Chuvas intensas elevam risco de erosão do solo e exigem manejo mais rigoroso no campo
Manejo inadequado amplia perdas de solo fértil e produtividade
O período chuvoso no Brasil aumenta os desafios da produção agropecuária e coloca a erosão do solo entre os principais riscos ao desempenho das lavouras. O problema se intensifica quando áreas agrícolas não adotam práticas adequadas de manejo do solo, o que pode resultar em perdas econômicas e ambientais de longo prazo. Em episódios de chuva intensa, o solo desprotegido tende a ser rapidamente carregado pela água, levando nutrientes, matéria orgânica e biodiversidade essenciais à produtividade.
Segundo o pesquisador Alexandre Ortega, da Embrapa Solos e Meio Ambiente, a conservação do solo deve ser contínua, inclusive em regiões que passaram por estiagens prolongadas. Após longos períodos secos, o solo fica mais vulnerável à ação das chuvas. Sem cobertura vegetal e técnicas de conservação de água e solo, as primeiras precipitações mais fortes podem provocar erosão significativa.
Eventos extremos recentes em diferentes regiões do país reforçam o alerta. Enchentes e deslizamentos registrados no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul evidenciaram a magnitude das perdas associadas a grandes volumes de chuva. Além da remoção da camada superficial, há comprometimento da estrutura física do solo, da vida microbiana e dos nutrientes acumulados ao longo de longos períodos, tornando a recuperação lenta e custosa.
Práticas conservacionistas reduzem riscos de erosão no campo
Entre as práticas recomendadas para reduzir o risco de erosão estão o plantio em curva de nível, que reduz a velocidade do escoamento, e a eliminação do plantio morro abaixo, considerado altamente erosivo. A manutenção da cobertura vegetal é outro ponto central, seja com palhada, restos culturais ou plantas de cobertura. No plantio direto, especialistas destacam que a eficiência depende da adoção correta das técnicas, com mínima mobilização do solo e diversidade de culturas capazes de proteger a superfície.
Em áreas com solos mais frágeis, o manejo deve respeitar os limites de uso de cada tipo de solo. O uso de espécies com sistema radicular mais desenvolvido contribui para preservar a estrutura e reduzir perdas causadas pela chuva. Em um cenário de mudanças climáticas, marcado pela alternância entre secas e chuvas intensas, a prevenção segue como a estratégia mais eficiente para proteger o solo e a produtividade agrícola.
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