Diesel mais caro eleva frete e pressiona agronegócio
Custos logísticos sobem e ameaçam margem de produtores
O avanço do preço do diesel, em meio a tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio, intensifica a pressão sobre os custos logísticos no Brasil e acende um alerta no agronegócio. Dependente do transporte rodoviário, o setor já sente os efeitos sobre o frete, componente relevante na formação de preços das commodities agrícolas.
De acordo com o professor e consultor José Vicente Caixeta Filho, diretor da cAIxeta Inteligência Logística, o impacto é estrutural. A produção brasileira supera 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e 300 milhões de toneladas de grãos por ano, movimentando cerca de R$ 1 trilhão. Nesse contexto, o custo com transporte ultrapassa R$ 100 bilhões anuais, equivalente a aproximadamente 10% da receita do setor.
No caso da soja, principal item da pauta exportadora, o frete pode representar de 5% a 30% do valor da carga, a depender da origem e do período. As longas distâncias, frequentemente superiores a mil quilômetros, ampliam a sensibilidade aos preços dos combustíveis e reforçam a dependência do modal rodoviário.
Dependência do transporte rodoviário amplia impacto
Apesar de avanços pontuais em alternativas logísticas, como o uso de hidrovias na região Norte, com destaque para a bacia do rio Tapajós e os portos do Arco Norte, a predominância do transporte por caminhões mantém os custos elevados e expostos à volatilidade do diesel.
Segundo Caixeta, o frete já exerce pressão significativa sobre produtos de baixo valor agregado, como grãos e açúcar. Com a alta recente do combustível, o cenário se agrava e compromete a rentabilidade ao longo da cadeia. “Quando o diesel sobe, o impacto é direto e imediato no custo final das commodities”, afirma.
O especialista também chama atenção para o risco financeiro no segmento de transporte. Muitos operadores enfrentam dificuldade para recompor margens, mesmo diante de ajustes tributários pontuais. “Há prestadores de serviço que já não conseguem fechar a conta, o que pode comprometer a oferta de transporte”, diz.
Para o consultor, o cenário reforça a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura e diversificar a matriz de transporte. O ganho de eficiência logística, com maior participação de modais mais competitivos, é apontado como caminho para reduzir custos e mitigar a exposição a choques no preço do diesel.
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