Crédito rural perde fôlego e registra queda de 18,6 por cento na safra 2025/26
Alta dos juros e avanço da inadimplência reduzem contratos e freiam investimentos no campo
O crédito rural iniciou a safra 2025/26 em trajetória de retração no Brasil. Entre julho e novembro, os desembolsos somaram R$ 155,0 bilhões, o que corresponde a 38,2 por cento dos R$ 405,9 bilhões programados para o Plano Safra. O volume representa queda de 18,6 por cento frente ao mesmo período da safra anterior, quando os contratos alcançaram R$ 190,3 bilhões, segundo dados da FAESP Senar SP com base no Banco Central
A desaceleração também se reflete no número de operações. Foram firmados 1.012.709 contratos no acumulado da safra atual, redução de 5,6 por cento em relação às 1.072.751 operações registradas em 2024/25. O ticket médio caiu 13,7 por cento, passando de R$ 177,4 mil para R$ 153,0 mil, sinalizando maior cautela das instituições financeiras na concessão do crédito.
A retração atingiu todos os perfis de produtores. As operações do Pronaf totalizaram R$ 32,1 bilhões, recuo de 6,5 por cento. No Pronamp, os desembolsos somaram R$ 35,4 bilhões, queda de 8,3 por cento. Entre os demais produtores, a redução foi mais acentuada, com retração de 25,5 por cento e volume contratado de R$ 87,6 bilhões.
Corte nos investimentos aprofunda desaceleração
A análise por finalidade mostra que os investimentos concentraram a maior retração do crédito rural. O volume contratado nessa modalidade caiu 33,0 por cento, passando de R$ 49,4 bilhões para R$ 33,0 bilhões. Programas voltados à modernização da produção apresentaram recuos expressivos. O Moderfrota registrou queda de 59,1 por cento, com desembolsos reduzidos de R$ 4,86 bilhões para R$ 1,99 bilhão. O Inovagro e o Moderagro tiveram retração de 46,6 por cento, enquanto o Renovagro caiu 40,9 por cento.
O custeio, principal linha do crédito rural, somou R$ 92,6 bilhões, retração de 17,8 por cento. Já a comercialização recuou 16,0 por cento, totalizando R$ 14,4 bilhões. Em sentido oposto, a industrialização avançou 33,5 por cento, alcançando R$ 14,9 bilhões, movimento insuficiente para compensar a forte queda dos investimentos.
O ambiente financeiro mais restritivo tem sido agravado pelo aumento da inadimplência. Nas operações de pessoas físicas contratadas a taxas de mercado, o percentual de contratos com atraso superior a 90 dias atingiu 11,4 por cento em outubro. Entre pessoas jurídicas, a inadimplência permaneceu abaixo de 1,0 por cento, mas apresentou tendência de alta ao longo de 2025.
São Paulo segue tendência nacional com queda de 13,9 por cento
No Estado de São Paulo, os desembolsos de crédito rural somaram R$ 14,3 bilhões entre julho e novembro da safra 2025/26, retração de 13,9 por cento frente aos R$ 16,6 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. O número de contratos caiu 23,0 por cento, de 28.519 para 21.961 operações. Com isso, o ticket médio avançou 11,8 por cento, atingindo R$ 651,4 mil.
Entre os programas, apenas o Pronamp apresentou leve crescimento no Estado, com alta de 0,4 por cento e volume contratado de R$ 3,42 bilhões. O Pronaf recuou 3,6 por cento, enquanto os demais produtores registraram queda de 18,3 por cento. Assim como no cenário nacional, os recursos destinados a investimento foram os mais afetados, com retração de 40,5 por cento.
A participação paulista no total desembolsado no país permaneceu em 9,2 por cento, colocando o Estado na quinta posição do ranking nacional. O desempenho reforça que o crédito rural segue disponível, porém em ritmo inferior ao observado em safras anteriores, com impactos diretos sobre a capacidade de investimento e a sustentação da produção agropecuária ao longo do ciclo 2025/26.
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