Banco Pine reduz projeção do PIB e eleva inflação para 5,4%
O Banco Pine reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 e elevou de 5,1% para 5,4% a estimativa de inflação. A revisão reflete a perda de ritmo da atividade, especialmente nos setores mais dependentes de crédito, e a persistência das pressões sobre os preços. Apesar disso, a instituição manteve a previsão de redução gradual dos juros.
As estimativas constam do relatório Pine Macro, divulgado na terça-feira (13). Para 2027, a expectativa é de expansão de apenas 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), em um ambiente de menor estímulo fiscal, desaceleração da renda e restrições ao consumo e aos investimentos. A taxa média de desemprego deverá subir de 5,3% neste ano para 5,8% no próximo.
Na análise por setores, a agropecuária apresenta uma das mudanças mais expressivas. Após crescimento estimado em 2,9% em 2026, a atividade deverá recuar 0,8% em 2027. A indústria deve avançar 1,5% e 1%, respectivamente, enquanto os serviços terão expansão de 1,7% neste ano e 0,9% no seguinte.
Inflação mantém juros em patamar elevado
A resistência dos preços de serviços, as pressões sobre itens administrados e a volatilidade de determinados componentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dificultam o processo de desinflação. Para 2027, porém, o banco reduziu a previsão do indicador de 4,8% para 4,5%, ainda acima do centro da meta de 3%.
A perspectiva de enfraquecimento da demanda e os efeitos acumulados da política monetária sustentam a expectativa de inflação menor no próximo ano. O cenário, contudo, permanece exposto às oscilações dos preços de alimentos e petróleo, além do comportamento das expectativas do mercado.
O Banco Pine prevê que a taxa Selic encerrará 2026 em 13,25% ao ano, após dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual. Para o fim de 2027, a estimativa é de 11,25%. A instituição considera que a inflação acima da meta exige cautela do Banco Central, mesmo diante dos sinais de desaceleração econômica.
Eleições influenciam condições financeiras
O primeiro turno das eleições foi acompanhado por uma melhora das condições financeiras no país, segundo o Indicador de Condições Financeiras do Banco Pine (FCI-Pine). A queda dos juros futuros, a valorização do real, a redução dos prêmios de risco e a alta do mercado acionário contribuíram para tornar o ambiente menos restritivo.
Essa mudança poderá beneficiar o crédito e os investimentos em 2027, já que os efeitos sobre a economia costumam aparecer entre seis e doze meses depois. O banco, entretanto, ainda não incorporou essa possibilidade às estimativas, por considerar que a melhora recente depende de sua continuidade.
A avaliação é de que o resultado do segundo turno, a composição da equipe econômica e as diretrizes da política fiscal serão determinantes para o comportamento dos mercados. Uma redução mais duradoura das restrições financeiras poderá favorecer um crescimento superior ao atualmente projetado.
Superávit comercial deve alcançar US$ 81,5 bilhões
No comércio exterior, a instituição reduziu de US$ 85,2 bilhões para US$ 81,5 bilhões a previsão de superávit em 2026, principalmente devido ao aumento das importações estimadas para US$ 293,5 bilhões. As exportações deverão somar US$ 375 bilhões. Para 2027, o saldo positivo projetado é de US$ 92,4 bilhões.
A cotação do dólar foi mantida em R$ 5,15 ao final dos dois anos. O banco também prevê déficit em conta corrente de US$ 54,4 bilhões em 2026, equivalente a 2% do PIB, diante de ingressos de investimento direto no país estimados em US$ 88 bilhões.
Nas contas públicas, a dívida bruta deverá passar de 83,3% do PIB em 2026 para 87,9% em 2027. O resultado primário consolidado, projetado em déficit de 0,4% do PIB neste ano, deverá atingir equilíbrio no próximo, enquanto o déficit nominal deve diminuir de 8,8% para 8,1% do PIB.
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