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Açúcar cai no início de abril com pressão de oferta global

Produção maior na Índia e no Brasil mantém preços em baixa

O mercado de açúcar abriu abril em trajetória de queda, com recuo nas bolsas internacionais e no mercado físico brasileiro. O movimento reflete uma combinação de maior disponibilidade global e ajuste técnico após a valorização observada ao longo de março.

Na ICE Futures, os contratos do açúcar bruto registraram perdas no fechamento de quinta-feira (2). O vencimento maio/26 caiu para 15,00 cents de dólar por libra-peso, enquanto julho/26 e outubro/26 também recuaram, mantendo a tendência negativa que marcou o início do mês.

Em Londres, na ICE Europe, o açúcar branco acompanhou o movimento. Os principais vencimentos apresentaram desvalorização, com o contrato maio/26 sendo negociado próximo de US$ 435 por tonelada, em um cenário de pressão generalizada sobre os preços.

No mercado interno, o indicador do açúcar cristal em São Paulo, apurado pelo Cepea/ESALQ, também registrou queda, com a saca de 50 quilos sendo negociada pouco acima de R$ 105. O desempenho mantém o viés negativo no início do mês, ampliando as perdas já observadas na virada de março.

A tendência se estendeu para o começo da semana seguinte. Nesta segunda-feira (6), os contratos em Nova York continuaram em baixa, com o vencimento maio operando abaixo de 15 cents/lbp nas primeiras negociações. No mesmo dia, o mercado europeu permaneceu fechado por conta do feriado de Páscoa, concentrando a formação de preços na praça norte-americana.

O ajuste recente ocorre após os preços atingirem níveis elevados no fim de março, quando chegaram a máximas de vários meses impulsionados pela valorização do petróleo. Com a acomodação desse fator, os fundamentos voltaram a predominar, especialmente os relacionados à oferta.

Nesse contexto, o avanço da produção em países-chave reforça o cenário de pressão. Na Índia, a produção acumulada na safra 2025/26 até o fim de março superou 27 milhões de toneladas, com crescimento relevante na comparação anual, segundo a federação de cooperativas do setor.

No Brasil, dados da UNICA indicam produção de açúcar acima de 40 milhões de toneladas no Centro-Sul até meados de março, com leve alta em relação ao ciclo anterior. O mix mais açucareiro também contribui para elevar a oferta global.

Apesar do viés de baixa, alguns fatores ainda atuam como suporte pontual. Interrupções logísticas no comércio internacional e oscilações no mercado de energia podem limitar movimentos mais acentuados de queda. Ainda assim, a expectativa predominante segue ligada a um ambiente de maior disponibilidade, com impacto direto sobre a formação de preços no curto prazo.

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