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Dólar e juros pressionam mercados em meio a tensões internacionais

Banco do Brasil aponta riscos externos e acompanha indicadores fiscais e industriais

O fortalecimento do dólar, a alta dos juros dos títulos públicos americanos e as tensões geopolíticas no Oriente Médio marcaram a avaliação dos mercados apresentada pelo Banco do Brasil no relatório Conexão Mercado, na última semana. A instituição projetava um ambiente de maior cautela entre os investidores, com pressão sobre as bolsas e reflexos sobre os ativos brasileiros.

Na avaliação do banco, a perspectiva de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos, combinada à valorização do petróleo, limitava o apetite por risco. Para o mercado doméstico, a expectativa era de avanço do dólar frente ao real, elevação das taxas de juros nos prazos mais longos e desempenho negativo do Ibovespa.

O movimento internacional também refletia as incertezas sobre o abastecimento de petróleo e derivados. As negociações para a reabertura plena do Estreito de Ormuz permaneciam sem acordo, enquanto o governo americano discutia possíveis restrições às exportações de diesel. Refinarias chinesas também haviam suspendido suas vendas externas, acrescentando pressão ao mercado de combustíveis.

Juros americanos sustentam valorização do dólar

Nos Estados Unidos, dirigentes do Federal Reserve (Fed), banco central americano, reforçaram a preocupação com a inflação e defenderam cautela na condução da política monetária. Neel Kashkari manteve a expectativa de novas elevações dos juros em 2026 e 2027, apesar da divulgação de indicadores de preços abaixo das projeções.

O núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), uma das principais referências utilizadas pelo Fed, avançou 0,2% em agosto e acumulou alta de 3% em 12 meses. O resultado ficou abaixo das expectativas, mas outros indicadores continuavam apontando resistência da atividade econômica americana.

Os gastos pessoais cresceram 0,9%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre foi revisado para expansão de 2,2%. No mercado de trabalho, o levantamento da ADP registrou a criação de 90 mil vagas no setor privado em setembro, acima do consenso dos analistas.

Diante desse cenário, os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro americano atingiram os maiores níveis desde 2002. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, alcançou o maior patamar em quase 18 meses, enquanto o euro recuou ao menor nível em 16 meses.

Contas públicas brasileiras apresentam melhora em agosto

No Brasil, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, abaixo dos R$ 17,3 bilhões observados no mesmo mês de 2025. O resultado também foi melhor que a mediana das projeções do mercado, segundo os dados apresentados pelo Banco do Brasil.

O Governo Central respondeu por um saldo negativo de R$ 14,7 bilhões, parcialmente compensado pelos superávits de R$ 2,7 bilhões dos governos regionais e de R$ 2 bilhões das empresas estatais. No acumulado de 12 meses, o déficit primário chegou a R$ 82,1 bilhões, equivalente a 0,62% do PIB, ante 0,67% em julho.

Na indústria, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) avançou 0,36% em agosto, após recuo de 0,83% em julho. A variação interrompeu uma sequência de três meses de queda e levou a inflação ao produtor a acumular 3,47% no ano e 2,53% em 12 meses.

O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 0,9 ponto em setembro, para 110,8 pontos. Apesar da redução, permaneceu em nível historicamente elevado, sinalizando a persistência de dúvidas sobre as condições econômicas.

Negociações comerciais com os EUA entram no radar

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também apareceram entre os fatores acompanhados pelo mercado. Após reunião entre representantes dos dois países, o governo brasileiro informou que a administração de Donald Trump deveria apresentar uma proposta formal para negociar as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

O avanço das tratativas foi interpretado como um sinal de disposição para buscar uma solução negociada. A possibilidade de revisão das medidas comerciais poderia reduzir parte das incertezas enfrentadas pelas empresas que mantêm operações de exportação para o mercado americano.

Na agenda doméstica, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da FGV, apresentou alta de 0,67% em setembro, ante 0,52% na leitura anterior. Alimentação e habitação estiveram entre os grupos responsáveis pela aceleração.

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