Magnésio ganha espaço no manejo para elevar produtividade da cana
Nutriente influencia fotossíntese, acúmulo de açúcar e resposta à adubação
O magnésio, muitas vezes tratado como nutriente secundário no manejo nutricional, tem papel direto na produtividade e na qualidade tecnológica da cana-de-açúcar. Além de participar da fotossíntese, o nutriente atua em processos relacionados à formação e ao transporte de sacarose na planta.
O tema foi abordado por Carlos Alexandre Costa Crusciol, professor titular do Departamento de Produção Vegetal da UNESP-FCA, durante o III EnTéc Cana, promovido pela DNAgro e pelo CTC, em Ourinhos – SP. A palestra discutiu a importância do magnésio para que a cultura alcance seu potencial produtivo.
Na cana-de-açúcar, o magnésio participa da regulação entre a síntese de amido e o transporte de compostos utilizados na formação de sacarose. Também atua como ativador e cofator de enzimas envolvidas nesse processo, o que amplia sua importância durante a maturação.
A principal forma de fornecimento de magnésio é a calagem com calcário dolomítico. Segundo os dados apresentados, porém, o calcário pode apresentar elevada concentração de cálcio, entre 30% e 40%, enquanto a de magnésio varia de 1% a 13%, condição que pode contribuir para desequilíbrios nutricionais na rizosfera.
Excesso de potássio pode limitar absorção de magnésio
Um dos pontos de atenção está na relação entre potássio e magnésio. Resultados apresentados por Crusciol mostram que concentrações elevadas de potássio podem reduzir a absorção de magnésio pelas raízes. Nos experimentos, o aumento das doses de K elevou sua concentração nas folhas, colmos e raízes, enquanto os teores de Mg diminuíram.
Essa interação ganha importância em áreas que recebem vinhaça, devido ao aporte de potássio. O fornecimento adequado de magnésio aumentou a atividade da Rubisco, enzima ligada à fixação de carbono, nos tratamentos com diferentes níveis de K. A exceção ocorreu na maior concentração de potássio, resultado atribuído à deficiência de magnésio induzida pelo excesso de K.
Para avaliar os efeitos no campo, foram conduzidos dois experimentos em Boa Esperança do Sul – SP, em áreas da Usina Santa Cruz, do Grupo São Martinho. Os trabalhos, realizados com a variedade RB86-7515, compararam condições com e sem aplicação de vinhaça e avaliaram o fornecimento foliar de magnésio.
Aplicação foliar tem efeito sobre produção de açúcar
Na área sem vinhaça, a aplicação foliar de magnésio aumentou a eficiência do uso da água e de carboxilação, reduziu a peroxidação lipídica e a concentração foliar de amido e elevou significativamente a produtividade de colmos e de açúcar.
Na área com vinhaça, houve ainda aumento da atividade das enzimas fotossintéticas PEPCase e Rubisco e do ATR. O efeito sobre a produção de açúcar foi maior nessa condição em relação ao ambiente que não recebeu vinhaça.
Adubação com magnésio amplia produtividade
O professor também apresentou resultados de experimentos com Kieserita, fonte de magnésio e enxofre utilizada em conjunto com a adubação mineral. Os trabalhos foram realizados em cana-soca, em Lençóis Paulista – SP, com a variedade RB966928, e compararam o padrão de adubação da usina com tratamentos complementados com Kieserita e Kieserita com boro.
No ambiente de maior potencial produtivo, a produtividade de colmos passou de 107 toneladas por hectare no padrão da usina para 115 toneladas com Kieserita e 114 toneladas com Kieserita e boro. A produção de açúcar aumentou de 15,9 toneladas por hectare para 17,3 e 17 toneladas, respectivamente. O ATR não apresentou diferença significativa entre os tratamentos.
No ambiente mais restritivo, a produtividade passou de 103 toneladas de colmos por hectare no padrão para 111 toneladas com Kieserita e 113 toneladas com Kieserita e boro. A produção de açúcar subiu de 10,6 para 11,8 e 12,1 toneladas por hectare, respectivamente. O ATR avançou de 102 quilos por tonelada para 106 e 107 quilos por tonelada.
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