Demanda por combustíveis leves cresce com cautela e mantém trajetória recorde até 2026
Projeções indicam avanço sustentado do Ciclo Otto apesar de juros elevados e desaceleração econômica prevista
As restrições macroeconômicas seguem como fator de contenção ao consumo de combustíveis leves no país. Juros elevados e inflação ainda pressionam o orçamento das famílias, limitando a expansão da demanda. Por outro lado, o mercado de trabalho aquecido sustenta a renda disponível e tem evitado uma retração mais intensa do consumo, especialmente no Ciclo Otto, cujo desempenho tende a permanecer positivo até o fim do ano, período tradicionalmente marcado por maior uso de veículos leves.
Com a convergência dos indicadores econômicos às estimativas anteriores, a StoneX projeta crescimento de 2% na demanda por combustíveis do Ciclo Otto em 2025, para 60,8 milhões de metros cúbicos. Para 2026, o cenário incorpora inflação mais baixa e expectativa de redução gradual dos juros, mas também uma desaceleração da atividade econômica, o que limita o ritmo de expansão do consumo. Ainda assim, a projeção aponta avanço de 1,5%, com a demanda alcançando 61,7 milhões de metros cúbicos, novo recorde histórico, embora com crescimento mais moderado.
Etanol ganha espaço no mix e sustenta avanço do Ciclo Otto
Um dos vetores relevantes para 2026 será a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda a partir de janeiro, medida que tende a beneficiar cerca de 15 milhões de pessoas e reforçar o orçamento familiar. O impacto esperado é o estímulo ao uso do transporte individual e, consequentemente, à demanda por combustíveis leves. Nesse contexto, o consumo de etanol hidratado deve se recuperar, superando os níveis de 2024, enquanto as vendas de gasolina C tendem a se estabilizar.
Para 2026, a StoneX estima que o etanol hidratado responda por cerca de 29% do consumo do Ciclo Otto, com demanda aproximada de 21,6 bilhões de litros ao longo do ano. Já a gasolina C deve registrar crescimento mais contido, de 0,6%, com demanda projetada em 46,5 bilhões de litros, reduzindo levemente sua participação no mix total.
Em 2025, a consultoria manteve a estimativa de 60,8 bilhões de litros de consumo no Ciclo Otto, confirmando a leitura de estabilidade dos fundamentos do mercado de combustíveis leves. A principal revisão ocorreu no desempenho do etanol hidratado, cuja retração esperada foi ajustada para 4%, ante estimativa anterior mais intensa. No agregado nacional, a demanda pelo biocombustível deve recuar para 20,8 bilhões de litros em 2025, mas com maior resiliência no Centro-Sul, onde sua participação tende a permanecer próxima de 28,6%.
A gasolina C, por sua vez, segue em trajetória de recuperação ao longo de 2025, com crescimento estimado de 4,1% e demanda de 46,2 milhões de metros cúbicos. O avanço, no entanto, deve ser parcialmente limitado pelo melhor desempenho relativo do etanol nas regiões produtoras e consumidoras do Centro-Sul, enquanto no Norte e Nordeste o consumo de gasolina acompanha a expansão do Ciclo Otto regional.
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