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Irrigação leva produtividade a 160 t/ha em usina paulista

Déficit hídrico de até 800 mm impulsiona uso de gotejamento

A irrigação por gotejamento tem ganhado espaço como estratégia para reduzir riscos climáticos e elevar a produtividade da cana-de-açúcar no interior paulista. Na Usina Santa Adélia, em Pereira Barreto – SP, o sistema foi adotado diante de déficits hídricos entre 700 mm e 800 mm ao ano, cenário que compromete a regularidade da produção em sucessivas safras.

Segundo o diretor agrícola da usina, Cássio Pagiaro, em 4 das últimas 5 safras o déficit hídrico superou a média histórica da região, afetando diretamente a previsibilidade da matéria-prima. Com a implantação da irrigação, a usina passou a reduzir a variabilidade produtiva e melhorar o planejamento agrícola e industrial.

O projeto foi desenvolvido em parceria com a Netafim e começou com 1.076 hectares irrigados. Mesmo sem histórico prévio em sistemas dessa escala, a usina estruturou o modelo com suporte técnico e adotou práticas específicas de manejo, que envolvem monitoramento contínuo e ajustes operacionais ao longo do ciclo.

Ganho produtivo e impacto nos custos

Os resultados já indicam avanços consistentes. Nas áreas irrigadas, a produtividade média varia entre 140 t/ha e 160 t/ha ao longo de ciclos de 10 a 12 cortes. Em comparação ao sistema de sequeiro, o ganho pode alcançar ao menos 40 t/ha, reduzindo o custo por tonelada produzida ao longo do ciclo produtivo.

De acordo com Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan, a irrigação deve ser vista como instrumento de gestão de risco em um ambiente de mudanças climáticas. Ele destaca que a variabilidade do canavial de sequeiro tem aumentado, pressionando a competitividade do setor.

A estabilidade proporcionada pelo gotejamento também contribui para o planejamento industrial, ao reduzir oscilações na moagem ao longo da safra. Esse fator impacta diretamente a eficiência operacional e a gestão comercial das usinas.

Além do ganho produtivo, o sistema apresenta maior eficiência no uso de recursos. A irrigação permite aplicação mais precisa de água e insumos, além de contribuir para a redução do consumo de diesel, reforçando indicadores de sustentabilidade. Com expectativa de longevidade entre 13 e 14 cortes e retorno do investimento em poucos ciclos, a experiência da Usina Santa Adélia aponta a irrigação como alternativa relevante para manter a competitividade em regiões com restrição hídrica crescente.

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