Visita aos centros de produção de sementes de cana-de-açucar dos programas de melhoramento genético:

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24/06/2013

 

 

1.              
Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar  
 
1.1            Histórico
 
Em 1493, supostamente, Cristóvão Colombo, introduziu no “Novo Mundo” a variedade Crioula, resultado de uma hibridação natural entre Saccharum officinarum e Saccharum barberi (Bremer, 1932). Durante aproximadamente 250 anos manteve-se em cultivo, sendo substituída, posteriormente, por formas de cana “nobre” (Saccharum officinarum), assim conhecida pelo seu maior teor de sacarose. Até o início do século XX, S. officinarum era responsável por grande parte da matéria-prima mundial, através de variedades como Bourbon.
Inicialmente, objetivou-se a resistência às principais doenças conhecidas, utilizando-se como “ferramenta”, o cruzamento interespecífico, envolvendo, Saccharum officinarum, S. spontaneum, S. barberi e S. sinense. A exploração dessas outras espécies proporcionou uma significativa alteração no ideótipo varietal. Plantas, antes sem capacidade de perfilhamento, passaram a apresentar, a partir de então, não apenas tal característica, como também grande habilidade de brotação após o seu corte. Colmos que apresentavam diâmetro excessivo e baixíssimo teor de fibra, agora eram de média grossura, com valores médios-altos de fibra (EDGERTON,1955). Desde o advento de hibridações manipuladas, o perfil varietal se distinguiu, oferecendo a indústria uma nova concepção de matéria-prima. Os programas de melhoramento genético da cana de açúcar conduzidos em dezenas de países têm sido responsáveis por essa mudança essencial, usando para tanto de estratégias de hibridação e seleção diferenciadas. São eles que, atentos às novas demandas de mercado, lançam materiais com o objetivo de atender as exigências do Setor Sucroalcooleiro.
As variedades de cana-de-açúcar que hoje conhecemos são na realidade híbridos inter-específicos do gênero Saccharum (família Poaceae, antes classificada como Gramineae). Podemos identificar características importantes para a produção agrícola que estão mais relacionados a uma espécie ou outra. Por exemplo: alto teor de sacarose é uma característica que proveio basicamente de Saccharum officinarum. As características de perfilhamento e capacidade de brotação de soca se originam em Saccharum spontaneum. Nas figuras abaixo, temos ilustrado as espécies participantes do gênero Saccharum e que estão envolvidas como ascendentes das variedades atuais.

Caracterização sumária da espécie Saccharum officinarum.
 

Figura 1
– Caracterização sumária da espécie Saccharum officinarum.
 
Caracterização sumária da espécie Saccharum spontaneum
 
Figura 2 – Caracterização sumária da espécie Saccharum spontaneum.
 
Caracterização sumária das espécies Saccharum barberi e sinense

Figura 3
– Caracterização sumária das espécies Saccharum barberi e sinense.
 
Caracterização sumária da espécie Saccharum robustum.

Figura 4
– Caracterização sumária da espécie Saccharum robustum.
 
1.2.          Instituto de Pesquisa (Programas de Melhoramento)
 
O Instituto Agronômico de Campinas iniciou suas atividades em 1933 e é o mais antigo em atividade no Brasil. O IAC foi responsável pela introdução ou pela avaliação de diversos cultivares no período de 1935 a 1975, cultivares que contribuíram no seu tempo como base para a grande canavicultura comercial que haveria de se estabelecer no Brasil posteriormente.
 
O programa de melhoramento genético do CTC, antiga Copersucar, teve início na década de 60. Em 1970 incorporou mais de 400.000 seedlings de sementes, provenientes dos cruzamentos em Camamu, BA, onde está localizada a Estação Experimental do CTC.
 
