IAC prepara nova geração de variedades para elevar produtividade
Programa aposta em mais perfilhamento, longevidade e qualidade da cana
O Instituto Agronômico (IAC) prepara uma nova geração de variedades de cana-de-açúcar com foco no aumento da produtividade agrícola, maior longevidade dos canaviais e melhor qualidade da matéria-prima. A estratégia busca ampliar simultaneamente toneladas de cana por hectare (TCH) e Açúcar Total Recuperável (ATR), combinação que determina o potencial de produção de açúcar por área.
As novas linhas do programa foram apresentadas por Marcos Landell, diretor-geral do IAC e coordenador do Programa Cana IAC, durante o 20º Grande Encontro sobre Variedades de Cana & Novas Técnicas de Fertilização, realizado em setembro, em Ribeirão Preto – SP.
Segundo Landell, o melhoramento passa por três frentes principais: geração de tecnologias por meio da pesquisa, maior adoção dos ganhos genéticos disponíveis e manejo adequado das variedades, considerando ambiente de produção e janela de colheita.
A lógica considera que TCH e ATR são formados em períodos distintos. Dados apresentados pelo pesquisador indicam que aproximadamente 89% da biomassa da cana é acumulada entre outubro e abril, enquanto o período entre maio e setembro concentra condições mais favoráveis ao acúmulo de ATR.
Mais colmos para sustentar a produtividade
Uma das prioridades do programa é elevar a população de colmos. Enquanto a média apresentada para o Centro-Sul varia de 60 mil a 70 mil colmos por hectare, ou de 9 a 11 por metro, o objetivo das novas seleções do IAC é avançar para populações superiores a 180 mil colmos por hectare.
A estratégia está associada principalmente à capacidade de sustentar produtividade nas soqueiras. Levantamento apresentado pelo IAC mostra que variedades modernas registraram, no terceiro corte, média de 20 colmos por metro, ante 11,9 das variedades antigas. A diferença chegou a 67,3%, após vantagens de 41,9% no primeiro corte e 48% no segundo.
Entre os materiais avaliados, IAC07-8008 e IAC07-7207 aparecem nas duas primeiras posições em perfilhamento, com 18,74 e 18,57 colmos por metro, respectivamente. O levantamento reúne nove variedades IAC entre 33 materiais avaliados.
Além do número de colmos, o programa direciona a seleção para materiais com maior acúmulo de ATR, porte ereto, uniformidade biométrica e melhor adequação à janela de colheita. O porte ereto também pode favorecer o recolhimento da matéria-prima, reduzir impurezas e melhorar o rendimento operacional.
Materiais ampliam opções para diferentes ambientes
Entre as variedades já disponíveis, a IAC07-8008 reúne alta produtividade, perfilhamento e resposta à irrigação. Em Guaíra – SP, o material atingiu 181,5 toneladas por hectare em julho de 2026, enquanto outro resultado apresentado pelo IAC apontou 18,7 colmos por metro.
A IAC09-6166, lançada em 2025, foi destacada pela combinação entre riqueza, adaptabilidade e período útil de industrialização mais longo. Em 260 parcelas experimentais, apresentou média de 14,9 toneladas de pol por hectare, 7,9% acima das 13,8 toneladas registradas pela RB966928. O desempenho superior ocorreu nos quatro cortes avaliados.
Outro material recente, a IAC07-2361, alcançou média de 150,2 toneladas de cana por hectare em análise conjunta de cinco locais e dois cortes. Na mesma avaliação, a RB867515 registrou 98,7 toneladas por hectare.
Novas variedades avançam no pipeline do IAC
O programa também mantém sete pré-variedades em seu pipeline de seleção. Entre elas, Landell chamou atenção para a IAC12-5243, material ainda em avaliação avançada e selecionado por características como rápido crescimento, alta sacarose no início e meio da safra, sanidade e adaptação a ambientes B a D.
“Só guarda esse IAC12-5243”, afirmou Landell durante a apresentação. Segundo o pesquisador, o material se destaca pela elevada precocidade, porte ereto e potencial produtivo, além da resposta ao uso de maturadores.
Em avaliação realizada em Terra Roxa – SP, em 2026, a IAC12-5243 passou de 118,08 para 152,13 de ATR após aplicação de maturador, alta de 28,8%. Todos os sete materiais avaliados no mesmo conjunto apresentaram resposta positiva, com ganhos entre 28,3% e 68,7%.
Landell afirmou que novos resultados deverão ser consolidados até o fim de 2026 e no início de 2027. A expectativa apresentada pelo pesquisador é de que alguns desses materiais possam avançar para lançamentos até julho do próximo ano.
Manejo busca reduzir perda entre os cortes
Além da genética, Landell destacou resultados do chamado 3º Eixo IAC, estratégia que relaciona época de colheita, estágio do canavial e manejo para preservar a população de plantas nas soqueiras. Em uma unidade acompanhada pelo programa há nove anos, a produtividade média dos cinco primeiros cortes ficou em 113 toneladas por hectare.
Do primeiro ao quinto corte, a produtividade passou de 123,6 para 102,4 toneladas por hectare. Na avaliação apresentada pelo pesquisador, a redução média entre os cinco primeiros cortes ficou em 5%, enquanto trabalhos do IAC citados por Landell apontam perdas normalmente próximas de 18% a 19%.
Na safra 2026/27, a mesma unidade registrou produtividade de 115,74 toneladas por hectare em levantamento de benchmarking apresentado pelo IAC. A média da amostra do Centro-Sul ficou em 87,76 toneladas por hectare.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: