Açúcar segue pressionado e etanol mantém viés de alta no Centro-Sul
Oferta global mais ampla limita recuperação do adoçante enquanto menor disponibilidade sustenta preços do biocombustível
O mercado de açúcar atravessa o início de 2026 sob pressão, em um contexto de percepção de oferta global mais abundante que tem limitado a recuperação das cotações internacionais. No Centro-Sul do Brasil, a safra 2025/26 caminha para uma consolidação robusta, com moagem acumulada próxima de 592 milhões de toneladas até a segunda quinzena de novembro, ainda que ligeiramente abaixo do ciclo anterior. A perspectiva é de que o processamento total se aproxime de 610 milhões de toneladas até o encerramento da temporada, sustentado pela boa disponibilidade de matéria-prima na reta final.
Mesmo com recuo no ATR médio acumulado da safra, a produção de açúcar manteve ritmo consistente e alcançou cerca de 39,9 milhões de toneladas até novembro. O mix açucareiro segue acima do observado no ciclo anterior, reforçando a estimativa de uma produção próxima de 40,5 milhões de toneladas. No cenário internacional, o desempenho mais forte da safra indiana e o elevado ritmo de embarques do Centro-Sul contribuíram para reforçar o viés baixista de curto prazo nos preços do açúcar bruto negociado em Nova York, que fecharam o início de janeiro próximos às mínimas recentes.
Menor oferta e consumo resiliente dão suporte ao etanol
No mercado de etanol, o quadro é distinto. Os preços mantiveram trajetória de valorização ao longo do último mês, impulsionados por uma combinação de menor produção e consumo doméstico ainda firme. O indicador diário do Cepea aponta que o etanol hidratado líquido ao produtor registrou alta mensal e atingiu patamar próximo a R$ 3,12 por litro, refletindo um balanço de oferta e demanda mais ajustado no terço final da safra.
A perda de competitividade do açúcar ao longo da temporada reforçou o direcionamento do mix para o etanol, estratégia adotada pelas usinas para defesa de margens. Mesmo com vendas ligeiramente inferiores às do mesmo período do ciclo anterior, o pano de fundo de consumo segue positivo, apoiado pela expansão da frota e pelo avanço do mercado de veículos do ciclo Otto. O resultado é um ambiente de estoques mais curtos, que mantém o mercado sensível à demanda e sustenta o viés altista dos preços do biocombustível, conforme análise apresentada no boletim mensal de commodities da FG/A.
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