Índice de poder de compra de fertilizantes sobe para 1,28 em fevereiro
Indicador reflete ajustes em insumos, câmbio e preços agrícolas
O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou fevereiro de 2026 em 1,28, ante 1,20 registrado em janeiro. O resultado reflete mudanças nas cotações de fertilizantes, variação cambial e oscilações nos preços de commodities agrícolas utilizadas no cálculo do indicador.
Entre os insumos negociados no mercado internacional, ureia, fosfato monoamônico (MAP), superfosfato simples (SSP) e cloreto de potássio (KCl) registraram ajustes ao longo do mês. No mesmo período, o dólar apresentou valorização próxima de 3% frente ao real, em um ambiente marcado pela manutenção da taxa de juros em patamar elevado no Brasil.
No mercado global, o segmento de fertilizantes segue operando em um cenário de oferta limitada em algumas origens, estoques ajustados e demanda ativa em diferentes regiões. Tensões geopolíticas em áreas relevantes para o abastecimento internacional, especialmente no Oriente Médio, também permanecem entre os fatores observados pelos agentes do setor.
Commodities agrícolas e dinâmica do índice
Entre os produtos agrícolas acompanhados pelo IPCF, cana-de-açúcar e algodão registraram variações positivas no período. Soja e milho apresentaram ajustes nas cotações.
No caso da soja, o movimento ocorre paralelamente ao avanço da colheita no Brasil, em meio à expectativa de safra elevada. Já o milho tem sido influenciado pelo início do plantio da segunda safra, que neste ciclo ocorre com atraso em algumas regiões quando comparado ao calendário do ano anterior.
No curto prazo, a evolução da colheita de soja e o ritmo de implantação da safrinha seguem entre os elementos monitorados pelo mercado e que podem influenciar a formação do índice.
Como é calculado o IPCF
Divulgado mensalmente pela Mosaic, o Índice de Poder de Compra de Fertilizantes mede a relação entre os preços dos fertilizantes e os valores das commodities agrícolas. O indicador utiliza como base o ano de 2017. Quanto menor o índice, mais favorável tende a ser a relação de troca para o produtor.
O cálculo considera culturas relevantes para o consumo de fertilizantes no Brasil, entre elas soja, milho, açúcar, etanol produzido a partir da cana-de-açúcar e algodão.
Os preços dos fertilizantes utilizados na metodologia têm como referência valores praticados nos portos brasileiros, com dados da consultoria internacional CRU. Já os preços das commodities são obtidos pela média do mercado brasileiro em dólar, com base em publicações da Agência Estado e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O índice de fertilizantes inclui MAP, SSP, ureia e KCl ponderados conforme a participação de uso no país. No caso das commodities, entram soja, milho, açúcar, etanol e algodão, também ponderados de acordo com o consumo de fertilizantes.
O cálculo incorpora ainda o efeito do câmbio, considerado em aproximadamente 70% do custo relacionado aos fertilizantes e em cerca de 85% da receita associada às commodities agrícolas. Os dados divulgados referem-se a fevereiro de 2026.
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