Dólar mais fraco reduz ganhos do açúcar e desestimula exportações
Mesmo com alta em Nova York, valorização do real limita receita dos produtores brasileiros
A valorização do real frente ao dólar reduziu a atratividade das exportações brasileiras de açúcar, mesmo diante da recuperação das cotações internacionais. O movimento cambial limitou os ganhos em moeda nacional e ajuda a explicar a valorização discreta do cristal branco no mercado spot paulista, observada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A diferença entre o desempenho externo e a remuneração doméstica foi destacada por Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting. Em sua análise, o contrato de açúcar para março de 2027 encerrou a semana cotado a 20,27 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York, com valorização de 1,7%. No mesmo período, o dólar recuou 4,4%, para R$ 4,9866.
Com isso, o valor equivalente do açúcar caiu de aproximadamente R$ 2.292 para R$ 2.228 por tonelada, redução de 2,8%, apesar da alta na bolsa americana. O resultado evidencia o peso do câmbio sobre a receita dos exportadores e a importância de considerar as duas variáveis na comercialização.
A análise também mostra que, em um horizonte mais longo, o contrato março de 2027 acumulou valorização de cerca de 15% em dólar, enquanto seu equivalente em reais recuou quase 8%. Para Corrêa, a proteção cambial precisa acompanhar as operações de fixação de preços para evitar perdas de margem.
Fundos ampliam posições e sustentam cotações
Além do câmbio, a atuação dos fundos de investimento contribuiu para a recuperação do açúcar em Nova York. Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), citados por Corrêa, mostram que esses agentes elevaram suas posições compradas em 60.442 contratos em uma semana, alcançando 212.559 contratos.
O avanço ocorreu em meio a preocupações com a oferta global, incluindo atrasos na moagem brasileira provocados pelas chuvas e perspectivas de menor produção em importantes países produtores. Segundo a análise da Archer Consulting, a menor disponibilidade de vendedores também pode estar relacionada ao adiantamento das fixações de preços pelas usinas para a próxima safra.
No mercado brasileiro, entretanto, a alta internacional não se converteu em melhores condições de exportação. O Cepea observa que o dólar mais fraco diminuiu o incentivo às vendas externas, contribuindo para sustentar as cotações em Nova York, mas sem oferecer suporte adicional aos preços domésticos.
Demanda mantém etanol hidratado em alta
Enquanto o açúcar enfrenta os efeitos do câmbio, o etanol hidratado registrou aumentos mais expressivos no mercado paulista, impulsionados pelo crescimento das negociações e pela postura firme dos vendedores.
Segundo o Cepea, o feriado de 12 de outubro estimulou as compras das distribuidoras para atender à demanda adicional e recompor estoques. Com a maior procura, os compradores aceitaram preços mais elevados, enquanto as cotações do etanol anidro permaneceram praticamente estáveis.
As chuvas também prejudicaram as atividades industriais nas unidades produtoras e dificultaram a retirada de volumes negociados anteriormente, interferindo no abastecimento do mercado paulista.
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