivar alimentos e alimentos para animais, mesmo supondo um aumento na demanda de alimentos nas próximas décadas devido ao crescimento populacional.
O cenário 3 foi o mesmo, exceto que incluiu vegetação natural e semi-natural que pode ser convertida legalmente em terras cultivadas.
Os três cenários excluíram áreas sensíveis ao meio ambiente, como a Amazônia e o Pantanal, que não podem ser utilizadas para atividades agrícolas ou industriais.
A análise mostrou que o cultivo de cana-de-açúcar para a produção de etanol poderia expandir para entre 37,5 milhões e 116 milhões de hectares sob os três cenários e que o etanol de cana-de-açúcar poderia fornecer o equivalente a 3,63 milhões a 12,77 milhões de barris de petróleo por dia em 2045, dada a mudança climática projetada, ao mesmo tempo que assegura a conservação das florestas e áreas reservadas para a produção de alimentos.
"Como resultado, seria possível reduzir o consumo de óleo em 3,8% -13,7% e as emissões globais líquidas de CO 2 em 1,5% -5,6% em 2045 em comparação com os dados de 2014".
"Nossas descobertas mostram que é possível conciliar os dois objetivos principais com os quais o Brasil se comprometeu como parte do acordo de Paris: conservação de ambientes naturais, especialmente a Amazônia, e uso crescente de energia renovável", disse Marcos Buckeridge, professor da IB-USP e um dos autores do artigo.
"O estudo destaca a coragem do Brasil em inventar o etanol de cana-de-açúcar como biocombustível e implementá-lo como uma solução nacional", disse Buckeridge à Agência FAPESP. "Esta expansão potencial da cana-de-açúcar não funcionaria sem integração entre os segmentos agrícola e industrial, e isso, por sua vez, ressalta a importância de se concentrar fortemente na ciência e na tecnologia da cana-de-açúcar nos próximos anos. Devemos completar o trabalho que começamos, o que significa etanol de segunda geração".
Solução escalável
Os autores esclarece que o etanol de cana-de-açúcar é uma solução escalonável a curto prazo para o problema da redução de emissões de CO 2 no setor de transporte global. A produção de etanol combustível da cana-de-açúcar no Brasil é muito mais eficiente do que a produção de etanol de milho, argumentam. Suas emissões de CO2 correspondem apenas a 14% do petróleo. Além disso, as emissões resultantes da mudança do uso da terra para o cultivo da cana-de-açúcar podem ser compensadas em apenas dois a oito anos.
"A escalabilidade rápida é fundamental: é o que é necessário para acelerar as respostas da sociedade às mudanças climáticas", disse Buckeridge. "Todas as evidências sugerem que o aumento médio da temperatura global excederá 1,5 ° C em 2030. Isso não está longe. O etanol brasileiro pode ser uma grande ajuda para o planeta".

Fonte: Folha Sustentável

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Etanol brasileiro pode substituir 13,7% do consumo mundial de petróleo bruto

