Açúcar deve voltar ao déficit global na safra 2026/27
Menor oferta europeia reduz margem do mercado para novas perdas
O mercado mundial de açúcar deve voltar a registrar déficit na safra 2026/27, após o excedente previsto para o ciclo anterior. A diferença entre oferta e demanda é estimada em 600 mil toneladas pela Czarnikow, em um cenário marcado pela redução da produção na União Europeia e por riscos climáticos em outras regiões produtoras.
A mudança no balanço global, embora ainda não indique escassez da commodity, diminui a capacidade do mercado de absorver novas frustrações de safra. O excedente de 2025/26 funciona como uma reserva para o ciclo seguinte, mas eventuais perdas adicionais podem alterar as perspectivas ao longo da temporada.
Europa reduz produção de açúcar
A União Europeia está no centro da revisão das estimativas. A Czarnikow reduziu para 13,9 milhões de toneladas a projeção de produção de açúcar do bloco em 2026/27, após dados preliminares indicarem menor área destinada ao cultivo de beterraba sacarina.
O recuo ocorre em meio à pressão sobre a rentabilidade da atividade. As dificuldades enfrentadas pelas usinas para alcançar o ponto de equilíbrio contribuíram para a redução do plantio, enquanto temperaturas elevadas aumentaram a preocupação com o desenvolvimento das lavouras.
Uma onda de calor recorde atingiu a Europa e colocou a produção de beterraba sob maior risco. Como o bloco ocupa posição relevante na oferta mundial de açúcar, a combinação entre menor área e adversidades climáticas passou a ter maior influência sobre as projeções para o próximo ciclo.
Safra dos EUA também entra no radar
Nos Estados Unidos, a redução da área de beterraba adiciona outro fator de atenção. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima o plantio em 1,033 milhão de acres em 2026, volume 4,3% inferior ao registrado no ano passado.
A área destinada à colheita também deve diminuir. A projeção é de 1,011 milhão de acres, queda de 4,6% na comparação anual. As condições das lavouras, porém, variam entre os principais estados produtores, com melhora recente em algumas regiões e indicadores abaixo dos níveis de 2025 em outras.
Na cana-de-açúcar, o movimento é diferente. A área a ser colhida nos Estados Unidos deve crescer 1,1%, para 956 mil acres. O avanço previsto na Louisiana mais do que compensa a redução estimada para a Flórida.
As condições climáticas, no entanto, seguem como fonte de incerteza. Na Louisiana, o excesso de chuvas elevou o risco de danos às lavouras e de impactos sobre o teor de açúcar da cana. Na Flórida, produtores ainda avaliam os efeitos das geadas registradas no início do ano.
Tarifas aumentam cautela entre compradores
Além da produção, o mercado norte-americano acompanha possíveis mudanças na política comercial. Compradores aguardam os desdobramentos de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que podem resultar em tarifas adicionais sobre determinadas importações de açúcar.
Representantes do setor açucareiro norte-americano defendem a adoção de taxas sobre volumes importados acima das cotas previamente definidas para países exportadores. A possibilidade mantém os compradores cautelosos na definição do abastecimento para o próximo ciclo. Com a oferta global novamente projetada abaixo da demanda em 2026/27, Europa e Estados Unidos devem permanecer entre os principais pontos de atenção do mercado. A evolução das lavouras nos próximos meses será determinante para indicar se o déficit de 600 mil toneladas será mantido ou se novas perdas exigirão revisões no balanço mundial.
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