Produção de cana oscila até 1,6% e açúcar segue pressionado
Boletim Agro do BB detalha safra, clima, fertilizantes e grãos
A produção brasileira de cana-de-açúcar em 2026 deve variar entre alta de 0,6% e queda de 1,6%, a depender da estimativa considerada. O IBGE projeta colheita de 706,8 milhões de toneladas, avanço de 0,6% sobre a safra anterior, enquanto a Conab aponta retração de 1,6%, mesmo com expansão de 2,4% na área colhida, diante de recuo de 3,8% na produtividade.
Os números constam do Boletim Agro, relatório trimestral elaborado pela equipe de economistas do Banco do Brasil, que reúne projeções para grãos, pecuária, clima, fertilizantes e mercado global de commodities.
No açúcar, o cenário internacional segue de oferta confortável. O USDA projeta produção global de 189,3 milhões de toneladas na safra 2025 2026, frente a consumo de 178,1 milhões, indicando superávit pelo sexto ano consecutivo. Para o Brasil, a estimativa é de cerca de 44,4 milhões de toneladas, alta de 0,7%.
Segundo Marcelo Rebelo, convergência traz previsibilidade
Na seção Olhar do economista, Marcelo Rebelo, economista chefe do BB, afirma que as projeções de IBGE e Conab para a safra 2025/26 passaram a convergir, reduzindo incertezas. O banco revisou a projeção de crescimento do PIB Agropecuário para 10,3% em 2025 e trabalha com alta de 1,0% em 2026.
Para os grãos, o IBGE projeta retração de 1,8% na produção total, enquanto a Conab estima crescimento de 0,6%.
A soja deve sustentar o desempenho agregado. O IBGE estima 170,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 2,5%, e a Conab projeta avanço de 2,7%. O USDA elevou sua estimativa para 178 milhões de toneladas, crescimento de 3,8%.
No milho, o IBGE calcula produção de 133,2 milhões de toneladas, queda de 6,0%, com recuo de 9,9% na segunda safra. A Conab projeta 138,9 milhões de toneladas, retração de 1,5%.
Clima heterogêneo e fertilizantes em alta
O panorama climático indica chuvas acima de 150 mm em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste no fim de 2025, favorecendo soja, milho e cana-de-açúcar. Para março, abril e maio, a previsão aponta volumes acima da média no Norte e abaixo da média em grande parte do Sul.
No mercado de insumos, o índice CRB Foods recuou 1,7% em janeiro ante dezembro e caiu 12,4% na comparação anual. Entre os fertilizantes, a ureia subiu 17,6% no mês e acumula alta de 13,6% em 12 meses. O DAP avançou 6,1%, enquanto o MOP recuou 3,2%. As importações brasileiras de fertilizantes cresceram 9,0% em 2025 e 10,3% em janeiro na comparação com igual mês do ano anterior. No cenário global de grãos, o USDA projeta produção mundial de milho de 1,29 bilhão de toneladas, alta de 5,3%, enquanto a soja deve recuar 0,3% no agregado global. Para o trigo, a estimativa é de 842,2 milhões de toneladas.
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