Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Acordo UE Mercosul amplia acesso do agro brasileiro à Europa e cria novas oportunidades para a cana

Tratado reduz tarifas, fortalece previsibilidade comercial e pode beneficiar etanol, açúcar e cadeias associadas

A decisão dos países da União Europeia de avançar com o acordo de livre comércio com o Mercosul recoloca o agro brasileiro em posição estratégica no comércio internacional e abre uma janela relevante de oportunidades para o produtor rural, inclusive para a cadeia da cana de açúcar. O tratado ainda depende de assinatura formal e de aprovação nos parlamentos dos países sul-americanos, mas já sinaliza mudanças estruturais no acesso ao mercado europeu.

O acordo prevê a eliminação gradual das tarifas de importação para cerca de 77 por cento dos produtos agropecuários vendidos pelo Mercosul à União Europeia. Entre os itens diretamente beneficiados estão café, frutas, óleos vegetais, peixes e derivados, além de proteínas animais. Para o Brasil, o movimento ganha peso adicional em um cenário de maior restrição comercial em outros destinos relevantes, como Estados Unidos e China.

O que muda para o agro e para a cana

Para o setor sucroenergético, o acordo tem impacto indireto, mas estratégico. A abertura do mercado europeu tende a fortalecer o posicionamento do Brasil como fornecedor preferencial de produtos de base agrícola e industrial sustentável. No caso do etanol, o tratado estabelece cotas específicas para a entrada do biocombustível no mercado europeu, com volumes isentos ou com redução tarifária, especialmente para uso industrial e químico. Isso amplia o potencial de diversificação de destinos e reduz a dependência de mercados tradicionais.

Além disso, a União Europeia se comprometeu a discutir a redução de tarifas sobre fertilizantes, o que pode aliviar custos de produção no campo. Para o produtor de cana, esse ponto é relevante em um contexto de margens pressionadas e maior exigência por eficiência.

O acordo também reforça a previsibilidade comercial, fator considerado central pelas entidades do agro. Mesmo nos segmentos em que as tarifas já são baixas ou inexistentes, como a soja, a consolidação de regras comuns tende a reduzir riscos e custos operacionais ao longo da cadeia.

Salvaguardas e exigências preocupam produtores

Apesar das oportunidades, o tratado traz pontos de atenção. A União Europeia aprovou mecanismos de salvaguarda que permitem a suspensão temporária dos benefícios tarifários caso haja aumento relevante das importações de produtos considerados sensíveis. Na prática, essas regras podem limitar o avanço das exportações brasileiras se forem aplicadas de forma ampla ou discricionária.

Outro ponto sensível é a exigência de convergência regulatória, que pode levar a questionamentos sobre práticas produtivas, uso de insumos e padrões ambientais. Para o produtor de cana, isso reforça a importância de rastreabilidade, conformidade ambiental e adoção de boas práticas agrícolas.

Ainda assim, a avaliação predominante no setor é que o acordo eleva o nível da relação comercial entre os blocos e cria um ambiente mais favorável ao planejamento de longo prazo. Para a canavicultura, o avanço do tratado pode significar mais estabilidade, novos mercados para o etanol e maior integração do Brasil às cadeias globais de bioeconomia e transição energética.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *