Entidades defendem acordo para evitar novas tarifas dos EUA
Carta propõe negociação em duas etapas para preservar o comércio bilateral
A aplicação de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode ser evitada por meio de um acordo negociado entre os dois governos. Essa é a defesa da Amcham Brasil, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da U.S. Chamber of Commerce, que encaminharam uma carta conjunta às autoridades dos dois países propondo uma agenda de negociações para encerrar a investigação conduzida pelos norte-americanos com base na Seção 301 e ampliar a cooperação econômica bilateral.
As entidades argumentam que uma solução negociada preservaria a competitividade das empresas, reduziria impactos sobre trabalhadores e consumidores e abriria espaço para uma agenda mais ampla de integração comercial.
A proposta prevê duas etapas, sendo a primeira voltada à suspensão das tarifas adicionais e ao avanço de medidas consideradas prioritárias para facilitar o comércio entre os dois mercados.
Agenda prevê medidas imediatas e cooperação de longo prazo
Entre as ações sugeridas estão a ampliação do acesso a mercados para insumos industriais, bens de capital e produtos ligados à segurança energética, infraestrutura para inteligência artificial e data centers. O documento também propõe maior cooperação regulatória em segmentos como automotivo, saúde, equipamentos médicos e farmacêutico, além da extensão da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a cobrança de tarifas em transmissões eletrônicas.
A carta ainda defende acelerar a análise de pedidos de patente no Brasil, especialmente nas áreas de saúde e biofarmacêutica, reforçar o combate à pirataria e à contrafação, ampliar a cooperação em minerais críticos e implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC).
Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, o momento exige intensificação do diálogo entre os governos. “Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral”, afirmou. Na segunda fase, a proposta amplia o escopo das negociações para temas estruturais, como resiliência das cadeias produtivas, economia digital, comércio eletrônico, inovação, descarbonização industrial, facilitação do comércio, agricultura, transportes, produtos farmacêuticos, equipamentos médicos e segurança energética. Para as entidades, o avanço dessas negociações poderá fortalecer a previsibilidade das relações comerciais e ampliar os investimentos entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos.
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