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Geotecnologia triplica capacidade de retenção de água no solo

Pesquisa da Embrapa e Itaipu utiliza drones para melhorar terraços e reduzir a erosão no Paraná

O uso de geotecnologias no redimensionamento de terraços agrícolas triplicou a capacidade de retenção de água no solo e reduziu a erosão em uma área de 115 hectares na bacia hidrográfica de Toledo, no oeste do Paraná. O resultado faz parte de uma pesquisa conduzida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Itaipu Binacional, que combinou imagens de drones, modelagem digital do terreno e parâmetros hidrológicos para aprimorar as estruturas de conservação do solo.

A intervenção substituiu 43 terraços considerados ineficientes por 29 estruturas reprojetadas. Com as mudanças, a capacidade de retenção de água passou de 22 milímetros para 71 milímetros, enquanto a altura média dos terraços aumentou de 0,26 metro para 0,72 metro. O novo dimensionamento também levou em consideração as características das máquinas agrícolas utilizadas atualmente.

Segundo o pesquisador da Embrapa Júlio Franchini, a avaliação convencional dos terraços, baseada principalmente em altura e largura, não é suficiente para determinar seu desempenho diante de chuvas intensas. A metodologia desenvolvida incorpora informações sobre infiltração de água, relevo e escoamento superficial, permitindo identificar estruturas com maior risco de falhas.

“Nosso foco é aprimorar o dimensionamento do sistema de terraceamento, a partir da integração da taxa de infiltração, dos modelos digitais de elevação e de Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), visando reduzir os impactos da erosão hídrica promovida por eventos extremos de chuva no Paraná”, afirma Franchini.

Chuvas intensas motivaram revisão das estruturas

A necessidade de modernização ficou evidente após um episódio registrado em outubro de 2017, quando a região recebeu 160 milímetros de chuva em aproximadamente 18 horas. O volume provocou o transbordamento de terraços e uma perda estimada de 7.500 metros cúbicos de solo, expondo limitações das estruturas existentes.

Para desenvolver o novo projeto, os pesquisadores utilizaram modelos digitais de elevação produzidos a partir de levantamentos com drones e o software Terraço 4.1, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). As ferramentas permitiram avaliar o comportamento da água no terreno e definir alterações no sistema de terraceamento.

Além de ampliar a capacidade de armazenamento, o estudo considerou a necessidade de adequar os terraços ao porte dos equipamentos agrícolas. A distância horizontal média entre as estruturas passou de 28 metros para 51 metros, com espaçamento vertical próximo de três metros. A alteração buscou facilitar a circulação das máquinas e diminuir a compactação provocada pelo excesso de manobras.

A eficácia das intervenções foi acompanhada entre 2019 e 2024. Nesse período, a microbacia enfrentou episódios de precipitação superiores a 30 milímetros por dia sem apresentar sinais de erosão ou formação de sulcos, conforme os resultados apresentados pela Embrapa.

Metodologia permite identificar riscos de falhas

Outra contribuição da pesquisa foi o desenvolvimento de um método para avaliar as condições funcionais dos terraços. Denominado Capacidade Estrutural Relativa (CER), o indicador relaciona o volume de água que cada estrutura consegue armazenar à quantidade de escoamento superficial produzida pelas chuvas.

De acordo com o pesquisador Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, a análise permite classificar os terraços em três categorias, conforme seu desempenho hidráulico. A primeira reúne estruturas consideradas seguras, a segunda identifica condições marginais e a terceira aponta situações sujeitas a falhas.

A classificação oferece aos produtores e técnicos informações para definir quando ajustes no manejo do solo são suficientes e quando há necessidade de obras de redimensionamento. A identificação das condições intermediárias também permite reconhecer estruturas que operam próximas de seu limite de capacidade, antes da ocorrência de rompimentos.

Os pesquisadores consideram que a metodologia pode contribuir para o planejamento de intervenções preventivas e para a conservação dos recursos hídricos em outras regiões agrícolas. A área estudada apresenta características semelhantes às encontradas em aproximadamente 2 milhões de hectares no Paraná, o que amplia o potencial de aplicação dos resultados.

Os procedimentos e resultados estão detalhados nos estudos Geotecnologias e infiltração de água no solo aplicadas ao redimensionamento de terraços em uma bacia hidrográfica na região Oeste do Paraná e Diagnóstico funcional do desempenho hidrológico de sistemas de terraceamento em bacias hidrográficas, publicado pela Embrapa como Documentos 483.

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