Indústria de Ribeirão Preto – SP acelera agenda de descarbonização para ampliar competitividade internacional
Iniciativas discutidas em eventos recentes na Fiesp conectam redução de emissões, eficiência produtiva e acesso a mercados globais
A indústria da região de Ribeirão Preto -SP vem intensificando a preparação para um cenário de exigências ambientais mais rigorosas e competição internacional ampliada. Em eventos recentes realizados pela Fiesp, em parceria com o Senai-SP e o Sebrae-SP, empresários, lideranças setoriais e especialistas discutiram como a redução de emissões de gases de efeito estufa pode se transformar em vetor de competitividade para micro, pequenas e médias indústrias.
A relevância do tema é ampliada pelo peso econômico do município, que figura entre os maiores polos industriais do interior paulista. Embora o comércio e os serviços tenham participação expressiva na economia local, a indústria mantém papel estratégico na geração de empregos e na inserção da região em cadeias produtivas mais complexas, o que reforça a necessidade de alinhamento às exigências ambientais globais.
Durante os debates, representantes da Fiesp destacaram que a concorrência industrial deixou de ser apenas regional ou nacional e passou a ser global. Nesse contexto, medir e reduzir a pegada de carbono tornou-se condição para preservar contratos, manter acesso a mercados externos e evitar exclusão de cadeias internacionais de valor, sobretudo diante de mecanismos de precificação de carbono adotados por grandes blocos econômicos.
Descarbonização como estratégia de negócio
Especialistas do Senai-SP ressaltaram que a descarbonização vai além do cumprimento regulatório e se consolida como um processo de eficiência operacional. A revisão de processos produtivos, a adoção de tecnologias mais limpas e o uso racional de energia e insumos tendem a reduzir custos, elevar produtividade e melhorar a percepção de risco por parte de investidores e instituições financeiras.
Nesse sentido, a chamada Jornada de Descarbonização foi apresentada como um modelo estruturado de apoio às empresas, com etapas que envolvem diagnóstico, mensuração de emissões, identificação de oportunidades de redução e implementação de soluções. Para micro e pequenas indústrias, o acesso gratuito ao programa foi apontado como um diferencial relevante para acelerar a transição para modelos de baixo carbono.
Casos empresariais compartilhados nos encontros indicaram que a resposta do mercado já começa a se materializar. Empresas que iniciaram o processo relatam maior engajamento interno, fortalecimento da governança e aumento das demandas por clientes atentos a critérios ambientais, sociais e de governança.
A visão estratégica foi reforçada por representantes do Sebrae-SP, que destacaram a importância de criar indicadores ambientais internos e, ao mesmo tempo, comunicar ao mercado os avanços obtidos. A sustentabilidade, segundo a avaliação, passou a influenciar decisões de consumo, parcerias comerciais e reputação corporativa.
Agenda climática e projeção internacional
O debate regional foi complementado por discussões mais amplas realizadas na Fiesp sobre os desdobramentos da COP30 para a indústria e o agronegócio brasileiros. Em reuniões conjuntas de conselhos da entidade, lideranças diplomáticas, empresariais e científicas destacaram que a conferência consolidou o protagonismo do Brasil na agenda climática ao combinar ambição ambiental com desenvolvimento econômico.
Entre os pontos enfatizados esteve a mobilização do setor privado como elemento central para a implementação das metas climáticas, além do avanço no debate sobre financiamento para países em desenvolvimento. A indústria foi apontada como agente-chave para transformar compromissos em investimentos, inovação tecnológica e novos modelos de negócio.
No campo agroindustrial, representantes da pesquisa destacaram o potencial de sistemas produtivos de baixo carbono e da bioeconomia como diferenciais competitivos do país. A integração entre indústria e agro foi apresentada como caminho para ampliar valor agregado, reduzir emissões e fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor sustentável.
Ao reunir discussões locais e globais, os encontros recentes na Fiesp sinalizam que a descarbonização deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ocupar posição central na estratégia industrial. Para polos como Ribeirão Preto, a agenda de baixo carbono se consolida como instrumento para garantir competitividade, atrair investimentos e assegurar protagonismo em um mercado cada vez mais orientado por critérios climáticos.
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