Nova estratégia reduz infestação de Sphenophorus em testes de campo
Uso de atrativo associado a inseticida reduziu em 71,4% a infestação em ensaio
Uma nova estratégia para o controle de adultos de Sphenophorus levis (bicudo-da-cana) começa a avançar nos testes de campo. A tecnologia utiliza compostos atrativos para concentrar os insetos em pontos tratados e ampliar sua exposição aos inseticidas, em uma fase do ciclo ainda considerada uma lacuna no manejo da praga.
Os resultados foram apresentados por Luiz Carlos de Almeida e Luís Gustavo de Almeida, da Entomol Consultoria, durante o III EnTéc Cana, promovido recentemente pela DNAgro e pelo CTC, em Ourinhos – SP. A palestra abordou o manejo atual do bicudo e os estudos conduzidos para ampliar as alternativas de controle.
O Sphenophorus levis está entre as principais ameaças aos canaviais por combinar expansão geográfica, capacidade reprodutiva, dificuldade de controle e impacto sobre o rendimento. As larvas se desenvolvem nos tecidos basais da planta e comprometem a soqueira, com reflexos sobre a produtividade e a longevidade do canavial.
Em áreas de alta infestação, as perdas podem chegar a 25 toneladas por hectare ao ano. O impacto aumenta conforme avança a presença da praga. Com cerca de 6% dos tocos atacados, a perda estimada é de 10 toneladas por hectare ao ano. A 12,5%, chega a 20 toneladas e, em um cenário extremo, com aproximadamente 19% dos tocos atingidos, alcança 30 toneladas.
Controle dos adultos ainda é desafio
O manejo combina medidas culturais, biológicas e químicas, com ferramentas como corte de soqueira, drench, aplicação localizada com vinhaça e eliminação mecânica da soqueira na reforma. O posicionamento depende da fase da cultura, do nível de infestação e da dinâmica populacional do inseto.
A pesquisa apresentada no evento concentra-se nos adultos. Eles participam da dispersão da infestação, colonizam novas touceiras e dão origem a novas oviposições. O trabalho explora justamente o comportamento olfativo do inseto para aumentar a eficiência das intervenções.
Os adultos utilizam sinais químicos para localizar recursos e outros indivíduos. A partir dessa característica, foram avaliados compostos capazes de atraí-los para pontos específicos. A proposta é associar essa resposta comportamental aos inseticidas, aumentando a exposição da praga ao tratamento.
A pesquisa, denominada Projeto Tróia SL, passou pela seleção de compostos, avaliações em laboratório e testes de compatibilidade com inseticidas antes de chegar ao campo. As formulações com melhor resposta foram posteriormente avaliadas em iscas e aplicações do tipo drench.
Testes indicam maior captura e mortalidade
Nos ensaios com isca tóxica, a associação do inseticida ao atrativo aumentou a captura de adultos. Em uma das áreas, a média passou de 3,6 para 9,1 adultos por isca, avanço de 152%. Em outra, subiu de 9,5 para 20,5, alta de 116%.
Os testes com drench também registraram aumento da mortalidade. Na aplicação com bomba costal, a média passou de 0,25 para 0,68 adulto morto por metro, alta de 183%. Com equipamento autopropelido, avançou de 0,38 para 0,68, crescimento de 78%.
Os pesquisadores também avaliaram a infestação após o tratamento. No experimento com drench autopropelido, a parcela tratada apenas com o inseticida apresentou 13,78% de tocos atacados. Na associação entre inseticida e atrativo, o índice caiu para 3,94%, redução de 9,84 pontos percentuais, ou 71,4%. A diferença foi estatisticamente significativa a 5%.
Produtividade entra na avaliação
No mesmo experimento, a produtividade média passou de 65,45 toneladas de cana por hectare no tratamento com inseticida para 74,73 toneladas na associação com a tecnologia. A diferença observada foi de 9,28 toneladas por hectare, equivalente a 14,2%.
Nesse caso, porém, a diferença não apresentou significância estatística a 5%. Por isso, o dado não permite atribuir o aumento de produtividade à utilização do atrativo, embora indique uma resposta que poderá ser acompanhada nas próximas avaliações. As próximas etapas incluem testes no corte de soqueira e na aplicação localizada de vinhaça, em condições operacionais.
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