Frota flex sustenta avanço do E32 e amplia demanda por etanol
Nova mistura reforça mercado interno sem risco de desabastecimento
A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% abre uma nova frente de demanda para o setor sucroenergético e encontra respaldo tanto na capacidade produtiva brasileira quanto na frota nacional. A avaliação é de especialistas do Crea SP, que consideram a medida segura para os veículos e positiva para a cadeia de produção de etanol de cana e de milho.
Em vigor desde 1º de agosto por um período inicial de 180 dias, a nova composição da gasolina deve reduzir a necessidade de importação do combustível fóssil e ampliar o consumo de um produto renovável fabricado no país. A estimativa da União da Indústria de Cana de Açúcar e Bioenergia é de uma demanda adicional de 540 milhões de litros de etanol anidro nos primeiros seis meses, podendo alcançar 1 bilhão de litros ao longo da safra.
Segundo o engenheiro agrônomo Glauco Eduardo Pereira Cortez, diretor de relações profissionais do Crea SP, o aumento ajuda a absorver parte da oferta da safra 2026 2027 e fortalece a agenda de descarbonização.
“Essa demanda adicional ajuda a absorver a oferta de etanol resultante da safra 2026 2027, aliviando a pressão sobre as usinas para a comercialização do produto e estimulando o direcionamento da produção para o biocombustível no mercado interno, além de fortalecer a pauta da descarbonização”, afirma.
Produção acompanha crescimento da demanda
Na avaliação do especialista, o país reúne condições para atender ao aumento do consumo sem comprometer o abastecimento. O avanço das usinas de etanol de milho no Centro Oeste e a elevada produtividade agrícola do Centro Sul garantem oferta suficiente para sustentar a nova mistura.
Para Cortez, o principal desafio do setor hoje não está na produção, mas na expansão do consumo. Segundo ele, o país dispõe de estoques suficientes para atender ao mercado interno e ainda manter exportações, o que transforma o E32 em um instrumento para ampliar o escoamento da produção.
“O Brasil tem toda a condição de manter essa mistura. O problema do setor não é a produção, e sim a demanda, pois temos combustível armazenado e volume suficiente até para exportação. Essa elevação funciona para escoar o estoque e, a longo prazo, tende a estimular novos investimentos em produtividade, moagem e expansão de usinas”, diz.
Do ponto de vista da política energética, o período inicial de 180 dias também permitirá acompanhar os efeitos da medida sobre o mercado antes de uma eventual adoção permanente. A regulamentação ainda prevê a possibilidade de prorrogação por mais 180 dias, enquanto o governo conclui os estudos relacionados à mistura E35, limite previsto na Lei do Combustível do Futuro.
Estudos confirmam segurança para a frota
A maior parte da frota brasileira deverá operar normalmente com a nova gasolina. Segundo o engenheiro mecânico Marcelo Perrone, diretor administrativo do Crea SP, os veículos flex foram desenvolvidos justamente para funcionar com diferentes proporções de gasolina e etanol, sem riscos de danos mecânicos decorrentes da nova composição.
A decisão do Conselho Nacional de Política Energética foi baseada em estudos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que avaliou veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina. Os testes analisaram partida, aceleração, dirigibilidade, estabilidade da marcha lenta, funcionamento dos sistemas eletrônicos, emissões e durabilidade dos componentes. Os resultados indicaram que a gasolina E32 mantém o desempenho dos veículos e atende aos limites ambientais estabelecidos pelo Proconve, sem impactos relevantes sobre os sistemas de combustível.
Com a vigência da nova mistura, o setor sucroenergético passa a acompanhar o comportamento da demanda ao longo dos próximos meses. O desempenho do consumo interno e a evolução dos testes para o E35 deverão orientar os próximos passos da política de combustíveis renováveis no país.
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