Pressão por custos exige cautela com manejo da cana, diz Pecege
Produtividade deve crescer na safra, mas setor já prepara orçamento mais enxuto
A redução de custos deve ganhar espaço no planejamento das usinas para a próxima safra, diante de um cenário de margens mais apertadas. Para João Rosa (Botão), diretor do Pecege, o desafio será definir onde cortar sem comprometer o desempenho do canavial. A avaliação foi apresentada na quinta-feira (17), em Ribeirão Preto – SP, durante a 2ª edição do Sphenophorus Summit, promovida pela Syngenta.
Na safra 2025/26, o custo operacional médio da cana ficou em R$ 177 por tonelada, ou R$ 1,3543 por quilo de ATR. Desse total, 51% vieram das operações, 26% dos insumos, 17% dos arrendamentos e 6% de outros custos.
Inseticidas representam 2,3% do custo
Os inseticidas representam 2,3% do custo operacional da cana-de-açúcar, ante 10,7% dos fertilizantes e 4,6% dos herbicidas. Apesar da participação relativamente pequena, esse é um dos itens que entram na discussão quando o orçamento é reduzido.
Botão chamou a atenção para o risco dessa decisão ao citar o Sphenophorus levis entre os problemas que comprometem a produtividade dos canaviais. A redução do controle pode ampliar as perdas e trazer reflexos para as safras seguintes. “Você acha que o teu problema está no manejo de inseticida? É aí que você vai trabalhar?”, questionou.
Como alternativa, o diretor apontou ganhos de eficiência nas operações agrícolas. Na colheita, por exemplo, as máquinas registram, em média, dez horas de corte por dia, enquanto operações mais eficientes chegam a 14, 15 ou 16 horas.
Produtividade está 10% acima da safra passada
A produtividade acumulada até meados de setembro chegou a cerca de 90 toneladas de cana por hectare, aproximadamente 10% acima do mesmo período de 2025/26. Para o fechamento de 2026/27, o Pecege estima média de 79,32 toneladas por hectare, avanço de 6,57%.
Com área colhida projetada em 8,254 milhões de hectares, alta de 0,52%, a moagem do Centro-Sul pode alcançar 640,7 milhões de toneladas.
A produção de açúcar é estimada em 38,88 milhões de toneladas, queda de 3,84%, enquanto a de etanol de cana pode chegar a 27,01 bilhões de litros, crescimento de 10,11%. O ATR médio é projetado em 135,46 quilos por tonelada, recuo de 1,69%.
Parte da cana pode ficar no campo
O avanço da produtividade, porém, não significa que todo o volume disponível será processado. As chuvas favoreceram o desenvolvimento dos canaviais, mas também dificultaram a colheita em algumas regiões do Centro-Sul.
Na base de clientes acompanhada pelo Pecege, entre 11 milhões e 12 milhões de toneladas já haviam sido identificadas com possibilidade de permanecer no campo. “Não seria um chute, ou talvez uma coisa muito absurda, a gente falar aí de umas 25, 30 milhões de toneladas que podem ser bisadas”, afirmou. Com o atraso, a moagem pode avançar além do período tradicional de encerramento. Segundo Botão, algumas unidades já avaliam operar até próximo do Natal, enquanto outras podem antecipar o início da próxima safra. Há ainda usinas que consideram emendar as duas temporadas.
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