O processo de melhoramento utilizado pelos Programas de Melhoramento baseia-se na obtenção de variedades por meio de hibridação e seleção. O processo de hibridação enseja a geração de famílias que apresentam ampla variabilidade genética. Essa condição propicia o processo de seleção. Naturalmente, esse processo é mais caro e trabalhoso que o processo de introdução de plantas, no entanto, é muito mais eficiente, pois posteriormente à geração da variabilidade, via hibridação, inicia-se a seleção local sobre diferentes famílias, possibilitando o aparecimento de indivíduos com grande adaptação para “nichos” mais específicos de produção. Esse processo foi o responsável pelo grande salto de produtividade que o Brasil experimentou nos últimos vinte e cinco anos através de trabalhos desenvolvidos pela Copersucar (hoje CTC), pelo PLANALSUCAR (hoje RIDESA), e mais recentemente pelo Programa Cana IAC, os quais usaram desse procedimento para obtenção de suas variedades.
 
Visão da Estação Experimental IAC, localizada em Serra Grande, BA
Figura 5- Visão da Estação Experimental IAC, localizada em Serra Grande, BA
 
Visão da Estação Experimental CTC, localizada em Camamú, BA
Figura 6- Visão da Estação Experimental CTC, localizada em Camamú, BA
 
2.     PROCESSOS PARA OBTENÇÃO DE VARIABILIDADE E SELEÇÃO.
 
 O melhoramento genético da cana-de-açúcar inicia-se com a obtenção de populações com ampla variabilidade genética. Isso pode ser obtido, convencionalmente, pelos seguintes tipos de hibridações:
a. Cruzamentos Bi-Parentais: cruzamento simples utilizando-se dois parentais conhecidos;
b. Policruzamentos: quando é utilizado um grupo de parentais selecionados, que é intercruzado. Nesse caso, conhece-se somente o parental feminino, de onde serão coletadas as panículas fecundadas por machos diversos.
No Brasil, a atividade de hibridação tem sido desenvolvida em áreas litorâneas da Bahia e Alagoas, que oferecem condições climáticas bastante favoráveis ao florescimento e à viabilidade dos grãos de pólen.
 O planejamento dos cruzamentos é realizado adotando-se como critérios principais:
        a. grau de endogamia entre parentais;
b. teor de açúcar;
c. produtividade agrícola;
d. resistência às principais doenças (carvão, mosaico, ferrugem, amarelinho e escaldadura);
e. capacidade de brotação da soqueira;
f. hábito ereto de crescimento da touceira dos genitores;
O grau de sucesso nessa etapa correlaciona-se com a qualidade da coleção de genótipos mantida para o fim de hibridação. Ela deve receber, de maneira contínua, germoplasma de diversas origens e, principalmente, conter uma estratégia para incorporação de indivíduos oriundos do processo de seleção recorrente, que tem como principal objetivo alterar a média populacional dos caracteres no sentido de uma melhor adequação aos interesses agrícolas (VENCOVSKY & BARRIGA, 1992). O conhecimento da herdabilidade dos caracteres de maior importância econômica, também tem um grau de grande importância na eficácia do processo seletivo.
Na cana-de-açúcar, o genótipo de cada planta pode ser transmitido integralmente através das gerações e multiplicados via clonagem através dos colmos (BRESSIANI, 2001).
Os componentes de produção determinantes para o potencial agrícola são:
a) altura de colmo (h);
b) número de perfilhos (C);
c) diâmetro de colmos (d).
Considerando a densidade do colmo igual a um, o valor de tonelada de cana/ha pode ser estimada pela fórmula: TCH = (0,007854 x d2 x h x C)/E;
 
