Commodities agrícolas dão sinais de recuperação para 2027
Milho, soja e açúcar avançam, mas custos e clima limitam margens
Depois de quase quatro anos de queda nas cotações e pressão sobre as margens, o mercado de commodities agrícolas começa a apresentar sinais de recuperação. Contratos futuros de milho, soja e açúcar já incorporam parte dessa mudança, em um cenário de estoques mais ajustados, demanda firme e maior risco climático.
A avaliação é do #CafécomPrado, da Prado Agronegócios, que aponta uma possível transição no ciclo de preços. O movimento, porém, não indica uma volta às margens registradas durante a pandemia. Crédito restrito, juros elevados e insumos ainda caros permanecem como obstáculos à recuperação da rentabilidade.
A análise considera que os ciclos de alta e baixa das commodities agrícolas costumam durar de três a quatro anos ou mais. Após períodos de preços elevados, o avanço da produção amplia a oferta e pressiona as cotações. Com margens menores, investimentos e áreas cultivadas tendem a recuar, reduzindo posteriormente a disponibilidade e abrindo espaço para nova valorização.
Milho começa a incorporar riscos da próxima safra
Entre os mercados acompanhados, o milho apresenta sinais mais claros desse movimento. Na B3, o vencimento de setembro de 2026 estava próximo de R$ 75,56 por saca, enquanto março de 2027 alcançava R$ 80,16, segundo o #CafécomPrado. A diferença indica que os contratos já incorporam riscos relacionados à próxima temporada.
Na Bolsa de Chicago, setembro estava em 462,6 centavos de dólar por bushel e março de 2027, em 527,2 centavos, diferença de 13,9%. Entre os fundamentos acompanhados estão a demanda por etanol nos Estados Unidos e o crescimento do consumo mundial.
Uma safra maior no Brasil ou nos Estados Unidos, entretanto, pode recompor estoques e limitar a valorização. Para o produtor, a curva futura abre espaço para avaliar oportunidades de comercialização e proteção de margens diante das incertezas da próxima safra.
A soja também apresenta recuperação nos contratos negociados em Chicago, com prêmio para 2027. O balanço mundial permanece particularmente sensível ao desempenho brasileiro. Uma eventual redução da safra no país teria efeito sobre a disponibilidade global e poderia dar sustentação às cotações.
Açúcar encontra suporte em oferta mais ajustada
No açúcar, o #CafécomPrado aponta forte alta das cotações e maior firmeza do mercado internacional. O movimento encontra suporte em uma oferta global que cresce abaixo do consumo e nas expectativas para a produção dos principais países exportadores.
No Brasil, a evolução dos preços também passa pela relação com o etanol. As usinas podem alterar o mix conforme a remuneração de cada produto, direcionando maior parcela da cana para açúcar ou biocombustível. Essa flexibilidade torna o comportamento do etanol uma variável adicional para a oferta brasileira de açúcar.
Algodão e trigo completam o grupo de commodities analisadas. No algodão, a recuperação ocorre em um ambiente de oferta menor que a demanda e riscos climáticos. No trigo, menor produção global, estoques em queda e incertezas relacionadas ao clima e à região do Mar Negro sustentam a atenção sobre as cotações.
Petróleo e clima mantêm pressão sobre os custos
A recuperação dos preços agrícolas ocorre em um ambiente ainda desafiador para os custos. O petróleo Brent estava próximo de US$ 94 por barril na análise de segunda-feira (24), refletindo maior prêmio de risco geopolítico. Cotações elevadas podem repercutir sobre diesel, fretes, fertilizantes e outros insumos utilizados na produção.
O câmbio adiciona outra variável. O dólar era negociado ao redor de R$ 5,14, após o real recuperar parte das perdas recentes. A taxa de câmbio interfere simultaneamente na formação dos preços das commodities exportadas e no custo dos insumos importados.
No clima, a atualização apresentada pelo #CafécomPrado indica probabilidade superior a 90% de ocorrência de El Niño forte entre outubro e dezembro de 2026 e cerca de 60% de chance de um evento muito forte. A perspectiva aumenta a atenção para a distribuição das chuvas e seus possíveis efeitos sobre a safra 2026/27.
Solo ganha importância diante do risco climático
A maior incerteza climática reforça a importância da construção do perfil do solo. O manejo busca favorecer o aprofundamento do sistema radicular por meio da redução da compactação, correção da acidez, disponibilidade de cálcio em profundidade, formação de agregados e maior atividade biológica.
Com raízes mais profundas, as plantas conseguem acessar água em camadas subsuperficiais e ampliar o aproveitamento de nutrientes móveis, como nitrogênio, boro e enxofre. O manejo também favorece a ciclagem de nutrientes e a adição de carbono em profundidade.
A calagem integra esse conjunto de práticas ao neutralizar a acidez e elevar a disponibilidade de cálcio e magnésio. A correção favorece ainda a disponibilidade de fósforo e o desenvolvimento radicular, condição que ganha importância diante da perspectiva de um El Niño forte na safra 2026/27.
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