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Brasil quase triplica valor da produção agrícola em uma década e impulsiona retomada do agronegócio global

Estudo do Boston Consulting Group aponta desempenho volátil do setor e retorno médio de 4% ao acionista apesar do avanço brasileiro

O agronegócio global atravessou um ciclo recente marcado por forte volatilidade e criação de valor abaixo da média de outros segmentos industriais. Ainda assim, o Brasil se destacou como um dos principais vetores de recuperação do setor ao quase triplicar o valor monetário de sua produção agrícola na última década. A avaliação consta do relatório A Balanced Approach to Harvesting Returns, elaborado pelo Boston Consulting Group.

De acordo com o estudo, o retorno total ao acionista do agronegócio ficou em torno de 4% no período analisado, desempenho superior apenas ao de quatro entre 36 setores industriais globais. Mesmo com preços elevados de commodities em determinados momentos, a geração de valor não acompanhou de forma homogênea o crescimento da receita ao longo do ciclo.

Gestão equilibrada define criação de valor no ciclo das commodities

A análise mostra que as empresas com melhor desempenho foram aquelas que adotaram uma estratégia mais equilibrada de gestão e alocação de capital, com foco no controle de custos, preservação de margens e disciplina financeira. Esse posicionamento permitiu maior resiliência diante de choques como disrupções logísticas, eventos climáticos extremos e oscilações nos mercados internacionais.

Segundo Lucas Moino, diretor executivo e sócio do BCG, a experiência recente reforça o potencial da agricultura tropical. “Apesar dos desafios globais, algumas companhias conseguiram navegar pelas mudanças na cadeia de suprimentos e pelos impactos climáticos e ainda criar valor. No Brasil, a produção agrícola quase triplicou de valor monetário entre 2014 e 2024, sinalizando um ritmo de crescimento acelerado para a próxima década”, afirma.

A perspectiva é de continuidade da expansão no Brasil, apoiada pela conversão de pastagens degradadas em áreas produtivas e pelo avanço da produtividade com o uso de tecnologias agrícolas e agronômicas. O relatório também destaca o papel do país na cadeia de biocombustíveis, que já respondem por mais de 30% do consumo de combustíveis no transporte rodoviário, reforçando a relevância brasileira para a segurança energética e para a demanda por milho e soja.

No cenário internacional, a Índia aparece como outro polo de destaque. O estudo indica que o agronegócio indiano registrou um TSR mediano de 30%, impulsionado por uma transição de um modelo centrado em commodities para estruturas mais integradas e inovadoras. Já entre os subsegmentos globais, fabricantes de equipamentos agrícolas e produtores de fertilizantes superaram o desempenho médio combinado do setor.

O relatório ressalta ainda que eventos recentes, como a pandemia e o conflito no Leste Europeu, intensificaram a volatilidade ao afetar cadeias de suprimentos e pressionar os preços de insumos e produtos agrícolas. Para o BCG, o desempenho futuro do agronegócio dependerá do desenho do comércio global, da evolução da demanda por biocombustíveis e do avanço da agricultura tropical, com protagonismo crescente de países como Brasil e Índia.

O estudo completo está disponível, em inglês, no site do BCG.

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