Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Avanço do etanol de milho coloca demanda no centro das decisões

Oferta cresce rapidamente e amplia desafios para sustentar o mercado

A expansão do etanol de milho deve levar a produção brasileira a cerca de 22 bilhões de litros até a safra 2030/31, mais que o dobro do volume atual. Com novas unidades e ampliações previstas, o crescimento desloca parte das preocupações da indústria para a capacidade de absorver essa oferta, além de aumentar a atenção sobre custos, eficiência operacional e disponibilidade de biomassa.

A avaliação foi apresentada por Guilherme Theodoro, gerente de crédito de agronegócio do Itaú BBA, durante a 9ª Conferência NovaCana, realizada nos dias 28 e 29 de setembro, em São Paulo. Para o executivo, o avanço do mercado já é uma realidade, mas a próxima etapa exigirá disciplina financeira e planejamento para enfrentar os ciclos de preços.

Os números mostram a velocidade dessa transformação. A oferta brasileira de etanol de milho passou de 500 milhões de litros em 2017/18 para 9,9 bilhões em 2025/26 e deve alcançar 11,7 bilhões em 2026/27. No Centro-Sul, a participação do produto na oferta de etanol chegou a 27%, ante apenas 2% em 2017/18.

Indústria ganha escala e avança para novos estados

O Itaú BBA projeta 65 plantas de etanol de milho em 2030/31, distribuídas por 15 Estados. Atualmente, o setor reúne 37 usinas em operação e está presente em 11 Estados. A capacidade instalada deve alcançar cerca de 23 bilhões de litros, com moagem projetada de 51 milhões de toneladas de milho por ano. Convertido em cana equivalente, esse volume representaria mais de 280 milhões de toneladas adicionais de cana-de-açúcar.

Mato Grosso concentra a maior parcela da expansão. O levantamento do banco indica que a moagem de milho no Estado pode avançar de 16,7 milhões para 25,7 milhões de toneladas por ano, enquanto a capacidade de produção de etanol passaria de 7,2 bilhões para 11 bilhões de litros. Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, somados, podem alcançar capacidade de 1,7 bilhão de litros, enquanto os demais Estados chegariam a 9,2 bilhões.

A estrutura da indústria também difere da observada no setor de cana. Considerando a capacidade futura mapeada pelo banco, os dois maiores grupos de etanol de milho respondem por 51%, os cinco maiores por 65% e os dez primeiros por 76%. Na indústria de cana do Centro-Sul, os índices são de 16%, 27% e 38%, respectivamente.

Parte dos investimentos previstos ocorre em unidades que já estão em funcionamento. Na avaliação de Theodoro, esse perfil reduz riscos em comparação com projetos que partem do zero. A cautela está nas premissas financeiras usadas para justificar novos aportes, sobretudo quando consideram preços elevados e constantes para um negócio exposto à volatilidade agrícola.

Oferta cresce mais rápido e aumenta desafio da demanda

A velocidade dos investimentos muda o foco das discussões. O Itaú BBA estima que o E32 acrescente 1,3 bilhão de litros à demanda, enquanto somente o etanol de milho pode adicionar 7 bilhões de litros à oferta até 2028. No médio e longo prazo, o banco aponta alternativas como maior participação do etanol no ciclo Otto, misturas internacionais, biobunker, SAF e utilização do combustível em máquinas agrícolas.

A expansão ocorreu mais rapidamente do que se imaginava há poucos anos. Segundo Theodoro, em 2022 havia estimativas de que a produção de etanol de milho chegaria a 10 bilhões de litros somente em 2030, marca alcançada cerca de cinco anos antes do previsto. Mesmo após períodos de queda nas cotações, os investimentos continuaram avançando.

O executivo também colocou a comunicação entre as frentes necessárias para estimular o consumo. Uma simulação do Itaú BBA indica que, se o setor sucroenergético do Centro-Sul destinasse em média 0,7% da receita líquida ao marketing, o investimento alcançaria aproximadamente R$ 1 bilhão por safra, equivalente a cerca de R$ 1,60 por tonelada de cana moída.

Milho sustenta crescimento e biomassa pressiona custos

A disponibilidade do cereal, por enquanto, não aparece como principal restrição. Para 2026/27, o Itaú BBA estima produção brasileira de milho de 142,5 milhões de toneladas, diante de consumo de 112,5 milhões. A indústria de etanol responderia por 37,7 milhões de toneladas, ante 27,7 milhões em 2025/26 e 13,4 milhões em 2022/23. As exportações são projetadas em 36 milhões de toneladas.

A pressão maior aparece na energia necessária para manter as unidades em operação. A capacidade instalada de etanol de milho pode passar de 10,9 bilhões para 22,7 bilhões de litros entre 2025/26 e 2030. Em um cenário no qual toda essa necessidade fosse atendida por eucalipto, seriam necessários aproximadamente 730 mil hectares adicionais.

Em Mato Grosso, a necessidade seria de 360 mil hectares adicionais de eucalipto. A área plantada no Estado é de cerca de 165 mil hectares, segundo dado do Imea apresentado pelo banco. Para atender à expansão projetada, o investimento superaria R$ 7 bilhões.

O impacto da biomassa já aparece na estrutura das plantas. Ela responde por aproximadamente 15% dos custos, enquanto o milho representa 75% e os demais itens, 10%.

Coprodutos ajudam a compor receita das usinas

Do lado da receita, o etanol representa aproximadamente 75% do faturamento de uma planta full de milho. DDG e WDG respondem por 15%, enquanto óleo de milho e outras receitas somam os 10% restantes. A diversificação ganha importância diante das oscilações do preço do combustível.

Na comparação apresentada pelo Itaú BBA, o custo caixa médio é de cerca de R$ 1,80 por litro no milho, ante R$ 2,30 por litro na cana-de-açúcar. A conta considera ainda receitas de coprodutos, despesas de manutenção e diferenças na estrutura tributária. Theodoro ponderou que os benefícios fiscais hoje concedidos ao segmento de milho influenciam essa diferença.

O DDG também pode enfrentar maior competição com o farelo de soja à medida que novas plantas de biodiesel ampliarem a disponibilidade desse produto. Para o gerente, esse cenário torna ainda mais importante olhar para as diferentes fontes de receita das unidades.

“Não falamos mais só de etanol. Tem que ter o etanol, tem que ter o DDG e tem que ter o óleo também”, ressaltou.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *