Indicador do etanol hidratado inicia fevereiro em queda no mercado paulista
Baixa liquidez no spot e exportações fracas pressionam preços do biocombustível
O indicador do etanol hidratado no mercado paulista iniciou fevereiro em queda. Na primeira semana do mês, o Indicador CEPEA ESALQ do produto no estado de São Paulo foi cotado a R$ 3,0496 por litro, já líquidos de ICMS e PIS Cofins, recuo de 1,26% em relação ao período imediatamente anterior, segundo dados do Cepea.
A desvalorização interrompe um movimento de estabilidade que vinha desde a primeira dezena de outubro de 2025. De acordo com pesquisadores do Cepea, o resultado reflete principalmente a baixa liquidez no mercado spot paulista. Embora o volume total negociado tenha crescido na comparação semanal, a maior parte das operações envolveu lotes reduzidos, o que limitou qualquer reação de preços. Nem mesmo a proximidade do carnaval foi suficiente para estimular negócios em volumes mais expressivos.
No ambiente externo, o desempenho das exportações também contribuiu para o cenário de pressão. Em janeiro, os embarques brasileiros de etanol somaram 43,3 milhões de litros, queda de 74% frente a dezembro de 2025 e bem abaixo dos 179 milhões de litros registrados no mesmo mês do ano passado, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior. Trata-se do menor volume mensal desde fevereiro de 2025.
Açúcar cristal registra menor média real desde 2019
Os preços do açúcar cristal branco também encerraram a primeira semana de fevereiro em queda. Na parcial do mês até o dia 6, o Indicador CEPEA ESALQ do açúcar cristal branco no estado de São Paulo apresentou média de R$ 103,46 por saca de 50 quilos, o menor nível desde setembro de 2019 em termos reais, com valores deflacionados pelo IGP DI.
Ao longo de fevereiro, o indicador chegou a operar próximo de R$ 100 por saca em termos nominais, patamar que não era observado desde outubro de 2020. Segundo o Cepea, a continuidade do movimento de baixa está relacionada à maior participação de açúcar cristal branco com coloração mais elevada, de até 180 Icumsa, nas negociações. Assim, a retração das cotações reflete sobretudo mudanças na qualidade dos lotes comercializados, e não uma desaceleração da demanda no mercado interno.
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