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Açúcar mantém sustentação nos EUA com seca e incertezas na safra

Clima adverso, atraso na colheita e tarifas sustentam os preços

Os preços do açúcar nos Estados Unidos seguem sustentados por um cenário de oferta cercado por incertezas. A persistência da seca em importantes regiões produtoras, a expectativa de atraso na colheita e os impactos provocados por uma infestação de cochonilhas mantêm o mercado atento à evolução da safra. Ao mesmo tempo, o aumento das entregas e as novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano reforçam a firmeza das cotações. As informações foram publicadas pela Czarnikow, com base no Relatório de Adoçantes da Sosland Publishing.

A atividade no mercado físico também contribuiu para esse movimento. Segundo o levantamento, os vendedores estão próximos de concluir os contratos para 2027, enquanto os preços do mercado à vista permaneceram estáveis. Já os valores negociados para a safra 2026/27 oscilaram entre estabilidade e alta, refletindo a percepção de que a oferta pode ficar mais apertada caso as condições climáticas não melhorem.

Mesmo com uma leve recuperação nas avaliações das lavouras em relação à semana anterior, os indicadores continuam inferiores aos registrados no mesmo período de 2025. Além disso, as previsões apontam para a manutenção do clima quente e seco nas principais regiões produtoras de beterraba sacarina e cana-de-açúcar nas próximas semanas, fator que amplia a preocupação do mercado.

Seca e pragas ampliam as incertezas sobre a safra

Em 28 de julho, cerca de 62% das áreas cultivadas com beterraba sacarina estavam sob algum nível de seca nos Estados Unidos, sendo que 6% enfrentavam seca excepcional, o estágio mais severo da classificação oficial. Os estados de Wyoming, Nebraska e Oregon apresentavam toda a área destinada à cultura afetada pela estiagem. Na Flórida, 100% dos canaviais também estavam inseridos em regiões com algum nível de seca.

O clima adverso se soma aos atrasos provocados pelo inverno rigoroso, que exigiu replantios em diversas propriedades. Com isso, muitos produtores projetam iniciar a colheita apenas em meados ou no fim de setembro, aproximadamente um mês depois do calendário habitual.

Na Louisiana, embora a seca ainda não represente um problema relevante, outra ameaça ganhou força. A confirmação da presença de uma cochonilha invasora em 14 paróquias provocou danos significativos aos canaviais. Segundo um entomologista da Universidade Estadual da Louisiana citado no relatório, algumas áreas dificilmente serão colhidas nesta safra.

Mercado acompanha demanda e novas tarifas

O aumento das entregas registrado em julho também ajudou a sustentar os preços. Parte dos agentes atribui esse movimento à retomada das compras após o feriado de 4 de julho, enquanto outros avaliam que paradas para manutenção em algumas usinas deslocaram temporariamente a demanda para outros fornecedores, principalmente nas entregas a granel.

Um processador ouvido pela Sosland Publishing ponderou que ainda é cedo para tratar o comportamento como uma tendência consolidada. Segundo ele, será necessário observar as próximas semanas para saber se a demanda permanecerá elevada ou se o aumento registrado em julho representou apenas um ajuste pontual.

O mercado também monitora os efeitos das novas tarifas anunciadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. A medida estabelece alíquotas entre 10% e 12,5% para importações provenientes de 60 países no âmbito da investigação da Seção 301. Embora o açúcar importado dentro das cotas tarifárias permaneça isento da cobrança adicional, volumes acima dessas cotas e parte das importações realizadas por acordos de livre comércio poderão ser impactados.

As atenções agora se voltam para o Simpósio Internacional de Adoçantes, nos Estados Unidos, onde o setor espera novas informações sobre os efeitos das tarifas e sobre o comportamento da próxima safra. A combinação entre clima, oferta e política comercial deve continuar influenciando a formação dos preços nos próximos meses.

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