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Clima, custos e mercado de energia moldam decisões da cana no início de 2026

canavieiro

Relatório do banco mostra como chuvas, fertilizantes e a relação açúcar etanol influenciam o planejamento do produtor

O início de 2026 impõe ao produtor de cana um ambiente marcado por variáveis que se conectam diretamente ao resultado econômico da safra. A combinação entre clima favorável, custos de insumos mais estáveis e sinais mistos nos mercados de açúcar e etanol define um cenário que exige atenção redobrada ao planejamento agrícola e industrial. As informações constam do Agro Mensal do Itaú BBA de janeiro de 2026, que reforça o peso dessas variáveis na tomada de decisão ao longo do ano.

As condições climáticas registradas entre dezembro e a primeira quinzena de janeiro foram, em linhas gerais, positivas para o desenvolvimento da cana-de-açúcar. Segundo o relatório, os acumulados de chuva superaram 150 milímetros em grande parte do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, assegurando reposição hídrica do solo em um momento relevante para a manutenção do vigor das lavouras.

No Sudeste, região-chave para a produção canavieira, as chuvas contribuíram para o desenvolvimento vegetativo da cana, embora tenham ocorrido abaixo da média histórica em alguns pontos e acompanhadas por temperaturas elevadas no fim de dezembro e início de janeiro. Ainda assim, o balanço hídrico é considerado positivo pelo banco.

O ponto de atenção está no excesso de umidade observado nas primeiras semanas de janeiro. Conforme a análise do banco, a persistência das chuvas começou a dificultar a entrada de máquinas no campo, afetando o ritmo de colheita de culturas de verão e acendendo alerta para operações agrícolas mecanizadas. Para a cana, o risco está menos na produtividade e mais na eficiência operacional, com impactos sobre preparo de área, tratos culturais e planejamento de colheita ao longo do ciclo.

Fertilizantes entram em 2026 com preços mais previsíveis

Do lado dos custos, o mercado de fertilizantes apresenta um alívio relativo após o forte ajuste ocorrido em 2025. De acordo com o Agro Mensal, a ureia voltou a subir no início de janeiro, alcançando USD 412 por tonelada nos portos brasileiros, após ter recuado para USD 395 por tonelada em dezembro. Já os fosfatados e potássicos permanecem praticamente estáveis, com o MAP negociado a USD 640 por tonelada e o KCl em torno de USD 360 por tonelada.

O relatório chama atenção para uma mudança estrutural nas importações de nitrogenados. Em 2025, o Brasil importou 7,8 milhões de toneladas de sulfato de amônio, superando pela primeira vez as 7,7 milhões de toneladas de ureia. Ao ponderar os volumes pela concentração de nitrogênio, o banco estima que o país importou 5,1 milhões de toneladas de N, crescimento de 1,4% na comparação anual, indicando que não houve redução efetiva no suprimento do nutriente.

Para o produtor de cana, esse cenário sugere maior previsibilidade de custos no curto prazo, ainda que o banco ressalte que o mercado segue sensível a fatores externos, como eventos geopolíticos e oscilações na oferta global de nutrientes.

Açúcar opera em patamar mais baixo, com foco no Brasil e na Índia

No mercado de açúcar, os preços seguem pressionados. Em dezembro, o contrato do açúcar bruto nº 11 em Nova York recuou 1,3%, encerrando o mês a 15,01 centavos de dólar por libra. No acumulado de 2025, a queda foi de 22%. No mercado interno, o açúcar cristal em Ribeirão Preto – SP acumulou desvalorização de 32% no ano passado, refletindo a combinação entre preços internacionais mais baixos e valorização cambial.

Segundo o banco, o mercado global permanece superavitário, com excedente estimado em 2,6 milhões de toneladas. As atenções se concentram no Brasil e na Índia. Na região Nordeste do Brasil, a safra 2025/26 segue mais fraca. Até 15 de dezembro, a moagem somava 36,6 milhões de toneladas de cana, queda de 8,5% na comparação anual, enquanto a produção de açúcar recuou 22%, para 1,95 milhão de toneladas. O mix açucareiro caiu para 43%, ante 48% um ano antes.

Na Índia, a produção de açúcar atingiu 11,8 milhões de toneladas até o fim de dezembro, alta de 24% na comparação anual. Apesar disso, apenas 250 mil toneladas foram exportadas até o momento, frente a uma cota liberada de 1,5 milhão de toneladas, já que os preços internos seguem acima da paridade de exportação.

Etanol sobe com entressafra e imposto, apesar da queda do petróleo

O mercado de etanol iniciou 2026 em trajetória de alta, mesmo diante da queda das cotações internacionais do petróleo. Conforme o relatório, a entressafra da cana mantém a oferta restrita no curto prazo, enquanto o aumento do ICMS da gasolina C, de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro a partir de janeiro, reforçou a competitividade do biocombustível.

Segundo a análise do banco, esse reajuste tributário abre espaço para um aumento potencial de cerca de R$ 0,07 por litro no preço do etanol na bomba para que a paridade com a gasolina seja mantida. Ao mesmo tempo, a gasolina internacional convertida em reais estava em R$ 2,53 por litro em 9 de janeiro, abaixo dos R$ 2,73 praticados pela Petrobras em Paulínia – SP, indicando risco de ajuste nos preços domésticos do combustível fóssil.

Apesar desse risco, o banco avalia que o balanço de oferta e demanda do etanol segue bastante apertado nos próximos meses, o que tende a sustentar os preços até o início da próxima safra de cana-de-açúcar. Para o produtor, a atratividade do etanol permanece como um dos principais fatores de influência sobre o mix industrial em 2026.

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