Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Cana bisada pode chegar a 50 milhões de toneladas no Centro-Sul

Canaplan projeta moagem de até 640 milhões de toneladas em 2027/28

O volume de cana bisada no Centro-Sul do Brasil poderá variar entre 30 milhões e 50 milhões de toneladas na transição entre as safras 2026/27 e 2027/28, segundo projeções apresentadas por Nilceu Cardozo durante a segunda reunião da Canaplan, realizada na última quinta-feira (22), em Ribeirão Preto – SP. O atraso da moagem, provocado pelas chuvas, aumenta os riscos de deterioração da matéria-prima e pode comprometer o desempenho agrícola da próxima temporada.

Para 2027/28, a consultoria estima moagem entre 623,2 milhões e 639,6 milhões de toneladas, considerando uma área de colheita de 8,2 milhões de hectares e produtividade de 76 a 78 toneladas por hectare. Apesar da disponibilidade de cana remanescente, o aproveitamento desse volume dependerá das condições climáticas e do ritmo das operações agrícolas.

Chuvas elevam produtividade e reduzem qualidade da cana

A precipitação acumulada durante a formação da safra 2026/27 atingiu 1.311 milímetros, ante 1.065 milímetros no ciclo anterior e uma média histórica de 1.293 milímetros. No outono e inverno, as chuvas somaram 472 milímetros, acima dos 220 milímetros registrados em 2025/26 e da referência histórica de 273 milímetros. Além do volume, a distribuição das precipitações reduziu os dias disponíveis para a colheita.

Com maior disponibilidade hídrica, a produtividade agrícola chegou a 85,4 toneladas por hectare no acompanhamento apresentado pela Canaplan, superando a estimativa inicial de 81,2 toneladas. O ganho, entretanto, não foi acompanhado pela qualidade da matéria-prima. O açúcar total recuperável (ATR) recuou para 129,8 quilos por tonelada, ante uma previsão de 135,1 quilos, atingindo um dos menores níveis das últimas duas décadas.

Segundo Cardozo, a queda do ATR resulta de uma combinação de fatores, incluindo o tombamento dos canaviais, o aumento das impurezas vegetais, a maior participação de variedades com elevado vigor vegetativo e o deslocamento da moagem para períodos de menor maturação.

O levantamento indica que a safra poderá chegar ao final de outubro com 80,3% do potencial colhido, abaixo da média histórica de 88,6%. Até esse período, a moagem deverá alcançar aproximadamente 536,5 milhões de toneladas, deixando cerca de 136 milhões de toneladas no campo e uma área próxima de 1,93 milhão de hectares ainda por colher.

Em uma simulação com disponibilidade de 676,5 milhões de toneladas, o processamento de 643,3 milhões deixaria 33,2 milhões de toneladas de cana bisada. Caso a moagem fique em 622 milhões, a sobra poderá atingir 54,5 milhões de toneladas. O resultado dependerá da capacidade de processamento e das condições climáticas até o encerramento da temporada.

El Niño amplia riscos para a safra 2027/28

A formação do El Niño acrescenta incertezas ao cenário. Os modelos apresentados pela Canaplan indicam que o aquecimento das águas do Pacífico poderá atingir seu pico entre novembro e dezembro de 2026, com anomalias próximas ou superiores a 3,5 graus Celsius. A expectativa é de enfraquecimento do fenômeno ao longo do verão e transição para a neutralidade a partir do outono de 2027.

Cardozo comparou o comportamento climático atual aos ciclos de 2009/10, 2015/16 e 2023/24, marcados por mudanças na distribuição das chuvas e períodos de temperaturas elevadas. Nessas ocasiões, a produtividade apresentou oscilações significativas, sobretudo na segunda metade das temporadas seguintes.

Para 2027/28, a Canaplan considera um cenário de outono e inverno com características de normalidade, tempo seco e temperaturas elevadas. A ocorrência de ondas de calor poderá acelerar a desidratação da cana bisada e comprometer o rendimento das áreas colhidas mais tarde.

Outro ponto de atenção é a extensão da moagem entre dezembro de 2026 e março de 2027. Além de reduzir o período de crescimento da cana destinada à safra seguinte, as operações em solo úmido aumentam os riscos de compactação, pisoteio e arranquio de soqueiras. A consultoria também prevê envelhecimento dos canaviais, diante da redução dos investimentos em renovação e das dificuldades para realizar reformas nas áreas agrícolas.

Na avaliação apresentada, a cana bisada não representa necessariamente produção adicional. Parte poderá ser processada ainda na safra 2026/27, enquanto outra parcela estará sujeita a perdas de qualidade e produtividade, dependendo do momento da colheita.

Produção de açúcar pode superar 40 milhões de toneladas

Nos cinco cenários elaborados pela Canaplan para 2027/28, o ATR produzido foi estimado em 138 quilos por tonelada de cana, com volume total entre 86 milhões e 88,26 milhões de toneladas. O indicador considera uma recuperação da qualidade em relação à safra atual, embora o resultado dependa das condições agrícolas ao longo do ciclo.

Com um mix de 50% destinado ao açúcar, a produção poderá variar entre 39,33 milhões e 40,37 milhões de toneladas. Para o etanol, as projeções ficam entre 26,31 milhões e 27 milhões de metros cúbicos. A consultoria avalia que o açúcar poderá recuperar participação no mix, mas ressalta que a distribuição dependerá das condições de mercado e da qualidade da matéria-prima.

No cenário intermediário, a Canaplan projeta moagem de 631,4 milhões de toneladas, produtividade agrícola de 77 toneladas por hectare e produção de 39,85 milhões de toneladas de açúcar e 26,65 milhões de metros cúbicos de etanol.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *