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Sphenophorus levis: praga primária e desafiadora

A cana-de-açúcar é afetada por diversas pragas desde sua implantação até a reforma. Dentre elas, o Sphenophorus levis se destaca. Conhecido como bicudo-da-cana, é atualmente a principal praga da cana. Considerada uma praga primária e desafiadora, o Sphenophorus levis causa danos por meio das larvas, que atacam os rizomas e o primeiro entrenó basal, abrindo galerias e deixando serragem fina como sinal de sua alimentação. Atacam em reboleiras e podem reduzir a produtividade e a longevidade dos canaviais. Sob infestação severa, as touceiras morrem e são observadas muitas falhas na rebrota.

Esses sintomas são mais frequentemente visualizados na época seca do ano, junho a agosto, quando são geralmente encontradas maiores populações de larvas. Os seguidos ataques nas áreas de soqueiras acarretam a redução do “stand” da cultura (número de perfilhos por metro linear), causando perdas significativas e, muitas vezes, a reforma precoce do canavial e altos investimentos em defensivos agrícolas para o controle.

Monitoramento e Controle

A garantia do sucesso do manejo de pragas está no monitoramento por meio de levantamentos de campo para detecção de populações infestantes.

Por conta da baixa eficiência do controle do Sphenophorus levis e dos danos severos, recomendamos que a decisão pelo controle seja atrelada simplesmente à presença da praga na área, sendo que em infestações médias e altas, as ações de controle devem ser intensificadas.

Como ferramenta estratégica de manejo, recomenda-se o MIP (Manejo Integrado de Pragas), que é uma prática que integra o controle biológico, o controle químico, o controle cultural, controle por meio do uso de armadilhas, feromônios etc., com o propósito de diminuir o consumo de agroquímicos, utilizando-os somente quando necessário, de forma a evitar o uso indiscriminado para minimizar os impactos negativos, como, por exemplo, a resistência de insetos, contaminação de pessoas e do meio ambiente.

Para o controle desse inseto tem sido recomendada a destruição mecânica da soqueira por meio de arações, gradagens ou destruidores de soqueiras, preferencialmente na época seca do ano e aplicação de inseticidas químicos e/ou biológicos no sulco de plantio nas áreas de reforma do canavial. Nas soqueiras infestadas, recomenda-se a aplicação de inseticidas químicos e/ou biológicos cortando as touceiras de cana ou em drench (jato dirigido sobre as plantas).

Para o controle químico sugerimos a aplicação dos seguintes ingredientes ativos: Clorantraniliprole, Dinotefuram+Lambda-Cialotrina, Fipronil+Alfacipermetrina, Thiametoxan+Lambda-Cialotrina.

O controle biológico pode ser realizado junto com o controle químico, tornando o manejo mais eficiente e sustentável.  Além disso, torna-se uma estratégia de controle muito mais segura pois reduz os impactos ambientais causados pelo uso recorrente de defensivos químicos.

Para o controle biológico, o fungo Beauveria bassiana tem mostrado resultados excelentes. Aplicado em condições adequadas, esse agente biológico é muito eficiente e, além de causar a morte do inseto, pode persistir no solo e ter um efeito de controle prolongado.

Salientamos que a biofábrica da Canaoeste produz o CanaBoveBio (Beauveria bassiana) de uso exclusivo para nossos associados. Ao usar os produtos da biofábrica, o associado tem acesso a soluções de alta qualidade, com preço justo e suporte técnico agronômico. A aplicação é simples e segura. Basta seguir a recomendação técnica, de preferência com o solo úmido ou em horários de baixa incidência solar, para garantir a melhor eficácia. Em diversas áreas, o uso dos nossos produtos apresentou ótimos índices de controle de pragas, trazendo mais tranquilidade, economia e sustentabilidade ao produtor.

Conclusão

O Sphenophorus levis é hoje a praga mais desafiadora da cana-de-açúcar. Seu controle depende de um programa consistente de Manejo Integrado de Pragas (MIP), com monitoramento contínuo, uso de práticas culturais, controle biológico e químico quando indicado. Quanto mais cedo a infestação é detectada, maior é a eficiência do manejo e menores são as perdas de produtividade e de longevidade do canavial.

Para o controle químico, devemos consultar um engenheiro agrônomo e utilizar apenas produtos com registro no Ministério da Agricultura e Pecuária para a cultura e praga em questão. Optar sempre por moléculas e ingredientes ativos modernos, seletivos e com baixa toxicidade para o Homem e seguros para o meio ambiente.

Foto 1: Bicudo da cana, Sphenophorus levis.
Fonte: Canaoeste (2020).

Vale ressaltar que a orientação fundamental para quem vai formar novos canaviais é utilizar mudas de viveiros sadios já que uma das formas de dispersão do Sphenophorus ocorre por meio de mudas retiradas de áreas infestadas. Muita atenção também com a limpeza de maquinários e implementos porque eles também são disseminadores dessa praga.

A Canaoeste possui equipe treinada e capacitada para monitoramento e levantamento de pragas no campo e engenheiros agrônomos para orientar sobre as melhores práticas e tecnologias para o manejo da cana-de-açúcar. Consulte nossa equipe técnica para mais informações.

 Fique atento, cuide do seu canavial!

Alessandra Durigan, gestora técnica da Canaoeste

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