 
2.1. FASES DE SELEÇÃO
 
2.1.1. SELEÇÕES INICIAIS
 
SELEÇÕES INICIAIS - fases de melhoramaneto
 
Após a obtenção das sementes, essas serão germinadas no “Núcleo de Produção de Seedlings”. Posteriormente, os “seedlings” produzidos serão distribuídos nas regiões com características edafoclimáticas distintas, abrangendo algumas das mais importantes áreas canavieiras do Centro-Sul do Brasil.
 Para avaliação das fases descritas, as características serão quantificadas pelas escalas conceituais. Essa escala conceitual é aplicada, principalmente, nas fases iniciais de seleção com intuito de aprimorar a percepção tácita do melhorista.
Na primeira fase de seleção FS1, instala-se o campo de “seedlings” com as plantas individualizadas em touceiras, adotando-se o espaçamento de 1,50m entre as linhas e 0,50m entre plantas. São realizadas observações ao longo dos ciclos de cana planta e soca, quantificando índices de doenças nas progênies. 
Na fase FS2, instala-se o campo de seleção com a multiplicação de duas linhas de três metros por clone (2 x 3). Nessa segunda fase é feita uma pré-avaliação utilizando-se das escalas conceituais para características morfológicas e condições fitossanitárias, além do Brix. Após a identificação dos melhores genótipos, é realizada a biometria, conforme a seguinte metodologia:
- altura do colmo: medido da base à inserção da folha +3, amostrando-se cinco colmos seguidos na linha;
- diâmetro do colmo: estimado nos mesmos cinco colmos, mensurado no meio do internódio na altura dada por um terço de comprimento do colmo;
- número de colmos: estimado com a contagem dos colmos de todas as linhas da parcela.
A fase FS3 consiste de um campo de seleção onde cada clone está numa parcela de oito linhas de cinco metros (8 x 5). Nessa fase são realizadas as mesmas avaliações da fase anterior e em épocas também semelhantes.
Concomitantemente, são mantidos os campos de seleção das fases FS2 e FS3, permitindo as observações, no mesmo período, dos parâmetros de produção e da longevidade de produção. A avaliação tecnológica é realizada coletando-se amostras na soca de FS2 em três épocas distintas para caracterizar a curva de maturação de cada genótipo.
 
O período, onde é realizado os cruzamentos, é chamado de “Campanha”, este período é anual, tendo início em meados de abril até meados de junho. O processo é composto por 10 etapas, as quais, seguem abaixo:
 
levantamento de flechas
1ª etapa: levantamento de flechas
 
leitura dos sexos em microscópio
2ª etapa: leitura dos sexos em microscópio
 
Planejamento dos cruzamentos
3ª etapa: Planejamento dos cruzamentos, são realizados de acordo com as flechas disponíveis, com o objetivo de unir as qualidades desejáveis de uma variedade.
 
retirada do material em campo
4ª etapa: retirada do material em campo
5ª etapa: transporte das inflorescências

transporte das inflorescências

transporte das inflorescências
transporte das inflorescências
6ª etapa: fecundação nas lanternas, nesta etapa que envolve os cruzamentos, é realizado a emasculação para maior viabilização dos poléns femininos. Neste processo, as inflorescências emasculadas são pintadas de amarelo, inflorescências masculinas de cor preta e inflorescências femininas diretas (não emasculadas) são vermelhas. As inflorescências abertas são retiradas e somente são mantidas as que permaneceram fechadas. Após a montagem dos cruzamentos, os materiais são mantidos em lanternas por aproximadamente 15 dias em solução nutritiva de ácido sulfúrico, nítrico e fosfórico, formulada comercialmente.
 
 
maturação dos poléns, permanecem no local por sete dias
7ª etapa: maturação dos poléns, permanecem no local por sete dias.
 
secagem do material, permanecem por dois dias, em local climatizado, temperatura de 30ºC com 35% de umidade.
8ª etapa: secagem do material, permanecem por dois dias, em local climatizado, temperatura de 30ºC com 35% de umidade.
 
beneficiamento, onde ocorre a separação e limpeza das sementes

beneficiamento, onde ocorre a separação e limpeza das sementes
9ª etapa: beneficiamento, onde ocorre a separação e limpeza das sementes.
 
distribuição dos materiais nas estações regionais
10ª etapa: distribuição dos materiais nas estações regionais. Em média um grama do material possui mil sementes de cana-de-açúcar.
 