29/11/2017

A expansão do cultivo de cana no Brasil para a produção de etanol em áreas que não estão sob proteção ambiental ou reservada para produção de alimentos poderia potencialmente substituir até 13,7% do consumo mundial de petróleo bruto e reduzir as emissões globais de dióxido de carbono (CO 2 ) em até 5,6% até 2045. Essas estimativas provêm de um estudo internacional com participação brasileira, cujos resultados foram publicados em outubro de 2017 na revista Nature Climate Change.
Etanol brasileiro pode reduzir o consumo global de petróleo
O estudo teve como objetivo investigar como a expansão do etanolda cana-de-açúcar poderia ajudar a limitar o aumento das temperaturas globais médias a menos de 2 ° C, reduzindo as emissões de CO2 provenientes da combustão de combustíveis fósseis, conforme acordado pelos 196 países que assinaram o Acordo do Clima de Paris em dezembro de 2015.
O estudo foi conduzido como parte de um projeto apoiado pela Fundação de Pesquisa São Paulo - FAPESP e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Bioetanol - INCT Bioethanol. Os pesquisadores participantes são afiliados à Escola de Engenharia Agrícola da Universidade de Campinas (Feagri-Unicamp) e ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e ao Colégio de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Eles colaboraram com colegas da Universidade de Illinois Urbana-Champaign (UIUC), da Universidade Estadual de Iowa e do Centro Nacional de Aplicações de Supercomputação nos Estados Unidos, da Universidade de Copenhague e da Danish Energy Association na Dinamarca e da Universidade Lancaster no Reino Unido.
Os pesquisadores usaram software desenvolvido na UIUC para simular o crescimento de plantas, como cana-de-açúcar, com base na composição do solo, temperatura, precipitação e seca, entre outros parâmetros.
Eles usaram três diferentes cenários de políticas ambientais para simular a expansão da cana no contexto das mudanças climáticas projetadas para 2040 e 2050 pelos cinco principais modelos gerais de circulação.
No cenário 1, a expansão da cana-de-açúcar foi limitada às pastagens existentes que poderiam ser substituídas pela safra de acordo com o Plano de Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana), estabelecido em 2009 pela Embrapa, a Corporação Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
No cenário 2, a produção de cana-de-açúcar foi expandida não só para as áreas disponíveis para a safra identificada pela ZAE Cana, mas também para áreas que não serão necessárias para cultivar alimentos e alimentos para animais, mesmo supondo um aumento na demanda de alimentos nas próximas décadas devido ao crescimento populacional.
O cenário 3 foi o mesmo, exceto que incluiu vegetação natural e semi-natural que pode ser convertida legalmente em terras cultivadas.
Os três cenários excluíram áreas sensíveis ao meio ambiente, como a Amazônia e o Pantanal, que não podem ser utilizadas para atividades agrícolas ou industriais.
A análise mostrou que o cultivo de cana-de-açúcar para a produção de etanol poderia expandir para entre 37,5 milhões e 116 milhões de hectares sob os três cenários e que o etanol de cana-de-açúcar poderia fornecer o equivalente a 3,63 milhões a 12,77 milhões de barris de petróleo por dia em 2045, dada a mudança climática projetada, ao mesmo tempo que assegura a conservação das florestas e áreas reservadas para a produção de alimentos.
"Como resultado, seria possível reduzir o consumo de óleo em 3,8% -13,7% e as emissões globais líquidas de CO 2 em 1,5% -5,6% em 2045 em comparação com os dados de 2014".
"Nossas descobertas mostram que é possível conciliar os dois objetivos principais com os quais o Brasil se comprometeu como parte do acordo de Paris: conservação de ambientes naturais, especialmente a Amazônia, e uso crescente de energia renovável", disse Marcos Buckeridge, professor da IB-USP e um dos autores do artigo.
"O estudo destaca a coragem do Brasil em inventar o etanol de cana-de-açúcar como biocombustível e implementá-lo como uma solução nacional", disse Buckeridge à Agência FAPESP. "Esta expansão potencial da cana-de-açúcar não funcionaria sem integração entre os segmentos agrícola e industrial, e isso, por sua vez, ressalta a importância de se concentrar fortemente na ciência e na tecnologia da cana-de-açúcar nos próximos anos. Devemos completar o trabalho que começamos, o que significa etanol de segunda geração".
Solução escalável
Os autores esclarece que o etanol de cana-de-açúcar é uma solução escalonável a curto prazo para o problema da redução de emissões de CO 2 no setor de transporte global. A produção de etanol combustível da cana-de-açúcar no Brasil é muito mais eficiente do que a produção de etanol de milho, argumentam. Suas emissões de CO2 correspondem apenas a 14% do petróleo. Além disso, as emissões resultantes da mudança do uso da terra para o cultivo da cana-de-açúcar podem ser compensadas em apenas dois a oito anos.
"A escalabilidade rápida é fundamental: é o que é necessário para acelerar as respostas da sociedade às mudanças climáticas", disse Buckeridge. "Todas as evidências sugerem que o aumento médio da temperatura global excederá 1,5 ° C em 2030. Isso não está longe. O etanol brasileiro pode ser uma grande ajuda para o planeta".