UFSCar licencia levedura resistente ao calor para empresa de base científica
Cepa com maior tolerância térmica pode elevar eficiência da fermentação e reduzir perdas na produção de etanol
A transferência de conhecimento científico da universidade para o setor produtivo ganhou novo capítulo com o licenciamento de uma levedura desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos para uma empresa de biotecnologia sediada no interior paulista. A tecnologia envolve uma cepa com maior tolerância a altas temperaturas, característica considerada estratégica para a indústria de etanol no Brasil.
A levedura, identificada como LBGA 01, foi isolada por pesquisadores da instituição e apresenta desempenho superior em ambientes de estresse típicos da fermentação industrial. Ensaios laboratoriais indicam maior estabilidade celular e manutenção da eficiência produtiva mesmo sob temperaturas acima de 40 graus, condição que costuma comprometer o rendimento de cepas comerciais.
O avanço atende a uma demanda crescente do setor sucroenergético por soluções capazes de reduzir perdas operacionais e ampliar a produtividade, sobretudo em plantas industriais que operam com reciclo de leveduras e enfrentam variações térmicas e químicas ao longo do processo.
Aproximação entre pesquisa e mercado
O conhecimento gerado na universidade foi transferido à BIOINFOOD, deep tech com atuação em biotecnologia industrial, por meio de um acordo de licenciamento de know how estruturado com apoio da Agência de Inovação da UFSCar. A iniciativa busca transformar resultados acadêmicos em aplicações comerciais, ampliando o alcance econômico da pesquisa pública.
Além da resistência térmica, a cepa apresenta maior capacidade de assimilação de sacarose, fator que contribui para uma conversão mais eficiente do açúcar em etanol. Esse diferencial abre espaço para ganhos de produtividade tanto em processos convencionais quanto em rotas associadas ao etanol de segunda geração.
Para a empresa licenciada, a parceria com a universidade também funciona como ponte para compreender gargalos específicos da operação industrial e orientar o desenvolvimento de soluções mais aderentes à realidade do mercado. Já do ponto de vista acadêmico, a transferência amplia o potencial de uso da cepa como base para aprimoramentos genéticos futuros, com aplicações que extrapolam o setor de biocombustíveis.
Atualmente, a levedura passa por testes em condições mais próximas da escala industrial, com foco na avaliação de desempenho sob estresse térmico, acidez elevada e múltiplos ciclos de fermentação. Os resultados preliminares apontam maior robustez do microrganismo, o que pode contribuir para processos mais estáveis e previsíveis.
A pesquisa contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e teve seus resultados publicados em periódico científico internacional, reforçando o papel da biotecnologia nacional na busca por maior eficiência e competitividade da indústria de bioenergia.
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