O cruzamento multiparental é mais usual, quando o banco de germoplasma está em formação, enquanto o cruzamento biparental ocorre em maior quantidade, quando o banco de germoplasma é consolidado. No cruzamento o macho fica mais alto que a fêmea, pois o polén cai por gravidade.
Os poléns femininos representam bem características ligadas ao citoplasma, como por exemplo, as doenças, que são ligadas ao, assim canas com poléns femininos expressão bem as doenças, como é o caso da ferrugem.
 
Coleção dos materiais IAC
Coleção dos materiais IAC.
 
Coleção dos materiais CTC
Coleção dos materiais CTC
 
Equipe Canaoeste em visita a Estaçaõ Experimental IAC
Equipe Canaoeste em visita a Estaçaõ Experimental IAC

Variedades comerciais CTC
Variedades comerciais CTC
 
Equipe Canaoeste em visita a Estação Experimental CTC
Equipe Canaoeste em visita a Estação Experimental CTC
 
 
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BREMER, G. On the somatic chromosome numbers of sugarcane forms of endogenous cane. Proc. ISSCT 4: 30, 1932.
BRESSIANI, J.A. 2001. Seleção seqüencial em cana-de-açúcar. (tese doutorado), Piracicaba: ESALQ/USP, 133p.
EDGERTON, C.W. Sugarcane and its disease. Baton Rouge: Lousiana State University Press, 290 p., 1955.
LANDELL, M. G.de A.; SILVA, M. DE A. As estratégias de seleção da cana em desenvolvimento no Brasil. Piracicaba, ESALQ - USP, VISÃO AGRÍCOLA 1:18-23, 2004.
VENCOVSKY, R.; BARRIGA, P. Genética biométrica no fitomelhoramento. Ribeirão Preto: Revista Brasileira de Genética, 1992. 496p. 

Fonte: www.canaoeste.com.br

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1.              
Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar  
 
1.1            Histórico
 
Em 1493, supostamente, Cristóvão Colombo, introduziu no “Novo Mundo” a variedade Crioula, resultado de uma hibridação natural entre Saccharum officinarum e Saccharum barberi (Bremer, 1932). Durante aproximadamente 250 anos manteve-se em cultivo, sendo substituída, posteriormente, por formas de cana “nobre” (Saccharum officinarum), assim conhecida pelo seu maior teor de sacarose. Até o início do século XX, S. officinarum era responsável por grande parte da matéria-prima mundial, através de variedades como Bourbon.
Inicialmente, objetivou-se a resistência às principais doenças conhecidas, utilizando-se como “ferramenta”, o cruzamento interespecífico, envolvendo, Saccharum officinarum, S. spontaneum, S. barberi e S. sinense. A exploração dessas outras espécies proporcionou uma significativa alteração no ideótipo varietal. Plantas, antes sem capacidade de perfilhamento, passaram a apresentar, a partir de então, não apenas tal característica, como também grande habilidade de brotação após o seu corte. Colmos que apresentavam diâmetro excessivo e baixíssimo teor de fibra, agora eram de média grossura, com valores médios-altos de fibra (EDGERTON,1955). Desde o advento de hibridações manipuladas, o perfil varietal se distinguiu, oferecendo a indústria uma nova concepção de matéria-prima. Os programas de melhoramento genético da cana de açúcar conduzidos em dezenas de países têm sido responsáveis por essa mudança essencial, usando para tanto de estratégias de hibridação e seleção diferenciadas. São eles que, atentos às novas demandas de mercado, lançam materiais com o objetivo de atender as exigências do Setor Sucroalcooleiro.
As variedades de cana-de-açúcar que hoje conhecemos são na realidade híbridos inter-específicos do gênero Saccharum (família Poaceae, antes classificada como Gramineae). Podemos identificar características importantes para a produção agrícola que estão mais relacionados a uma espécie ou outra. Por exemplo: alto teor de sacarose é uma característica que proveio basicamente de Saccharum officinarum. As características de perfilhamento e capacidade de brotação de soca se originam em Saccharum spontaneum. Nas figuras abaixo, temos ilustrado as espécies participantes do gênero Saccharum e que estão envolvidas como ascendentes das variedades atuais.

