Safras projeta alta na cana e queda na produção de açúcar
Etanol deve ganhar espaço com avanço da mistura e demanda
A produção brasileira de cana-de-açúcar deve atingir 677,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 3,15% sobre as 657 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior, segundo a segunda estimativa da Safras & Mercado. O avanço é sustentado principalmente pelo desempenho da região Centro-Sul, que deve concentrar a maior parte da moagem.
No Centro-Sul, a consultoria projeta processamento de 620 milhões de toneladas, alta de 3,7% na comparação anual. Já no Norte/Nordeste, a tendência é de retração, com moagem estimada em 57,7 milhões de toneladas, queda de 2,2% frente às 59 milhões da safra 2025/26.
Apesar do crescimento na oferta de matéria-prima, a produção de açúcar deve recuar 7,36% no país, para 40,3 milhões de toneladas, ante 43,5 milhões no ciclo anterior. A mudança reflete uma estratégia mais direcionada ao etanol, impulsionada por condições de mercado e políticas de mistura.
A produção total de etanol, considerando os volumes de cana e milho, deve se aproximar de 43 bilhões de litros, somando hidratado e anidro. “Apontamos um crescimento significativo na safra de cana do Centro-Sul em função dos tratos culturais elevados realizados ao longo da temporada anterior”, afirma o analista da Safras & Mercado, Maurício Muruci.
Demanda por etanol sustenta mudança de estratégia
Segundo a consultoria, o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de E27 para E30, elevou de forma relevante a demanda pelo biocombustível. Inicialmente estimado em 1,65 bilhão de litros adicionais em 12 meses, o impacto foi revisado para 2,76 bilhões de litros diante do maior consumo de gasolina.
A Safras & Mercado calcula que cada ponto percentual adicional na mistura gera demanda extra de cerca de 920 milhões de litros por ano. Com a expectativa de avanço para E35 ao longo de 2026, a demanda pode crescer mais 4,6 bilhões de litros, volume equivalente a pouco mais de um mês de consumo de gasolina C no país.
“A forte possibilidade de nova alta na mistura, aliada à arbitragem favorável ao hidratado em relação ao açúcar bruto em Nova York, levará as usinas a ampliar a produção de etanol”, diz Muruci.
Com o redirecionamento do mix para o etanol, as exportações brasileiras de açúcar tendem a cair na safra 2026/27. A Safras & Mercado projeta embarques de 29 milhões de toneladas, recuo de quase 15% em relação às 33,8 milhões de toneladas do ciclo anterior.
O cenário reforça a mudança de estratégia das usinas, que priorizam o atendimento ao mercado doméstico de combustíveis diante da expansão da demanda e das perspectivas de novas políticas de mistura.
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