Plantio da soja acelera e favorece segunda safra no Brasil
Semeadura chega a 45,8% da área e melhora perspectivas para milho e algodão
O plantio da soja na safra 2026/27 ganhou ritmo em outubro e alcançou 45,8% da área brasileira, superando o desempenho registrado no mesmo período das últimas cinco safras. O resultado, apresentado no Radar Agro da Consultoria Agro do Itaú BBA, reduz o risco de atrasos na implantação do milho e do algodão de segunda safra, especialmente no Centro-Oeste.
A recuperação foi impulsionada pelo retorno das precipitações ao Brasil Central, permitindo que produtores retomassem operações interrompidas pela baixa umidade do solo. Em Mato Grosso, principal Estado produtor, a aceleração foi determinante para preservar o calendário agrícola, uma vez que a colheita da oleaginosa condiciona o início do cultivo seguinte.
No Paraná, o cenário foi inicialmente favorecido pela disponibilidade hídrica, mas o excesso de chuva passou a limitar os trabalhos em algumas regiões. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, o ritmo também melhorou, embora a distribuição irregular das precipitações ainda represente um fator de risco para o estabelecimento das lavouras.
Mato Grosso reduz exposição climática da safrinha
Segundo o Itaú BBA, a recuperação registrada na segunda quinzena de outubro colocou Mato Grosso em situação mais favorável do que nos ciclos 2015/16 e 2023/24, também influenciados pelo fenômeno El Niño.
O relatório mostra que a área de soja semeada dentro do período considerado ideal já era suficiente para atender à projeção de 7,5 milhões de hectares de milho e 1,4 milhão de hectares de algodão de segunda safra no Estado. Isso diminui a necessidade de postergar operações para meses em que a disponibilidade hídrica tende a ser menor.
A análise regional indica que o médio-norte mato-grossense concentra uma previsão de 2,7 milhões de hectares de milho e 400 mil hectares de algodão. No sudeste do Estado, as estimativas são de 1,1 milhão e 300 mil hectares, respectivamente.
Em Goiás, a área projetada para o milho de segunda safra é de 1,8 milhão de hectares, enquanto Mato Grosso do Sul apresenta previsão de 2,2 milhões. No Paraná, a estimativa alcança 2,9 milhões de hectares, embora o excesso de umidade tenha provocado preocupação com possíveis replantios de soja.
Irregularidade das chuvas mantém riscos para a produção
Em outras regiões, o desenvolvimento dos trabalhos apresenta diferenças importantes. Bahia, Tocantins e Maranhão dependem da consolidação do período chuvoso para ampliar as operações. Minas Gerais e São Paulo seguem comportamento próximo ao padrão histórico, enquanto o Rio Grande do Sul permanece na fase inicial de semeadura.
No Centro-Oeste, a redução das precipitações após o início de outubro, combinada às temperaturas elevadas, acelerou a perda de umidade superficial. Em Mato Grosso, houve relatos pontuais de replantio, mas sem comprometimento relevante do potencial produtivo até a elaboração do levantamento.
Os modelos meteorológicos considerados pela consultoria apontavam aumento das precipitações entre 29 de outubro e 12 de novembro. Para o período de novembro a fevereiro, a tendência indica volumes acima da média no Sul e maior irregularidade em áreas do Centro-Norte.
Apesar das diferenças regionais, o Itaú BBA mantém a perspectiva de uma boa safra brasileira de soja em 2026/27. A confirmação das precipitações previstas será determinante para a recuperação das áreas sob estresse hídrico e a manutenção do potencial produtivo.
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