Caracterização sumária da espécie Saccharum officinarum.
 

Figura 1
– Caracterização sumária da espécie Saccharum officinarum.
 
Caracterização sumária da espécie Saccharum spontaneum
 
Figura 2 – Caracterização sumária da espécie Saccharum spontaneum.
 
Caracterização sumária das espécies Saccharum barberi e sinense

Figura 3
– Caracterização sumária das espécies Saccharum barberi e sinense.
 
Caracterização sumária da espécie Saccharum robustum.

Figura 4
– Caracterização sumária da espécie Saccharum robustum.
 
1.2.          Instituto de Pesquisa (Programas de Melhoramento)
 
O Instituto Agronômico de Campinas iniciou suas atividades em 1933 e é o mais antigo em atividade no Brasil. O IAC foi responsável pela introdução ou pela avaliação de diversos cultivares no período de 1935 a 1975, cultivares que contribuíram no seu tempo como base para a grande canavicultura comercial que haveria de se estabelecer no Brasil posteriormente.
 
O programa de melhoramento genético do CTC, antiga Copersucar, teve início na década de 60. Em 1970 incorporou mais de 400.000 seedlings de sementes, provenientes dos cruzamentos em Camamu, BA, onde está localizada a Estação Experimental do CTC.
 
O processo de melhoramento utilizado pelos Programas de Melhoramento baseia-se na obtenção de variedades por meio de hibridação e seleção. O processo de hibridação enseja a geração de famílias que apresentam ampla variabilidade genética. Essa condição propicia o processo de seleção. Naturalmente, esse processo é mais caro e trabalhoso que o processo de introdução de plantas, no entanto, é muito mais eficiente, pois posteriormente à geração da variabilidade, via hibridação, inicia-se a seleção local sobre diferentes famílias, possibilitando o aparecimento de indivíduos com grande adaptação para “nichos” mais específicos de produção. Esse processo foi o responsável pelo grande salto de produtividade que o Brasil experimentou nos últimos vinte e cinco anos através de trabalhos desenvolvidos pela Copersucar (hoje CTC), pelo PLANALSUCAR (hoje RIDESA), e mais recentemente pelo Programa Cana IAC, os quais usaram desse procedimento para obtenção de suas variedades.
 
Visão da Estação Experimental IAC, localizada em Serra Grande, BA
Figura 5- Visão da Estação Experimental IAC, localizada em Serra Grande, BA
 
Visão da Estação Experimental CTC, localizada em Camamú, BA
Figura 6- Visão da Estação Experimental CTC, localizada em Camamú, BA
 
