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Parceria entre Brasil e Japão avança em biogás da cana

Projeto em São Paulo vai testar resíduos ainda pouco aproveitados e mira escala industrial

Empresas brasileiras e japonesas avançam em um projeto para ampliar a produção de biogás a partir de resíduos da cana-de-açúcar ainda pouco aproveitados no setor sucroenergético. A iniciativa prevê a construção de uma planta de demonstração na Usina São Manoel, no interior de São Paulo, com início das atividades previsto para julho de 2028.

O projeto reúne Toyota Tsusho, Toho Gas, Sebigas Cótica, Mizuho Bank e Usina São Manoel. A proposta foi selecionada pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão e terá como foco a avaliação técnica de um processo capaz de aumentar o aproveitamento da biomassa disponível em uma mesma unidade industrial.

A tecnologia será testada desde a coleta da matéria-prima até as etapas de pré-tratamento e fermentação. A planta também deverá gerar informações sobre condições operacionais e desempenho, necessárias para avaliar a viabilidade da produção de biogás em escala industrial.

Potencial do biometano amplia interesse pelo Brasil

O projeto ocorre em um momento de maior atenção ao potencial brasileiro para produção de gases renováveis. Segundo dados da Associação Brasileira do Biogás, citados no material de divulgação, o potencial teórico de produção de biometano no país chega a 120 milhões de metros cúbicos por dia, com participação relevante do setor sucroenergético. Atualmente, menos de 2% desse volume potencial é aproveitado.

A Empresa de Pesquisa Energética estima, por sua vez, potencial superior a 30 milhões de metros cúbicos de biometano por dia no Brasil. O volume corresponde a cerca de 25% do atual consumo nacional de gás natural.

A disponibilidade de biomassa e a estrutura já existente no setor sucroenergético estão entre os fatores que têm atraído empresas estrangeiras para projetos de biogás e biometano no país. Além do aproveitamento energético de resíduos, as iniciativas buscam ampliar alternativas para substituição de combustíveis fósseis.

Para estruturar o projeto, Toyota Tsusho e Toho Gas deverão formar uma sociedade de propósito específico no Brasil com o Mizuho Bank e a Cótica Energia e Participações, empresa do mesmo grupo da Sebigas Cótica.

Projeto prevê testes até 2030

A fase de demonstração está prevista para começar em julho de 2028 e seguir até aproximadamente janeiro de 2030. Inicialmente, os estudos estarão voltados à demanda brasileira por combustíveis para mobilidade, com possibilidade futura de comercialização do produto e exportação para o Japão.

A Usina São Manoel, onde será instalada a estrutura, tem capacidade de moagem de 4,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e atua na produção de açúcar, etanol e levedura seca. A unidade também utiliza subprodutos da cana para geração de bioeletricidade.

Os dados obtidos durante a operação da planta serão utilizados para avaliar as condições necessárias à aplicação do processo em escala industrial.

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