Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Pesquisa avalia uso de rochas basálticas para armazenar carbono no setor sucroenergético

Iniciativa com investimento de R$ 10 milhões analisa integração entre usinas de etanol e captura geológica de CO2 no Sudeste

O uso de tecnologias de captura e armazenamento de carbono avança como alternativa para reduzir emissões na indústria de bioenergia. Nesse contexto, o Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa RCGI e a Equinor iniciaram um projeto de pesquisa voltado a avaliar o potencial de formações basálticas como reservatórios para o CO2 gerado por usinas de etanol.

Batizada de Carbon Storage in Brazilian Basalts CABRA, a iniciativa contará com cerca de R$ 10 milhões em investimentos e será dedicada à pesquisa aplicada sobre a viabilidade técnica e geológica do armazenamento de carbono em rochas ígneas localizadas na Região Sudeste. O foco recai sobre áreas da Bacia Sedimentar do Paraná, onde se concentra parcela relevante da produção nacional de bioetanol.

Formações basálticas ganham atenção em estudos de armazenamento

As rochas basálticas são formadas a partir do resfriamento do magma e apresentam composição química capaz de reagir com o dióxido de carbono injetado, promovendo sua mineralização e transformação em estruturas sólidas estáveis. Essa característica vem despertando interesse internacional como alternativa complementar aos reservatórios sedimentares tradicionalmente estudados para armazenamento geológico de carbono.

Além da caracterização geológica das formações, o projeto prevê estudos de engenharia voltados à avaliação de parâmetros como capacidade de injeção, volume potencial de armazenamento e tempo necessário para a mineralização do CO2. Os resultados poderão embasar, no futuro, a implementação de um projeto piloto no país.

O RCGI atua como um Centro de Pesquisa Aplicada com apoio da FAPESP, da Shell e de empresas parceiras, com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Para o diretor científico do centro, Julio Meneghini, a iniciativa reforça a conexão entre pesquisa acadêmica e demandas industriais. Segundo ele, o projeto contribui para o desenvolvimento de soluções voltadas à descarbonização da matriz energética brasileira, com potencial de gerar conhecimento e tecnologias de alto impacto.

Bioetanol pode avançar para emissões negativas

O Brasil ocupa posição de liderança na produção global de etanol a partir da cana-de-açúcar e consolidou a bioenergia como um dos pilares de sua matriz energética. Apesar de apresentar menor intensidade de carbono em comparação aos combustíveis fósseis, o processamento industrial do etanol ainda envolve emissões de CO2.

A integração entre a produção de bioetanol e tecnologias de captura e armazenamento geológico pode alterar esse balanço, abrindo caminho para cadeias produtivas com emissões líquidas reduzidas ou até negativas. Nesse sentido, o projeto CABRA busca avaliar se a proximidade entre usinas e formações basálticas pode gerar sinergias técnicas e econômicas para a transição energética no país.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *