Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Safra 2025/26 de cana recua para 668,8 milhões de toneladas com impacto do clima adverso

Conab projeta queda de 1,2% na produção em relação à temporada anterior

A produção nacional de cana-de-açúcar na safra 2025/26 está estimada em 668,8 milhões de toneladas, segundo o segundo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na terça-feira (26). O volume representa recuo de 1,2% em comparação ao ciclo 2024/25, mesmo diante de uma expansão de 1% na área colhida, que passou para 8,85 milhões de hectares.

O fator determinante para a retração é a redução de 2,1% na produtividade média nacional, calculada em 75.575 quilos por hectare, frente aos 77.223 quilos obtidos no ciclo anterior. As causas estão associadas a eventos climáticos adversos que atingiram os canaviais ainda em 2024, comprometendo fases de rebrota e desenvolvimento das lavouras, especialmente no Centro-Sul. Entre os fatores mais críticos estão a irregularidade de chuvas, o excesso de calor e focos de incêndios.

Desempenho regional

O Sudeste, maior polo produtor do país, deve colher 424,5 milhões de toneladas, uma queda de 3,4% frente a 2024/25. Em São Paulo, estado responsável por cerca de metade da produção nacional, a previsão é de 337,9 milhões de toneladas, redução de 15,65 milhões em relação à temporada anterior. A retração resulta tanto da diminuição da área colhida quanto do recuo de produtividade.

No Centro-Oeste, segunda maior região produtora, a produtividade média cai levemente de 78.540 kg/ha para 78.093 kg/ha. No entanto, o aumento de 3,8% na área destinada à cana — de 1,85 milhão para 1,92 milhão de hectares — compensa a perda e sustenta crescimento de 4,7 milhões de toneladas, elevando a produção regional a 150 milhões de toneladas.

No Norte, a área plantada sobe de 49,6 mil para 52,1 mil hectares, avanço de 5%. Apesar disso, a perda de rendimento médio das lavouras gera queda de 5,6% na colheita, agora projetada em 3,8 milhões de toneladas.

Já o Nordeste deve registrar incremento de 1,6%, com colheita de 55,2 milhões de toneladas, sustentada por ganhos de área (1,1%) e leve recuperação de produtividade (0,5%). No Sul, o cenário também é positivo, com produção estimada em 35,2 milhões de toneladas, resultado do aumento de 2,5% da área e das chuvas regulares, mais favoráveis do que as registradas no ciclo anterior.

Açúcar e etanol

A menor colheita não deve impedir expansão na produção de açúcar, que deve alcançar 44,5 milhões de toneladas, crescimento de 0,8% em relação ao ciclo passado. Caso o número se confirme, será o segundo maior volume da série histórica, atrás apenas da safra 2023/24, quando foram produzidos 45,68 milhões.

Para o etanol, a projeção total — somando derivados da cana e do milho — é de 35,74 bilhões de litros, queda de 3,9% em comparação a 2024/25. O resultado é puxado pelo recuo de 8,8% no etanol de cana, parcialmente compensado pelo aumento expressivo de 14,5% no etanol de milho, que pode atingir um novo recorde de 8,98 bilhões de litros em 2025/26.

Mercado e preços

A combinação de produção mais restrita e menor Açúcar Total Recuperável (ATR), especialmente no Centro-Sul, reforça a tendência de preços firmes tanto para açúcar quanto para etanol. O ATR mais baixo limita a produtividade industrial por tonelada de cana, mas sustenta a competitividade brasileira no mercado internacional, em um momento de incerteza em países concorrentes.

No etanol, a menor moagem no Centro-Sul pressiona a oferta, embora a maior participação do etanol de milho funcione como amortecedor. Além disso, a ampliação da mistura obrigatória de E27 para E30, em vigor a partir de agosto, deve elevar a demanda estrutural de anidro.

Com estoques reduzidos e a safra já na segunda metade, o etanol tende a manter preços firmes, ainda que sensíveis ao câmbio, à paridade com a gasolina e ao ritmo de formação de estoques pelas distribuidoras.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *