Juros recuam, mas risco fiscal mantém pressão sobre mercado
Selic cai para 13,75%, enquanto dólar avança e curva longa segue elevada
A redução da taxa Selic e os sinais de desaceleração da atividade econômica não foram suficientes para aliviar a pressão sobre os ativos brasileiros. As incertezas em torno das contas públicas mantiveram os juros futuros em níveis elevados, enquanto o dólar avançou e o Ibovespa encerrou a semana em queda.
O cenário consta da 30ª edição do Boletim Semanal de Mercado Financeiro, elaborado pela Liga Acadêmica de Economia da FAE. No mercado doméstico, o Ibovespa recuou 1,05%, aos 185.229 pontos, enquanto o dólar comercial avançou 0,98%, para R$ 5,14.
A atividade econômica mostrou perda de ritmo. O volume de vendas do varejo restrito caiu 0,8% em julho na comparação com junho, considerando a série com ajuste sazonal. Apesar da retração mensal, o setor ainda acumula crescimento de 1,8% no ano e de 1,2% em relação a julho de 2025.
Selic cai para 13,75% ao ano
O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, na reunião de 16 de setembro. Foi o quinto corte consecutivo do ciclo de redução dos juros.
Segundo o boletim, o Copom manteve atenção sobre a incerteza externa, a desaceleração da atividade e os riscos para a inflação. O Focus reduziu a projeção do IPCA de 2026 de 5% para 4,90%, enquanto a estimativa para 2027 passou para 4,30%. Para o PIB, as projeções ficaram em 1,89% neste ano e 1,45% em 2027.
A queda da Selic, porém, não eliminou a pressão na parte longa da curva de juros. O contrato DI para 2031 permaneceu próximo de 14,02%, refletindo as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e o custo de rolagem da dívida.
O boletim cita diferença relevante entre as projeções para o resultado fiscal de 2027. A Instituição Fiscal Independente estima déficit primário de R$ 86,1 bilhões para o Governo Central, enquanto o projeto orçamentário prevê superávit de R$ 18,6 bilhões.
Commodities operam com forte volatilidade
No exterior, a combinação entre juros elevados, disputas comerciais e riscos geopolíticos manteve a volatilidade nos mercados. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou a taxa de juros para o intervalo entre 3,75% e 4%, em meio à aceleração da inflação ao produtor.
O movimento também alcançou as commodities. O petróleo Brent terminou a semana em US$ 103,87 por barril, queda de 0,71%, depois de atingir máxima de US$ 109,45. Mesmo com a correção, as cotações permaneceram sustentadas pelas preocupações com a oferta e pelo nível dos estoques globais.
Entre os produtos agrícolas acompanhados pelo boletim, a aveia avançou 7,26%, para 410,20 cents por bushel, após redução nas estimativas para a safra da América do Norte. O cacau seguiu na direção oposta e caiu 10,64%, para US$ 5.327 por tonelada, diante do aumento das entregas na Costa do Marfim e da recuperação dos estoques.
O Focus manteve a projeção para o câmbio em R$ 5,20 por dólar pela 13ª semana consecutiva, enquanto a expectativa para a Selic ao fim de 2027 ficou em 12% ao ano.
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