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Logística e tributação ampliam desafios para a competitividade do etanol no Brasil

Estudo do ESALQ-LOG mostra avanço da intermodalidade, mas aponta impacto relevante do PIS Cofins sobre transporte e armazenagem

A cadeia logística do etanol combustível no Brasil avançou nos últimos anos em diversificação de modais e ganho de eficiência operacional, mas segue pressionada por entraves tributários que encarecem o biocombustível e reduzem sua competitividade frente à gasolina. A avaliação consta da nova publicação da Série Logística do Agronegócio Oportunidades e Desafios, Volume 9, elaborada pelo ESALQ-LOG, que analisou de forma detalhada as atividades de transporte e armazenagem do etanol no país.

Segundo o relatório, o transporte rodoviário ainda responde pela maior parte do escoamento do etanol no mercado interno, com 71% do volume movimentado em 2024. Apesar disso, houve redução relevante da dependência desse modal nos últimos cinco anos, quando o índice era de 82%. No mesmo período, o uso de dutovias avançou de 8% para 14%, enquanto o transporte ferroviário passou de 6% para 10%, refletindo esforços de intermodalidade e ganhos de escala logística.

De acordo com o estudo, a matriz de transporte mais diversificada contribui para maior eficiência energética e redução de emissões, mas exige investimentos elevados em infraestrutura e coordenação operacional entre usinas, comercializadoras e distribuidoras. “A logística do etanol é complexa porque conecta polos produtores concentrados no Centro-Sul e no Centro-Oeste a mercados consumidores distantes, o que torna a intermodalidade essencial para ganhos de eficiência”, afirma Thiago Guilherme Pêra, pesquisador da Esalq e membro do Conselho Científico Agro Sustentável.

Tributação cria distorções na cadeia logística

Um dos principais pontos de atenção do levantamento é o impacto do regime monofásico de PIS e Cofins sobre os serviços de frete e armazenagem. Embora a tributação concentrada na origem tenha simplificado a arrecadação, o estudo mostra que as empresas comercializadoras acumulam créditos tributários que não conseguem ser compensados ou ressarcidos, especialmente aqueles relacionados às despesas logísticas.

Na prática, essa distorção gera aumento de custos operacionais e reduz a atratividade de modais mais sustentáveis, como ferrovias, hidrovias e cabotagem. De acordo com as simulações apresentadas no relatório, a não recuperação dos créditos de PIS Cofins pode elevar o preço do etanol em até R$ 0,10 por litro, dependendo do fluxo logístico utilizado e do preço do combustível no mercado.

“O problema não está apenas no valor absoluto, mas no efeito sistêmico sobre a cadeia, pois os modais mais eficientes acabam sendo penalizados por uma estrutura tributária que não reconhece a lógica da intermodalidade”, avalia Pêra. Segundo ele, essa dinâmica contraria os objetivos das políticas públicas de descarbonização e mobilidade de baixo carbono.

Apesar dos avanços observados na infraestrutura logística e na organização do mercado, o estudo conclui que ajustes no tratamento tributário são fundamentais para preservar a competitividade do etanol, assegurar previsibilidade ao setor e fortalecer seu papel estratégico na transição energética brasileira.

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