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Etanol amplia competitividade com safra recorde e preços em queda

Expansão da oferta aumenta expectativa pela definição do E32

A combinação entre o avanço da moagem de cana no Centro-Sul, a expansão da produção de etanol de milho e a queda dos preços fortalece o mercado brasileiro de biocombustíveis. O cenário amplia a competitividade do etanol frente à gasolina e reforça a expectativa do setor pela definição sobre o E32, proposta que eleva de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina.

A perspectiva é de uma das maiores ofertas de etanol da história. Além da produção obtida a partir da cana-de-açúcar, novas plantas industriais de etanol de milho devem acrescentar mais de 2 bilhões de litros à capacidade nacional, ampliando a disponibilidade do combustível nos próximos ciclos. O aumento da produção exige, na avaliação do setor, a expansão do mercado consumidor para absorver esse volume.

Segundo levantamento da SCA Brasil, o momento também favorece o biocombustível do ponto de vista econômico. Desde o início da instabilidade geopolítica no mercado internacional de energia, a gasolina acumulou alta de 5,4% ao consumidor, enquanto o etanol registrou queda de 24% no preço ao produtor e de 11% nas bombas. A paridade entre os combustíveis permanece próxima de 60% nos principais mercados, patamar considerado favorável para os veículos flex.

E32 permanece sem calendário de votação

O adiamento da análise do E32 mantém em compasso de espera produtores, usinas e investidores. A medida é considerada estratégica para acompanhar o crescimento da produção nacional de biocombustíveis, sobretudo diante da rápida expansão do etanol de milho, que vem alterando o perfil da oferta brasileira.

Para o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, a ampliação da mistura poderá gerar uma demanda adicional entre 600 milhões e 1 bilhão de litros de etanol por ano. Além de ampliar o consumo interno, a medida tende a reduzir a necessidade de importação de gasolina e oferecer maior previsibilidade para decisões de investimento e planejamento da produção.

Enquanto não há definição sobre a proposta, o setor segue sem uma sinalização clara sobre a evolução da demanda doméstica. A ausência de um calendário para votação prolonga a incerteza justamente em um momento de expansão da capacidade produtiva e de entrada de novas unidades industriais no mercado.

Preços recuam com avanço da safra

O aumento da disponibilidade de etanol já começa a ser percebido pelo consumidor. Segundo o Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe/Fipe, divulgado na quarta-feira (1º), o etanol hidratado apresentou a maior queda entre os combustíveis em junho, com recuo de 4,7% em relação a maio e preço médio nacional de R$ 4,265 por litro. Nas capitais, a média foi de R$ 4,425.

No mesmo período, a gasolina comum caiu 0,3%, para R$ 6,727 por litro, enquanto o diesel comum recuou 2%, para R$ 6,988. Apesar da acomodação observada nos últimos meses, diesel e gasolina ainda acumulam altas em 2026. O etanol, por sua vez, é o único combustível com variação negativa no semestre, registrando queda de 4,7%. De acordo com o superintendente de Negócios B2B da Veloe, Mauro Kondo, o comportamento dos preços reflete a maior disponibilidade de etanol no mercado e a redução parcial das pressões sobre o petróleo no cenário internacional. A evolução da safra 2026/27 e a entrada de novas usinas de etanol de milho deverão continuar ampliando a oferta do biocombustível nos próximos anos.

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