Máquinas a etanol podem chegar a 30% das vendas da Grunner
Fabricante investiu R$ 19,5 milhões em novas soluções para o campo
As máquinas movidas a etanol podem representar cerca de 30% das vendas da Grunner no próximo ano, segundo estimativa da fabricante. A nova motorização foi apresentada nesta quarta-feira (23), durante o primeiro dia do Grunner Day 2026, em Lençóis Paulista – SP, junto com equipamentos movidos a biometano.
As novas soluções fazem parte de um investimento de R$ 19,5 milhões, dos quais R$ 15,5 milhões foram destinados às novas matrizes energéticas e R$ 4 milhões ao desenvolvimento de uma plataforma específica para as máquinas agrícolas da companhia.
Os motores a etanol e biometano foram desenvolvidos em parceria com a MWM e podem equipar todo o portfólio da Grunner, incluindo a Linha ATR, destinada ao transbordo de cana-de-açúcar, a Linha ASP, para aplicação de vinhaça, e a Linha ADS, voltada à distribuição de sólidos. Os equipamentos já integram a oferta comercial da companhia.
A mudança amplia as alternativas de gestão energética das usinas, principalmente para aquelas que já produzem etanol ou biometano e podem utilizar esses combustíveis nas próprias operações. A estratégia também reduz a exposição às oscilações do diesel, segundo a companhia.
No caso do etanol, os testes realizados pela Grunner apontaram consumo entre 12 e 12,5 litros por hora em operações de campo. Segundo André Torquetti, gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner, o volume é semelhante ao registrado por equipamentos a diesel empregados na mesma atividade.
Para as usinas que produzem o próprio combustível, a possibilidade de abastecer a frota com etanol acrescenta uma alternativa à gestão da produção. Dependendo das condições operacionais e econômicas, o combustível pode ser utilizado nas máquinas ou destinado à comercialização.
“Quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado”, afirmou Torquetti.
Transbordo concentra demanda inicial
A expectativa é que a adoção do etanol avance inicialmente nas operações de transbordo de cana-de-açúcar, uma das atividades que concentra maior número de máquinas dentro das usinas. A tecnologia, no entanto, poderá ser aplicada aos demais equipamentos da Grunner.
Segundo Torquetti, a procura pela versão a etanol começou após o lançamento. A expectativa da empresa é que aproximadamente 30% das máquinas comercializadas no próximo ano sejam movidas a etanol.
Nova plataforma é desenvolvida para uso agrícola
Além das novas motorizações, a Grunner destinou R$ 4 milhões do investimento total ao desenvolvimento de uma plataforma específica para aplicação agrícola, criada em parceria com a Mercedes-Benz.
Até então, os equipamentos utilizavam como ponto de partida uma plataforma concebida originalmente para aplicações rodoviárias e posteriormente adaptada para o uso no campo. Com a nova arquitetura, a base passa a ser projetada desde sua concepção considerando as características e exigências das operações agrícolas.
A Mercedes-Benz permanece responsável pela plataforma e pelo fornecimento das motorizações a diesel, enquanto a MWM passa a fornecer os motores a etanol e biometano.
A nova plataforma foi projetada com foco em maior robustez, menor necessidade de intervenções e maior disponibilidade operacional. Segundo a Grunner, essas características também podem contribuir para ampliar a vida útil dos equipamentos e reduzir os custos de reparo e manutenção ao longo da operação.
Frota supera 1,5 mil equipamentos
A Grunner tem atualmente mais de 1.500 equipamentos em operação no Brasil. A fabricante também prevê oferecer retrofit para equipamentos que já operam com motor diesel, permitindo a conversão para etanol. A alternativa não estará disponível para a motorização a biometano.
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