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Chuvas limitam moagem e sustentam alta do açúcar e do etanol

Itaú BBA aponta restrições na oferta e vê clima e tributos no centro das atenções

As chuvas que atingiram o Centro-Sul do Brasil nas últimas semanas reduziram o ritmo de moagem da cana-de-açúcar e contribuíram para a valorização do açúcar e do etanol. O movimento ocorre em um período de maior preocupação com a oferta internacional de açúcar e de mudanças tributárias que afetam o mercado brasileiro de combustíveis.

A avaliação consta da edição de outubro do relatório Agro Mensal, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O banco observa que o avanço do El Niño tem provocado diferenças na distribuição das precipitações, com maior frequência de chuvas no Sul e irregularidade no Centro-Oeste. Para a cana, a recuperação da umidade do solo favorece o desenvolvimento dos canaviais, mas dificulta as operações de colheita.

Na primeira quinzena de setembro, a moagem no Centro-Sul somou 30,2 milhões de toneladas, volume próximo ao mínimo histórico de 29,7 milhões registrado no mesmo período de 2015, também marcado por um El Niño intenso. Usinas paulistas relataram perdas de oito a dez dias de processamento devido às chuvas. A produção de açúcar ficou em 2,1 milhões de toneladas, o menor resultado para a quinzena em sete anos.

Oferta internacional reforça valorização do açúcar

As restrições no Brasil coincidem com perspectivas de menor produção em importantes origens. Na Europa, a estimativa de produtividade agrícola foi reduzida de 77,7 para 67,4 toneladas por hectare após episódios de calor intenso e seca. Com isso, o Itaú BBA revisou sua projeção de produção de açúcar no bloco de 13 milhões para 12,6 milhões de toneladas.

Na Índia, os estoques encerraram setembro em 3,8 milhões de toneladas, o menor nível em mais de uma década, conforme dados da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (ISMA). O Itaú BBA estima produção de 29 milhões de toneladas na safra 2026/27, próxima das 29,5 milhões projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Esse cenário, associado ao aumento das posições compradas dos fundos de investimento, impulsionou as cotações internacionais. Em Nova York, o contrato de março de 2027 superou 21 centavos de dólar por libra-peso, após registrar média de 17,91 centavos em setembro.

A valorização dos contratos futuros, entretanto, não foi acompanhada pelo mercado físico. O açúcar embarcado pelo porto de Santos apresentou desconto médio de 42 pontos em setembro, enquanto as exportações brasileiras recuaram 17% em relação ao mesmo mês de 2025. Na China, as importações acumuladas até agosto caíram 14%, para 2,3 milhões de toneladas.

Para a safra brasileira 2027/28, o banco considera possível uma moagem próxima ao recorde de 654 milhões de toneladas registrado em 2023/24. A projeção ainda depende do desempenho climático e do volume de cana remanescente do ciclo atual, estimado entre 19 milhões e 50 milhões de toneladas.

Etanol mantém competitividade em meio a mudanças tributárias

No mercado de etanol, a menor disponibilidade de cana para processamento e a demanda doméstica têm sustentado os preços. Na semana encerrada em 9 de outubro, o hidratado comercializado pelas usinas paulistas alcançou R$ 2,64 por litro, patamar semelhante ao observado no início da safra. A paridade média com a gasolina em São Paulo ficou em 60,7%.

Apesar da valorização, o Itaú BBA avalia que o crescimento do consumo dependerá de maior participação do etanol nas escolhas dos proprietários de veículos flex. Atualmente, o combustível responde por 32% do consumo dessa frota, segundo o relatório.

No curto prazo, a principal incerteza está na política tributária. Entre as medidas recentes estão a flexibilização das condições para concessão da subvenção ao etanol hidratado, a definição da metodologia de cálculo do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e a desoneração federal da gasolina.

A isenção dos tributos federais sobre a gasolina, prevista até 9 de novembro, também pode abrir espaço para reajustes nas refinarias. O banco estima defasagem de R$ 0,60 por litro no preço da gasolina A, ante R$ 1,25 por litro no fim de setembro. O efeito de uma eventual alta ao consumidor seria parcialmente compensado pela redução tributária.

No mercado internacional, o relatório destaca o avanço regulatório da Califórnia para permitir a comercialização da gasolina com 15% de etanol, o E15. A medida tem potencial para acrescentar 2,5 bilhões de litros à demanda pelo biocombustível. Na Indonésia, o governo trabalha para ampliar gradualmente a mistura, com objetivo de alcançar 50% em 2028.

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