IA avança no agro paulista e amplia eficiência produtiva
Tecnologia reduz perdas, melhora decisões e acelera inovação
A inteligência artificial vem ganhando espaço no agronegócio paulista e se consolida como ferramenta relevante para elevar a eficiência produtiva. O uso da tecnologia já permite, por exemplo, reduzir perdas pós-colheita em até 30% e ampliar a rentabilidade das operações. Levantamento da 29ª Global CEO Survey, da PwC, aponta que 33% das empresas do setor registraram aumento significativo de receita diretamente associado à adoção de IA.
São Paulo lidera a aplicação dessas soluções no país, impulsionado pela concentração de AgTechs. Dados do Radar Agtech Brasil indicam 845 empresas instaladas no estado, o equivalente a 43,2% do total nacional. Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, a tecnologia já integra a rotina do setor. Segundo ele, a IA tem contribuído para decisões mais rápidas e assertivas, inclusive na formulação de políticas públicas.
A Secretaria de Agricultura, por meio dos institutos da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios, tem ampliado o uso da tecnologia em programas que vão do monitoramento agrícola à regularização ambiental. A estratégia inclui também o estímulo à criação de ambientes de inovação e à conexão entre pesquisa e setor produtivo.
Ambientes de inovação e aplicações práticas
No Instituto Agronômico, o Centro de Engenharia e Automação desenvolve projetos voltados à modernização do ensino e da produção. Entre as iniciativas, está a criação de um avatar treinado com IA para atuar como instrutor em cursos técnicos, com respostas adaptadas ao perfil dos alunos. A proposta é ampliar a interatividade e melhorar o desempenho no aprendizado.
O centro também trabalha com aplicações como uso de drones em pulverização e desenvolvimento de equipamentos de proteção para aplicadores de defensivos. As soluções devem ser incorporadas aos próximos módulos de treinamento, ampliando o alcance para diferentes públicos do campo.
Outra frente relevante é o APTAHub, ambiente de inovação que conecta centros de pesquisa, startups, empresas e produtores. A iniciativa busca acelerar o desenvolvimento de soluções tecnológicas com base em demandas reais do setor. Entre as participantes está a Agscore, que utiliza IA para análise preditiva de produtividade e risco agrícola com antecedência de até 12 meses.
A plataforma já foi validada em mais de 20 mil hectares e apresenta acurácia de até 92% na previsão de produtividade de culturas como soja e milho. Ao todo, mais de 6 mil áreas foram analisadas, contribuindo para decisões mais precisas no campo e na concessão de crédito.
A aplicação da inteligência artificial também avança na gestão territorial. O programa Rotas Rurais utiliza IA para geolocalização de propriedades, facilitando logística, acesso a serviços e segurança no meio rural. Já o programa Brotar emprega ferramentas avançadas para análise de dados em levantamentos realizados em 371 municípios.
Na área ambiental, o uso da tecnologia tem acelerado a validação do Cadastro Ambiental Rural. O estado alcançou 200 mil cadastros validados até o fim de 2025 e soma cerca de 432 mil registros ativos. A análise automatizada, combinada ao trabalho técnico, tem ampliado a capacidade de processamento e reforçado a posição de São Paulo como referência nacional na implementação do Código Florestal.
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