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Sorgo amplia espaço no campo e abre novas frentes de mercado

Cereal avança na reforma de canaviais e ganha impulso com exportação e etanol

O sorgo amplia sua presença no agronegócio brasileiro apoiado em diferentes frentes de demanda. Além do cultivo para produção de grãos, o cereal ganha espaço em áreas de reforma de canaviais, na indústria de etanol e na alimentação animal. A abertura do mercado chinês acrescenta agora uma alternativa de comercialização para os produtores brasileiros.

No setor sucroenergético, uma das aplicações está no período de renovação dos canaviais, quando a retirada da cultura deixa o solo mais exposto à erosão, principalmente em áreas arenosas. O sorgo forrageiro vem sendo utilizado como planta de cobertura para proteger a superfície e aumentar o aporte de biomassa antes do novo plantio de cana-de-açúcar.

A Advanta Seeds desenvolveu materiais voltados a esse uso e lançou para a safra 2026/27 o ADV 2650 IG, sorgo forrageiro direcionado à produção de biomassa e à rápida cobertura do solo. O híbrido conta com a tecnologia igrowth, que confere tolerância genética a herbicidas do grupo das imidazolinonas.

Segundo Henrique Pepato, engenheiro agrônomo e gerente comercial da Regional Centro-Sul da Advanta, uma das dificuldades durante a reforma é encontrar opções de cobertura compatíveis com o manejo adotado nas áreas.

“Uma das principais dores da usina em uma área de reforma com manejo de herbicidas são as poucas opções de plantas para cobertura e o risco de erosão. Isso significa perda de solo, de área agricultável e de nutrientes”, afirma.

Biomassa protege o solo antes do novo plantio de cana

O plantio do sorgo destinado à cobertura ocorre normalmente entre setembro e novembro, período de maior ocorrência de chuvas em importantes regiões produtoras. Ensaios conduzidos pela empresa durante a safra 2025/26 apontaram potencial de produção entre 15 e 30 toneladas de matéria seca por hectare, dependendo das condições da área, clima, época de plantio, manejo e fertilidade.

Depois do manejo, a palhada permanece sobre o solo e mantém a proteção até a implantação do novo canavial. À medida que o material se decompõe, parte da biomassa passa a integrar a matéria orgânica, com efeitos sobre características físicas, químicas e biológicas do solo.

“Quando há um aporte maior de matéria orgânica, melhora a infiltração e a retenção de água, além da aeração e temperatura do solo, o que permite um melhor desenvolvimento das raízes do canavial no ano seguinte”, diz Pepato.

O sorgo forrageiro também pode ser aproveitado em sistemas integrados com pecuária. A capacidade de rebrota permite que o material seja destinado à alimentação animal durante o intervalo entre ciclos da cana, acrescentando uma possibilidade de uso econômico da área.

Essa diversificação ocorre em paralelo ao crescimento da demanda pelo sorgo granífero. Segundo Pepato, o menor custo de produção em relação ao milho e a expansão do mercado de biocombustíveis estão entre os fatores que têm favorecido a cultura.

Exportação para a China cria nova alternativa para o cereal

No comércio exterior, o sorgo brasileiro passou a contar com uma nova frente após a abertura do mercado chinês. Em agosto, a COFCO International realizou seu primeiro embarque brasileiro em grande escala para a China, com uma carga de 69 mil toneladas.

O carregamento saiu do Terminal Export COFCO, no Porto de Santos – SP, com destino ao Porto de Nansha, em Guangzhou. A viagem do navio graneleiro Guoyuan 26 deverá durar aproximadamente 45 dias. Na China, o produto será distribuído pela COFCO Trading.

A operação ocorre após a entrada em vigor do protocolo fitossanitário firmado entre Brasil e China em novembro de 2024. A liberação comercial das exportações brasileiras de sorgo ocorreu a partir de 2025. O acordo estabelece requisitos técnicos e fitossanitários para as cargas destinadas ao mercado chinês.

“A abertura do mercado chinês cria novas possibilidades para o sorgo brasileiro, ampliando as alternativas de comercialização para os produtores e conectando a produção nacional a um importante mercado consumidor”, afirma Luiz Noto, CEO da divisão de Grãos e Oleaginosas da COFCO no Brasil.

A China utiliza o sorgo principalmente na alimentação animal e na fabricação de baijiu, bebida tradicional do país. Para o produtor brasileiro, a entrada nesse mercado adiciona a exportação às alternativas de destino de uma cultura que já encontra demanda doméstica em diferentes cadeias.

Etanol amplia demanda e gera coproduto para a pecuária

A industrialização do sorgo para produção de etanol é outra frente de expansão. O processamento também gera DDGS, sigla em inglês para grãos secos de destilaria com solúveis, coproduto que pode ser empregado na alimentação animal.

A Inpasa e a Universidade Federal de Goiás conduzem um estudo com 200 bovinos Nelore para avaliar o uso de DDGS produzido exclusivamente a partir de sorgo na alimentação de animais confinados. Os bovinos foram distribuídos em 25 baias e estão na fase de terminação intensiva.

As dietas utilizam milho e 8,5% de bagaço de cana-de-açúcar como fonte de fibra. No experimento, o milho é substituído gradualmente pelo DDGS de sorgo, em proporções de até 50% da matéria seca. São avaliados indicadores como ganho diário de peso, conversão alimentar, consumo, aproveitamento de nutrientes e rendimento de carcaça.

Segundo Juliano Fernandes, pesquisador e professor de nutrição de ruminantes da Escola de Veterinária e Zootecnia da UFG, os resultados iniciais indicaram rápida adaptação dos animais ao coproduto.

“O principal destaque foi a segurança digestiva e a rápida aceitação do produto pelos animais. Mesmo com metade da ração composta por DDGS de sorgo, observamos uma adaptação acelerada. O gado atingiu um excelente ritmo de consumo em menos de uma semana”, afirma.

Após o encerramento do confinamento e o abate, serão avaliados rendimento de carcaça, espessura de gordura e parâmetros de digestibilidade. Inpasa e UFG também preparam novos estudos para testar o DDGS de sorgo na suplementação de bovinos a pasto durante a recria.

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