2.     PROCESSOS PARA OBTENÇÃO DE VARIABILIDADE E SELEÇÃO.
 
 O melhoramento genético da cana-de-açúcar inicia-se com a obtenção de populações com ampla variabilidade genética. Isso pode ser obtido, convencionalmente, pelos seguintes tipos de hibridações:
a. Cruzamentos Bi-Parentais: cruzamento simples utilizando-se dois parentais conhecidos;
b. Policruzamentos: quando é utilizado um grupo de parentais selecionados, que é intercruzado. Nesse caso, conhece-se somente o parental feminino, de onde serão coletadas as panículas fecundadas por machos diversos.
No Brasil, a atividade de hibridação tem sido desenvolvida em áreas litorâneas da Bahia e Alagoas, que oferecem condições climáticas bastante favoráveis ao florescimento e à viabilidade dos grãos de pólen.
 O planejamento dos cruzamentos é realizado adotando-se como critérios principais:
        a. grau de endogamia entre parentais;
b. teor de açúcar;
c. produtividade agrícola;
d. resistência às principais doenças (carvão, mosaico, ferrugem, amarelinho e escaldadura);
e. capacidade de brotação da soqueira;
f. hábito ereto de crescimento da touceira dos genitores;
O grau de sucesso nessa etapa correlaciona-se com a qualidade da coleção de genótipos mantida para o fim de hibridação. Ela deve receber, de maneira contínua, germoplasma de diversas origens e, principalmente, conter uma estratégia para incorporação de indivíduos oriundos do processo de seleção recorrente, que tem como principal objetivo alterar a média populacional dos caracteres no sentido de uma melhor adequação aos interesses agrícolas (VENCOVSKY & BARRIGA, 1992). O conhecimento da herdabilidade dos caracteres de maior importância econômica, também tem um grau de grande importância na eficácia do processo seletivo.
Na cana-de-açúcar, o genótipo de cada planta pode ser transmitido integralmente através das gerações e multiplicados via clonagem através dos colmos (BRESSIANI, 2001).
Os componentes de produção determinantes para o potencial agrícola são:
a) altura de colmo (h);
b) número de perfilhos (C);
c) diâmetro de colmos (d).
Considerando a densidade do colmo igual a um, o valor de tonelada de cana/ha pode ser estimada pela fórmula: TCH = (0,007854 x d2 x h x C)/E;
 
 
2.1. FASES DE SELEÇÃO
 
2.1.1. SELEÇÕES INICIAIS
 
SELEÇÕES INICIAIS - fases de melhoramaneto
 
Após a obtenção das sementes, essas serão germinadas no “Núcleo de Produção de Seedlings”. Posteriormente, os “seedlings” produzidos serão distribuídos nas regiões com características edafoclimáticas distintas, abrangendo algumas das mais importantes áreas canavieiras do Centro-Sul do Brasil.
 Para avaliação das fases descritas, as características serão quantificadas pelas escalas conceituais. Essa escala conceitual é aplicada, principalmente, nas fases iniciais de seleção com intuito de aprimorar a percepção tácita do melhorista.
Na primeira fase de seleção FS1, instala-se o campo de “seedlings” com as plantas individualizadas em touceiras, adotando-se o espaçamento de 1,50m entre as linhas e 0,50m entre plantas. São realizadas observações ao longo dos ciclos de cana planta e soca, quantificando índices de doenças nas progênies. 
Na fase FS2, instala-se o campo de seleção com a multiplicação de duas linhas de três metros por clone (2 x 3). Nessa segunda fase é feita uma pré-avaliação utilizando-se das escalas conceituais para características morfológicas e condições fitossanitárias, além do Brix. Após a identificação dos melhores genótipos, é realizada a biometria, conforme a seguinte metodologia:
- altura do colmo: medido da base à inserção da folha +3, amostrando-se cinco colmos seguidos na linha;
- diâmetro do colmo: estimado nos mesmos cinco colmos, mensurado no meio do internódio na altura dada por um terço de comprimento do colmo;
- número de colmos: estimado com a contagem dos colmos de todas as linhas da parcela.
A fase FS3 consiste de um campo de seleção onde cada clone está numa parcela de oito linhas de cinco metros (8 x 5). Nessa fase são realizadas as mesmas avaliações da fase anterior e em épocas também semelhantes.
Concomitantemente, são mantidos os campos de seleção das fases FS2 e FS3, permitindo as observações, no mesmo período, dos parâmetros de produção e da longevidade de produção. A avaliação tecnológica é realizada coletando-se amostras na soca de FS2 em três épocas distintas para caracterizar a curva de maturação de cada genótipo.
 
