Uso de biometano avança na logística pesada e nova frota de baixo carbono entra em operação
Projeto integra produção própria de biocombustível e transporte sustentável para reduzir emissões e elevar eficiência operacional
O uso de biometano tem crescido de forma consistente no transporte pesado no Brasil, impulsionado pela busca por soluções que conciliem redução de emissões, previsibilidade de custos e desempenho operacional. Nesse contexto, a Atvos, com oito usinas localizadas nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, firmou parceria com a Scania Brasil para iniciar a operação de uma frota logística movida a biometano, ampliando a adoção de energia renovável em suas operações.
O acordo foi formalizado em encontro na sede da companhia, em São Paulo, com a presença do CEO da Atvos, Bruno Serapião, e do presidente da Scania Brasil, Simone Montagna. A iniciativa representa um avanço na estratégia de descarbonização da logística e prevê elevar em até 40 por cento o uso de energia limpa no médio prazo, com impacto direto sobre as emissões e o custo total da operação.
Na operação da Atvos, 1 metro cúbico de biometano substitui, em média, entre 0,75 e 0,9 litro de diesel, mantendo desempenho equivalente ao dos caminhões convencionais. Estudo interno da companhia indica que o custo por quilômetro rodado com o combustível renovável já é competitivo nas atuais condições de mercado. O investimento ocorre em paralelo à construção da primeira fábrica de biometano da empresa, em Nova Alvorada do Sul, no Mato Grosso do Sul, que deverá abastecer a própria frota no longo prazo.
“Transformar resíduos da cana em biocombustível para movimentar nossa própria operação traduz, na prática, o conceito de bioeconomia circular. Essa parceria acelera nossa jornada rumo a uma logística cada vez mais sustentável e eficiente”, afirma Bruno Serapião.
Frota começa a operar em unidades do interior paulista e sul do Estado
Os novos caminhões vão atuar nas unidades Conquista do Pontal, no Oeste Paulista, e Eldorado e Santa Luzia, localizadas em Rio Brilhante e Nova Alvorada do Sul, no Mato Grosso do Sul. A adoção da frota a biometano contribui para a modernização e a primarização do transporte de cana-de-açúcar, com menor necessidade de manutenção e redução de paradas operacionais.
Segundo a Scania, os caminhões movidos a biometano podem reduzir as emissões em até 90 por cento em comparação ao diesel, além de diminuir a emissão de material particulado e o nível de ruído. “O biometano já se consolidou como uma solução viável para operações reais de transporte pesado no Brasil, especialmente em trajetos de curta e média distância”, destaca Simone Montagna.
A evolução da parceria é resultado de uma estratégia construída a partir da experiência prática. “Essa jornada começou em 2024, com a aquisição do primeiro caminhão a gás, que apresentou resultados consistentes. Esse desempenho abriu caminho para uma frota desenhada sob medida para a complexidade da operação canavieira”, afirma Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Brasil. O projeto inclui pacote de manutenção com cinco anos de garantia e serviços dedicados nas operações em São Paulo e Mato Grosso do Sul, com suporte da concessionária PB Lopes.
Produção própria de biometano fortalece integração energética
A primeira fábrica de biometano da Atvos será fundamental para escalar o abastecimento da frota e aprofundar a integração do portfólio energético da companhia, que inclui etanol de cana-de-açúcar, bioeletricidade gerada a partir do bagaço e açúcar VHP. A unidade terá capacidade instalada de 28 milhões de metros cúbicos de biometano e ocupará uma área de 150 mil metros quadrados.
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