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Demanda fraca pressiona preços do açúcar no mercado internacional

Entregas elevadas e revisão do déficit pesam sobre as cotações

Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira em queda no mercado internacional. Em Nova York, o contrato de outubro do açúcar bruto recuou 0,46%, enquanto o açúcar branco para dezembro, negociado em Londres, caiu 1,43%, segundo informações da Barchart.

O mercado acompanha o vencimento do contrato de outubro em Nova York, previsto para quarta-feira. De acordo com a McDougall Global Views, o volume de contratos em aberto indica que as entregas podem alcançar cerca de 1,8 milhão de toneladas, acima da média dos últimos seis anos, movimento interpretado como sinal de menor demanda física.

A pressão já havia aparecido na última terça-feira, quando as cotações atingiram a mínima de um mês em Nova York e de um mês e meio em Londres. No mercado londrino, o vencimento do contrato de outubro resultou na entrega de 499,35 mil toneladas, alta de 91% em relação ao ano anterior e uma das maiores já registradas para esse vencimento.

Déficit menor altera percepção sobre oferta

Outro fator que pesou sobre as cotações foi a revisão das estimativas para o balanço mundial. A StoneX reduziu a projeção de déficit global de açúcar em 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas.

As estimativas para a próxima temporada, no entanto, apresentam diferenças. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, após superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. A Covrig Analytics trabalha com déficit de 300 mil toneladas para o próximo ciclo.

Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit global de 2,9 milhões de toneladas e produção de 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% na comparação anual. A projeção considera problemas climáticos em importantes regiões produtoras e a possibilidade de maior direcionamento da cana brasileira para a fabricação de etanol.

O posicionamento dos fundos adiciona outro componente ao mercado. O relatório Commitment of Traders mostra que as posições líquidas compradas em açúcar em Nova York aumentaram em 791 contratos na semana encerrada em 15 de setembro, para 161.342, maior volume em quase três anos. Esse nível de exposição pode ampliar movimentos de baixa em caso de liquidação das posições.

Clima mantém incerteza entre grandes produtores

Apesar da pressão associada à demanda, as condições de oferta ainda oferecem suporte ao mercado. Na Índia, as chuvas acumuladas durante a temporada de monções estavam 15% abaixo da média até 23 de setembro, segundo o Departamento Meteorológico do país. O quadro melhorou em relação ao fim de junho, quando o déficit chegava a 42%, mas o órgão alerta que a atual monção pode ser a mais fraca em 17 anos.

A Índia, segundo maior produtor mundial, também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro. A medida chama atenção porque o país tradicionalmente atua como exportador e não registrava importações significativas desde a safra 2017/18.

Na Tailândia, segundo maior exportador mundial, as perspectivas apontam menor oferta. A Thai Sugar Millers Corp. estima queda de 17% na produção em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta volume de 9,5 milhões de toneladas, recuo de 15,6% na comparação anual.

No Brasil, a redução da produção funciona como contraponto à pressão baixista. No Centro-Sul, a fabricação de açúcar caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas. Para toda a safra 2026/27, o FAS projeta produção brasileira de 42,5 milhões de toneladas, queda de 3% em relação ao ciclo anterior.

Estoques globais podem avançar em 2026/27

As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos acrescentam outro componente ao cenário. O USDA estima que o consumo humano mundial de açúcar alcance o recorde de 179,991 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 0,4% na comparação anual. Ao mesmo tempo, os estoques finais mundiais são projetados em 44,410 milhões de toneladas, aumento de 2% em relação ao ano anterior. Para a Índia, o FAS estima produção de 33,6 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 12%, sustentado pelas condições de chuva consideradas na projeção e pelo aumento da área cultivada com cana-de-açúcar.

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