BTG reduz projeção para o PIB de 2027 e alerta para fiscal
Relatório aponta desaceleração da economia e avanço da dívida
A economia brasileira deve encerrar 2026 com crescimento acima do previsto anteriormente, mas perder ritmo no próximo ano diante de juros elevados e do agravamento do quadro fiscal. A avaliação consta no relatório Cenário Macro Brasil, divulgado pelo BTG Pactual em junho de 2026, que revisou suas projeções para atividade econômica, inflação e contas públicas.
Segundo o banco, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passou de 1,9% para 2,0%, refletindo a resiliência da atividade econômica, sustentada pelo consumo das famílias, pelo mercado de trabalho aquecido e pelos investimentos. Para 2027, no entanto, a projeção foi reduzida de 1,6% para 1,1%.
Pressão inflacionária persiste
Apesar do desempenho da economia, a inflação continua acima da meta. O BTG elevou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 de 4,9% para 5,3%. Para 2027, a estimativa subiu de 4,2% para 4,5%.
O relatório atribui a revisão principalmente à alta do petróleo no mercado internacional, ao aumento dos custos logísticos e à persistência da inflação de serviços. O banco também incorporou ao cenário a possibilidade de um evento forte de El Niño, com potencial impacto sobre a produção agrícola e os preços dos alimentos na safra 2026/27.
Entre os componentes monitorados, a inflação dos alimentos no domicílio deve atingir 7,0% neste ano, enquanto a inflação de serviços é estimada em 6,7%, mantendo o desafio para a política monetária.
Dívida pública avança
O BTG destaca que os programas parafiscais anunciados pelo governo desde 2025 somam aproximadamente R$ 275 bilhões. Desse total, cerca de R$ 142 bilhões ainda devem ser injetados na economia ao longo de 2026, contribuindo para sustentar a demanda interna.
Nesse cenário, o banco projeta déficit nominal de 8,9% do PIB em 2026 e de 8,4% em 2027. A dívida bruta do governo geral deve alcançar 80,9% do PIB neste ano e avançar para 85,0% no próximo, apesar do bom desempenho da arrecadação federal.
O relatório também prevê déficit primário de 0,5% do PIB em 2026 e de 0,1% em 2027, indicando que o equilíbrio das contas públicas continua entre os principais desafios da economia brasileira.
Agronegócio e setor externo
No setor externo, a expectativa é de superávit comercial de US$ 90 bilhões em 2026 e 2027. Parte desse resultado é explicada pelo avanço da produção nacional de petróleo, que atingiu 4,3 milhões de barris por dia em abril, e pelos preços elevados da commodity.
Para o agronegócio, o BTG projeta uma safra recorde de grãos em 2026, impulsionada pela soja, cuja produção deve alcançar 180 milhões de toneladas. Já para a safra 2026/27, o banco trabalha com redução de 12% na produção de milho e de 2% na soja, considerando possíveis impactos climáticos associados ao El Niño.
Na política monetária, a instituição projeta uma última redução de 0,25 ponto percentual da Selic em junho, para 14,25%, seguida de estabilidade até o fim de 2026. Para 2027, a expectativa é de que a taxa básica encerre o ano em 12,5%, enquanto o câmbio deve permanecer próximo de R$ 4,90 por dólar.
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