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Crescimento sustentado no curto prazo convive com incertezas fiscais no horizonte eleitoral

calculadora e caneta

Relatório da XP Investimentos aponta reformas de despesas como fator decisivo a partir de 2027

O crescimento da economia brasileira deve permanecer próximo ao potencial no curto prazo, sustentado por um mercado de trabalho ainda aquecido e por impulsos fiscais, segundo relatório mensal da XP Investimentos. A avaliação é de que o cenário mais benigno nos próximos trimestres contrasta com um ambiente de maior incerteza a partir de 2027, quando o ajuste fiscal tende a ganhar protagonismo.

No plano internacional, o documento destaca que o ambiente global segue instável, com atenção voltada aos desdobramentos da atuação dos Estados Unidos na Venezuela e à escolha do novo presidente do Federal Reserve. Apesar disso, os mercados financeiros não registraram mudanças relevantes de preços recentemente, sinalizando uma postura mais cautelosa dos investidores.

O cenário político doméstico também deve influenciar as decisões econômicas ao longo de 2026. As eleições presidenciais de outubro tendem a concentrar o debate em Brasília, enquanto o aumento das tensões na América Latina adiciona um elemento extra de risco ao contexto regional.

Ajuste fiscal e política monetária ganham peso no médio prazo

A XP projeta expansão do Produto Interno Bruto de 2,3% em 2025 e de 1,7% em 2026. Para 2027, no entanto, a expectativa é de desaceleração, com crescimento de 1,2%, refletindo incertezas políticas, medidas de ajuste fiscal e condições financeiras ainda restritivas.

Segundo o relatório, o governo deve conseguir cumprir as metas de resultado primário em 2026 e 2027 com apoio de novas receitas. Ainda assim, reformas estruturais do lado das despesas serão determinantes para garantir a sustentabilidade do arcabouço fiscal e conter a trajetória da dívida pública a partir do próximo ciclo presidencial.

A projeção de inflação para 2026 foi revisada para 4,0%, ante 4,2%, em função de preços ao atacado mais comportados e da queda nas cotações do petróleo. Para 2027, a inflação também é estimada em 4,0%, em um ambiente de expectativas de médio prazo ainda desancoradas.

No setor externo, a provável reaceleração da atividade em 2026 e os preços mais baixos das commodities devem manter o déficit em conta corrente elevado, próximo de 3,0% do PIB. Em 2027, a demanda interna mais fraca tende a moderar as importações, reduzindo o déficit para 2,4%.

O relatório avalia que o prêmio de risco elevado e o desequilíbrio externo limitam uma apreciação mais consistente do real. A taxa de câmbio é projetada em 5,60 reais por dólar em 2026 e em 5,80 em 2027. Na política monetária, a expectativa é de início de um ciclo de cortes da taxa Selic em março, com cinco reduções de 0,50 ponto percentual, levando a taxa para 12,50%, seguidas por uma pausa. Em um cenário de ajuste fiscal insuficiente após as eleições, o espaço para novos cortes seria restrito, com a Selic estimada em 11,00% ao final de 2027.

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