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Conversão de biomas à agropecuária retirou 1,4 bilhão de toneladas de carbono do solo

Perda equivale a 5,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente

O Brasil perdeu cerca de 1,4 bilhão de toneladas de carbono do solo com a conversão de áreas naturais em agricultura ao longo das últimas décadas. O volume corresponde à emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo estimativa de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e da Embrapa Agricultura Digital. As informações foram divulgadas pela Agência FAPESP.

O cálculo tem como base dados reunidos nos últimos 30 anos e integra estudo publicado na Nature Communications. O trabalho também contou com a participação da Universidade Estadual de Ponta Grossa e foi conduzido no âmbito do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical, sediado na Esalq e coordenado por Carlos Eduardo Pellegrino Cerri.

Segundo João Marcos Villela, primeiro autor do estudo e pesquisador da Esalq apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o objetivo foi dimensionar a dívida de carbono dos solos brasileiros. “Além de chegar a esse número geral, calculamos quanto cada bioma acumula e quanto perde de carbono quando uma área natural é convertida em agricultura, além de quais práticas conservam mais ou menos carbono no solo”, disse o pesquisador em entrevista à Agência FAPESP.

Base de dados inédita e diferenças entre biomas

As estimativas resultam da análise do maior banco de dados já organizado sobre carbono do solo no país, com 4.290 registros extraídos de 372 estudos científicos publicados nas últimas três décadas. Foram avaliados todos os biomas brasileiros, tanto em áreas de vegetação nativa quanto em áreas agrícolas, considerando profundidades de até 100 centímetros.

Na vegetação natural, a Mata Atlântica apresentou os maiores estoques de carbono do solo, enquanto Caatinga e Pantanal registraram os menores valores. Na camada superficial de 0 a 10 centímetros, os estoques da Mata Atlântica foram 86% superiores aos da Caatinga e 36% maiores que os do Cerrado. Em áreas agrícolas, o bioma também superou Pantanal e Caatinga em 154% e 62%, respectivamente.

A conversão de vegetação nativa em monocultura implica perdas expressivas. Na Mata Atlântica, essa transição reduz em 33% o carbono do solo. No Cerrado, a queda estimada é de 15,8%.

Práticas sustentáveis e metas climáticas

Os pesquisadores também avaliaram o potencial de recomposição do carbono por meio de práticas conservacionistas. No Cerrado, a migração da monocultura para sistemas integrados pode elevar em 15,3% o carbono estocado. Na Amazônia, a adoção de rotação de culturas ou consórcios agrícolas pode gerar incremento potencial de 14,1%.

“Estes são potenciais teóricos, que ainda dependem de mais estudos para sabermos se podem se concretizar ou não. No entanto, agora temos uma base que nos dá boas perspectivas para aplicação em políticas públicas e no mercado de créditos de carbono”, afirmou Villela à Agência FAPESP.

A estimativa do grupo indica que a recarbonização de aproximadamente um terço da área agrícola brasileira seria suficiente para permitir que o país cumpra a Contribuição Nacionalmente Determinada prevista no Acordo de Paris, que estabelece redução de 59% a 67% das emissões até 2035 em relação a 2005. Técnicas como rotação de culturas, plantio direto, integração lavoura pecuária floresta e recuperação de pastagens degradadas são apontadas como caminhos viáveis.

Para converter o carbono estocado em equivalente de CO2, os pesquisadores utilizaram a métrica internacional que multiplica o carbono por 3,66, permitindo padronizar diferentes gases de efeito estufa.

Os resultados devem subsidiar políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à agricultura sustentável e ao mercado de créditos de carbono, além de orientar projetos de monitoramento como o Carbon Countdown, iniciativa lançada por empresas do setor de energia para ampliar a base de dados sobre estoques de carbono no Brasil.

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