O período, onde é realizado os cruzamentos, é chamado de “Campanha”, este período é anual, tendo início em meados de abril até meados de junho. O processo é composto por 10 etapas, as quais, seguem abaixo:
 
levantamento de flechas
1ª etapa: levantamento de flechas
 
leitura dos sexos em microscópio
2ª etapa: leitura dos sexos em microscópio
 
Planejamento dos cruzamentos
3ª etapa: Planejamento dos cruzamentos, são realizados de acordo com as flechas disponíveis, com o objetivo de unir as qualidades desejáveis de uma variedade.
 
retirada do material em campo
4ª etapa: retirada do material em campo
5ª etapa: transporte das inflorescências

transporte das inflorescências

transporte das inflorescências
transporte das inflorescências
6ª etapa: fecundação nas lanternas, nesta etapa que envolve os cruzamentos, é realizado a emasculação para maior viabilização dos poléns femininos. Neste processo, as inflorescências emasculadas são pintadas de amarelo, inflorescências masculinas de cor preta e inflorescências femininas diretas (não emasculadas) são vermelhas. As inflorescências abertas são retiradas e somente são mantidas as que permaneceram fechadas. Após a montagem dos cruzamentos, os materiais são mantidos em lanternas por aproximadamente 15 dias em solução nutritiva de ácido sulfúrico, nítrico e fosfórico, formulada comercialmente.
 
 
maturação dos poléns, permanecem no local por sete dias
7ª etapa: maturação dos poléns, permanecem no local por sete dias.
 
secagem do material, permanecem por dois dias, em local climatizado, temperatura de 30ºC com 35% de umidade.
8ª etapa: secagem do material, permanecem por dois dias, em local climatizado, temperatura de 30ºC com 35% de umidade.
 
beneficiamento, onde ocorre a separação e limpeza das sementes

beneficiamento, onde ocorre a separação e limpeza das sementes
9ª etapa: beneficiamento, onde ocorre a separação e limpeza das sementes.
 
distribuição dos materiais nas estações regionais
10ª etapa: distribuição dos materiais nas estações regionais. Em média um grama do material possui mil sementes de cana-de-açúcar.
 
O cruzamento multiparental é mais usual, quando o banco de germoplasma está em formação, enquanto o cruzamento biparental ocorre em maior quantidade, quando o banco de germoplasma é consolidado. No cruzamento o macho fica mais alto que a fêmea, pois o polén cai por gravidade.
Os poléns femininos representam bem características ligadas ao citoplasma, como por exemplo, as doenças, que são ligadas ao, assim canas com poléns femininos expressão bem as doenças, como é o caso da ferrugem.
 
Coleção dos materiais IAC
Coleção dos materiais IAC.
 
Coleção dos materiais CTC
Coleção dos materiais CTC
 
Equipe Canaoeste em visita a Estaçaõ Experimental IAC
Equipe Canaoeste em visita a Estaçaõ Experimental IAC

Variedades comerciais CTC
Variedades comerciais CTC
 
Equipe Canaoeste em visita a Estação Experimental CTC
Equipe Canaoeste em visita a Estação Experimental CTC
 
 
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BREMER, G. On the somatic chromosome numbers of sugarcane forms of endogenous cane. Proc. ISSCT 4: 30, 1932.
BRESSIANI, J.A. 2001. Seleção seqüencial em cana-de-açúcar. (tese doutorado), Piracicaba: ESALQ/USP, 133p.
EDGERTON, C.W. Sugarcane and its disease. Baton Rouge: Lousiana State University Press, 290 p., 1955.
LANDELL, M. G.de A.; SILVA, M. DE A. As estratégias de seleção da cana em desenvolvimento no Brasil. Piracicaba, ESALQ - USP, VISÃO AGRÍCOLA 1:18-23, 2004.
VENCOVSKY, R.; BARRIGA, P. Genética biométrica no fitomelhoramento. Ribeirão Preto: Revista Brasileira de Genética, 1992. 496p.